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Comando Vermelho financia ida de integrantes à Ucrânia para operar drones no tráfico

Dois suspeitos que retornaram da guerra e seriam encarregados de dar treinamento de operacionalização de veículos aéreos não tripulados foram identificados e são investigados

Agência O Globo - 22/05/2026
Comando Vermelho financia ida de integrantes à Ucrânia para operar drones no tráfico
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Maior facção criminosa do estado, o Comando Vermelho (CV) tem despesas custeadas, incluindo passagens aéreas, para que membros sem antecedentes criminosos deixem o país e atuem como voluntários na guerra entre Ucrânia e Rússia, no Leste Europeu. De acordo com a polícia, o objetivo é que, ao retornar, esses membros repassem ao grupo técnicas de combate e ministrem treinamentos sobre a utilização de drones de grande porte.

Crime organizado

Essas aeronaves, adquiridas pela facção, são utilizadas para transporte de armas e drogas. A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro já acordou dois brasileiros que saíram do conflito armado e seguiram diretamente para o Complexo do Alemão. Eles seriam responsáveis ​​por treinar o bando na operação desses drones. Uma imagem de um treinamento com um veículo aéreo não tripulado, com cerca de três metros de extensão e capacidade para transportar até 80 quilos — o equivalente a 20 fuzis FAL 762 sem carregadores — foi registrada por uma câmera da Polícia Militar.

Os dados do voo, controlados remotamente pelos suspeitos, não foram divulgados. Segundo o delegado Pablo Sartori, subsecretário de Inteligência, os nomes dos investigados são mantidos em sigilo e estão sob investigação da Polícia Civil.

— A saída de muitos deles do Brasil (para a guerra no Leste Europeu) é financiada pelo CV. A facção paga a passagem. No caso dos dois identificados, um relatório foi enviado à Polícia Civil e eles estão sendo investigados. A prisão deles é uma questão de tempo — afirmou o subsecretário.

Voo 447

A rota utilizada pelos integrantes do CV para chegar à Ucrânia também foi mapeada. Segundo a Subsecretaria de Inteligência, eles não vão diretamente ao país do Leste Europeu, passando antes por outros países. Geralmente, vêm na Europa por Portugal ou Holanda, chegando à Sérvia a partir de Lisboa ou Amsterdã. De lá, segue por transporte terrestre até a Ucrânia.

Voo AF447

O drone flagrado pela PM, do tipo utilizado na agricultura ou nas entregas, pode percorrer até 12 quilômetros e custar mais de R$ 200 mil. Ele é capaz de transportar cargas entre comunidades como Gardênia Azul (Jacarepaguá) e Muzema (Itanhangá), separadas por cerca de seis quilômetros e ambos os domínios sob o CV. Essas áreas são estratégicas para a expansão da facção na Zona Sudoeste do Rio. É essas comunidades que partem de tentativa de invasão no Rio das Pedras, declaradas berço da milícia e única localidade da região do Itanhanga ainda sob controle paramilitar.

Um dos suspeitos de treinar a operação dos drones teria passado pelo menos um ano na guerra internacional. Ao retornar ao Rio, segundo a Subsecretaria de Inteligência, ele apresentou o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, membro da cúpula do CV, com uma placa balística usada durante os combates como uma espécie de souvenir de guerra.

Tráfico

De acordo com a polícia, os treinamentos com drones ocorreram em uma área do Complexo do Alemão. É nessa e no Complexo da Penha, vizinho, que se concentram os principais líderes do CV ainda foragidos.

Execução

Além de Doca, também estão o local Carlos da Costa Neves, o Gardenal (responsável pela segurança e expansão territorial do tráfico em Jacarepaguá), Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala (gerente-geral do tráfico, segundo a polícia) e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), juntos, os quatro acumularam 82 mandados de prisão expedidos. Todos são considerados foragidos.