RJ em Foco
Justiça mantém prisão de assassino confesso da advogada Anic Herdy em Petrópolis
Acusado se passava por policial federal e chegou a ser responsável pela segurança da família da vítima.
O juiz Marcelo Brito da Costa Honorato Santos , da 1ª Vara Criminal de Petrópolis, negou, no último dia 13, o pedido de revogação da prisão preventiva de Lourival Correa Netto Fatica , técnico de informática e assassino confesso da advogada e estudante de psicologia Anic de Almeida Peixoto Herdy , de 55 anos. No mesmo despacho, o magistrado também decidiu o pedido da defesa para converter a prisão preventiva em domiciliária.
A defesa de Lourival, atualmente detida no Complexo do Gericinó, na Zona Oeste do Rio, alegou que sofre de hipertensão arterial refratária de nível III. Entretanto, o juiz considerou que o quadro de saúde não é grave a ponto de impedir a aplicação da prisão no cárcere, destacando que o acusado recebe acompanhamento clínico prisional.
Desaparecimento e crime
Anic foi visto pela última vez no dia 29 de fevereiro de 2024, ao sair de um shopping em Petrópolis, Região Serrana. Ela entrou em um carro dirigido por Lourival, sentando-se no banco traseiro. Conforme as investigações, ambos seguiram para um motel em Itaipava, onde ocorreu o crime. Em seguida, Lourival transportou o corpo e o sepultou na casa onde morava, em Teresópolis.
O corpo da advogada foi localizado pela polícia em 25 de setembro de 2024, poucas horas depois de Lourival confessar o crime em depoimento judicial, relatando que concretou o corpo na sapata de um muro da residência.
Premeditação e execução
Segundo relatório de inquérito da segunda fase das investigações, Lourival premeditou o crime e cometido, horas antes do assassinato, fita isolante e uma abraçadeira plástica. O documento, assinado pela delegada Cristiana Onorato Miguel , aponta que a fita isolante foi utilizada para abafar possíveis gritos da vítima e a abraçadeira, para asfixiá-la. Uma algema também teria sido usada para impedir a ocorrência de Anic.
O inquérito instaurado a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para apurar a alegação de que Lourival teria agido a mando do marido da vítima, Benjamim Cordeiro Herdy , não encontrou provas que sustentassem essa versão. Imagens das câmeras de segurança da casa de Benjamim não registraram qualquer negociação ou conversa suspeita.
Extorsão milionária
Após o crime, Lourival executou o resgate de R$ 4,6 milhões pela liberação da Anic. Parte do valor foi paga em bitcoin e depósitos em contas de doleiros e comerciantes do Paraguai, e o restante, em espécie, até 11 de março. Lourival gastou R$ 500 mil para comprar uma picape de luxo, além de adquirir uma motocicleta e 950 celulares em uma loja no Paraguai.
Com o desaparecimento de Anic, uma família registrou ocorrência na 105ª DP (Petrópolis) em 14 de março. Dias depois, Lourival foi preso. Ele foi considerado amigo da família e responsável por sua segurança, apresentando-se falsamente como policial federal e acompanhando a vítima e o marido em viagens.
O MPRJ classificou inicialmente o caso como extorsão mediante sequestro com resultado morte, mas, após aditamento da denúncia, passou a enquadrá-lo como homicídio triplamente qualificado e extorsão.
Outros
Os filhos de Lourival, Maria Luiza e Henrique Vieira Fadiga , e a ex-namorada, Rebecca de Azevedo Souza , chegaram a ser presos sob suspeitas de envolvimento, mas foram soltos e aguardam o andamento do processo em liberdade.
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