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Drone comprado pelo Comando Vermelho transporta até 80 kg e tem alcance de 12 km

Equipamento de grande porte, utilizado em atividades agrícolas e avaliado em mais de R$ 200 mil, pode carregar até 20 fuzis entre comunidades controladas pela facção no Rio

Agência O Globo - 21/05/2026
Drone comprado pelo Comando Vermelho transporta até 80 kg e tem alcance de 12 km
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Policiais descobriram que traficantes do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, sob domínio do Comando Vermelho (CV), adquiriram drones de grande porte com capacidade para transportar armas e drogas entre as favelas da facção. De acordo com a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria estadual de Segurança Pública, os equipamentos carregam até 80 quilos de carga — o equivalente a cerca de 20 fuzis FAL ou AR-15 — e possuem autonomia de voo de até 12 milhas.

Uma imagem do treinamento com um dos drones foi registrada por uma aeronave da Polícia Militar. O equipamento, com aproximadamente três metros de comprimento, aparece cercado por pelo menos dez pessoas momentos antes da descolagem, em uma área aberta e com algumas residências próximas. Os dados da gravação não foram divulgados.

Segundo a polícia, os drones adquiridos pela facção são modelos normalmente utilizados em atividades agrícolas para consumo e também em operações de entrega de carga. O valor estimado de cada audição ultrapassa R$ 200 mil.

De acordo com as investigações, a autonomia dos drones permitiria o transporte de armas e drogas entre diferentes áreas sob controle do CV na cidade. A partir do Complexo do Alemão, as aeronaves seriam capazes de chegar a comunidades como Cidade de Deus, Jacarezinho, Complexo do Lins e Complexo do Chapadão.

Os drones também tiveram capacidade para percorrer o trajeto entre Gardênia Azul, em Jacarepaguá, e Muzema, no Itanhangá, áreas dominadas pela facção e separadas por cerca de cinco quilômetros.

É justamente essas localidades que os traficantes armados costumam partir para tentar invadir o Rio das Pedras, comunidade considerada berço da milícia e ainda sob domínio de grupos paramilitares.

Monitoramento e estratégia policial

— Nosso novo foco é evitar que eles usem essa nova ferramenta para implementar o fluxo de armas e drogas entre as comunidades sem o perigo de interceptação pela polícia — afirmou o delegado Pablo Sartori, subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança do estado.

Segundo a polícia, os treinamentos com drones são realizados em uma área do Complexo do Alemão. A região, ao lado do Complexo da Penha, concentra parte dos principais membros da cúpula do Comando Vermelho ainda foragidos.

De acordo com as investigações, estariam escondidos na área Edgar Alves de Andrade, o Doca; Carlos da Costa Neves, o Gardenal, apontou como responsável pela segurança da facção e pela expansão do tráfico em Jacarepaguá; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, identificado como gerente-geral do tráfico; e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que o grupo soma 82 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Uso recorrente de drones pelo tráfico

Não é a primeira vez que o tráfico recorre ao uso de drones em operações criminosas no Rio. Em outubro de 2025, durante uma operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, criminosos utilizaram aeronaves de pequeno porte para monitorar a movimentação de agentes da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Segundo a polícia, o confronto durou cerca de nove horas. A ação terminou com 117 suspeitos mortos e cinco policiais mortos durante os confrontos.