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Ex-combatente da guerra na Ucrânia treina traficantes do Comando Vermelho no uso de drones

Secretaria de Segurança aponta que brasileiro, voluntário no conflito, repassa técnicas militares e presenteia chefe de facção com placa balística

Agência O Globo - 21/05/2026
Ex-combatente da guerra na Ucrânia treina traficantes do Comando Vermelho no uso de drones
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Rio de Janeiro — Os traficantes do Comando Vermelho (CV) estão recebendo treinamento especializado para operar drones entre comunidades controladas pela facção, conforme acordos a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria estadual de Segurança Pública. De acordo com as investigações, o responsável por instruir os criminosos é um brasileiro que retornou recentemente da guerra na Ucrânia, onde atuou como voluntário no conflito contra a Rússia.

Segundo a polícia, o homem apareceu por menos um ano na zona de combate e, ao retornar ao Rio, passou a ensinar aos traficantes técnicas empregadas em operações militares, incluindo o uso de aeronaves não tripuladas para logística e monitoramento. Os drones adquiridos pela facção são modelos utilizados em áreas agrícolas para cultivo e também em operações de entrega de carga, com valor estimado superior a R$ 200 mil cada.

A descoberta ocorreu após um flagrante da Polícia Militar, por meio da câmera de uma aeronave, um treinamento realizado no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Nas imagens, um drone de grande porte, com cerca de três metros de comprimento, aparece cercado por pelo menos dez pessoas momentos antes da decolagem.

De acordo com o pesquisador, os equipamentos usados ​​pela facção são drones agrícolas ou de carga, capazes de transportar até 80 quilos — o equivalente a cerca de 20 fuzis FAL ou AR-15 — e de percorrer até 12 quilômetros. O valor de cada personalidade ultrapassa R$ 200 mil.

Apresenta a traficante

As informações reunidas pela inteligência da Segurança Pública indicam ainda que o ex-combatente apresentadoou Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontou como um dos membros da cúpula do Comando Vermelho, com uma placa balística utilizada por ele próprio durante o conflito no Leste Europeu.

A polícia acredita que o treinamento com drones ocorre nas áreas do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha, apontadas como refúgios de parte dos principais chefes da facção ainda em liberdade.

Além de Doca, também estariam na região Carlos da Costa Neves, o Gardenal, responsável pela segurança da facção e pela expansão territorial do tráfico em Jacarepaguá; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, gerente-geral do tráfego; e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), esses quatro traficantes somam 82 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Cabo da Marinha preso em 2024

O uso de drones por organizações criminosas já era monitorado pelas forças de segurança do estado. Em setembro de 2024, o então cabo da Marinha Rian Maurício Tavares foi preso pela Polícia Federal, suspeito de operar drones para o Comando Vermelho.

De acordo com as investigações, uma aeronave não tripulada chegou a ser utilizada para lançar granadas na Gardênia Azul, em Jacarepaguá, em fevereiro daquele ano, quando a comunidade ainda era controlada por milicianos.

A Marinha informou que o ex-cabo foi licenciado “a bem da disciplina” em fevereiro de 2025 e deixou os quadros da corporação. Atualmente, ele está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

Reação das forças de segurança

Em maio deste ano, a Polícia Civil criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), responsável por organizar o uso de drones em ações de investigação, inteligência e operações policiais no estado. Entre os equipamentos adquiridos pela corporação, há modelos com sensores térmicos, câmeras de reconhecimento facial e leitura de placas, além de aeronaves preparadas para voos noturnos e monitoramento em tempo real.