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Desafios ambientais marcam duplicação da BR-493 entre Magé e Manilha

Intervenção em área próxima à APA de Guapi-Mirim inclui ações para proteção da fauna e acompanhamento arqueológico

Agência O Globo - 20/05/2026
Desafios ambientais marcam duplicação da BR-493 entre Magé e Manilha
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A duplicação dos 20 km da rodovia BR-493, entre Magé e Manilha, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, impõe um desafio adicional: alinhar o avanço das obras a um rigoroso planejamento ambiental. O projeto envolve monitoramento da fauna local, preservação de recursos hídricos, educação ambiental para moradores e trabalhadores, além de acompanhamento arqueológico permanente. O trecho, conhecido no passado como “rodovia da morte”, margeia a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapi-Mirim.

A expectativa é deixar para trás a antiga fama da via, marcada por abandono e acidentes, e promover a preservação do entorno, habitat de espécies como capivaras, porcos-espinhos, jabutis, preguiças e diversas aves. O solo da região também revela vestígios de povos indígenas que ali viveram.

Antes do início das intervenções, equipes multidisciplinares de biólogos, arqueólogos e técnicos ambientais percorrem a faixa da obra para mapear espécies, cursos d’água, áreas sensíveis e potenciais impactos.

De acordo com Aline Rodrigues, supervisora de sustentabilidade da EcoRioMinas — concessionária responsável pelo Arco Metropolitano, que inclui o trecho —, a execução das obras exige integração constante entre engenharia e meio ambiente.

— É um planejamento complexo e integrado. As áreas de engenharia e meio ambiente atuam juntas desde o início. Há um cronograma para que cada etapa respeite os estudos prévios, o licenciamento e os programas de monitoramento. Nada avança sem avaliação de impactos e estratégias de mitigação — explica.

Dentre as medidas para reduzir impactos, destaca-se a implantação de passagens de fauna. Algumas serão subterrâneas, aproveitando estruturas sob pontes, e outras poderão ser aéreas em pontos críticos, buscando preservar a fauna e aumentar a segurança viária.

O passado também aflora ao longo do traçado: a duplicação atravessa uma região de ocupação indígena histórica, com acompanhamento arqueológico exigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Recentemente, escavações revelaram duas lâminas de machado de pedra, vértebras de peixe e lascas de quartzo, vestígios associados a antigos sambaquis — sítios arqueológicos de populações pré-coloniais.

Segundo arqueólogos, pelo menos seis sítios já foram identificados desde o início dos estudos, há mais de dez anos. Fragmentos de cerâmica, louça, vidro e materiais líticos são recolhidos, passam por curadoria em laboratório e são destinados a instituições credenciadas para guarda e pesquisa.

O projeto prevê a duplicação de cerca de 20 quilômetros, implantação de cinco novos viadutos em desnível, três passarelas para pedestres, melhorias de acessos e ampliação da conexão ao Complexo de Boaventura, antigo Comperj.