RJ em Foco
Família de desembargador encontrado morto no Rio reconhece corpo no IML e prepara o sepultamento
Irmão do desembargador, José Paulo Martins Ribeiro afirmou que autópsia foi realizada pela manhã quarta-feira e o corpo, liberado ao longo da tarde
A família do desembargador federal encontrado morto no Rio na terça-feira fez o reconhecimento no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, no Centro, e liberou o corpo na tarde de quarta-feira. Agora, os parentes preparam a cerimônia de despedida, com data e hora ainda a serem definidas. Após mais de um mês desaparecido, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi encontrado sem vida nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e do Corpo de Bombeiros.
Desembargador desaparecido é encontrado morto
O que se sabe sobre a morte do desembargador
De acordo com a Polícia Civil, não havia sinais aparentes de violência. A perícia foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), e as estatísticas da morte ainda estão sendo investigadas.
Alcides tinha 64 anos e estava desaparecido desde o dia 14 de abril. Segundo as investigações, naquela tarde ele sacou R$ 1 mil e pegou um táxi em direção à Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, um dos principais pontos turísticos da capital fluminense. Desde então, não havia mais notícias sobre o paradeiro do magistrado.
Desembargador desaparecido:
O caso mobilizou o alto escalonamento do TRF-2. Em nota, o tribunal informou que acompanha as investigações por meio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que mantém contato permanente com a Polícia Civil. A Corte também afirmou que presta apoio psicológico aos familiares do desembargador.
Em entrevista ao GLOBO antes de o corpo ser encontrado, o irmão do desembargador, José Paulo Martins Ribeiro, expressou o drama da situação:
— Estou muito abalado. A minha saúde não está muito boa. Estou com a cabeça fechada e com a alimentação prejudicada. Não estou comendo direito — conto o irmão, sem conter as lágrimas.
O irmão lembrou ainda da infância dos dois lado a lado.
— Jogávamos bola de gude e pião e soltávamos pipa. Mas, com o tempo, ele foi voltando para as responsabilidades a fim de seguir a área jurídica. Eu me lembro de uma cena da nossa juventude: eu saí à noite para ir a uma festa. Quando voltei, a luz do quarto do meu irmão acendeu. Eram três horas da manhã, e ele estava estudando. E ele falou: “ficar a essa hora sentado, sozinho, estudando, é algo difícil, mas eu gosto” — lembrou José.
Trajetória na magistratura
Alcides Martins Ribeiro Filho ingressou na magistratura federal em 1993, após ser aprovado no segundo concurso público promovido pelo TRF-2 para o cargo de juiz federal substituto da 2ª Região.
Ao longo da carreira, atuou como titular da 1ª Vara Federal de Niterói, da 41ª Vara Criminal do Rio e da 28ª Vara Federal Cível da capital. Em 2017, tomou posse como desembargador federal do TRF-2. Também presidiu a 5ª Turma Especializada e integrou o Conselho de Administração da Corte.
Antes da magistratura federal, Alcides teve passagem pelo Ministério Público de Roraima, onde exerceu funções como procurador-geral em exercício, corregedor-geral, procurador de Justiça e promotor do Tribunal do Júri.
Na área acadêmica, foi professor de Direito Processual Penal da Universidade Gama Filho e de Direito Tributário da Universidade Veiga de Almeida. Também atuoso como palestrante e coordenador de seminários ligados ao Judiciário e à segurança pública.
O magistrado foi doutor em Direito Público pela Universidade Estácio de Sá e mestre em Direito Administrativo pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Além disso, realizou cursos de especialização no Brasil e em Portugal e teve formação militar pela Marinha do Brasil.
Ao longo da trajetória, receberam diversas honrarias, entre elas a Medalha do Pacificador, do Exército Brasileiro, a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara Municipal do Rio, além de condecorações como a Ordem do Mérito Naval, a Ordem do Mérito Militar e a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho.
Afastamento do cargo
O desembargador foi retirado da carga desde maio do ano passado, após ser investigado por suspeita de agressão contra uma ex-mulher. Na ocasião, ele foi levado algemado para prestar depoimento depois de resistir a uma abordagem policial. A ocorrência foi registrada após vizinhos acionarem a polícia por causa de uma denúncia de lesão corporal.
Separado, Alcides Martins Ribeiro Filho deixa três filhos: uma mulher, um homem e uma menina de 8 anos.
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