RJ em Foco
Vítima de feminicídio no Rio pode ter sido envenenada com bife de fígado; companheiro é preso
Naire Bezerra Galvão, de 55 anos, morreu após ser levada à emergência; atitude suspeita do companheiro levou à denúncia
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se o servidor público Naire Bezerra Galvão, de 55 anos, foi vítima de envenenamento consumido após um bife de fígado preparado por seu companheiro, Maurício Gaspar Viana, de 66 anos. O laudo inicial da certidão de óbito descartou asfixia mecânica e indicou sinais de intoxicação por substância exógena, reforçando a suspeita de feminicídio. Maurício foi preso nesta sexta-feira, funcionários desta UPA da Tijuca, na Zona Norte, denunciaram seu comportamento suspeito ao levar-la à unidade no último sábado, por volta das 11h30, com graves crises abdominais e respiratórias. Segundo apuração, ele é tratado como principal suspeito do crime.
Desconfiança na UPA e relato do suspeito
Funcionários da UPA suspeitaram de envenenamento e acionaram a polícia. De acordo com a delegada Camila Lourenço, titular da 20ª DP (Vila Isabel), Maurício relatou ter preparado um bife de fígado para Naire no jantar de quinta-feira, mas afirmou que ele próprio comeu apenas ovos. Ele ainda teria incentivado que a vítima não trabalhasse na sexta-feira. Os sintomas ocorreram na madrugada de sexta para sábado, mas chamaram a atenção dos investigadores a demora no encaminhamento da vítima ao atendimento emergencial.
Medidas da investigação
A delegada Camila Lourenço informou que, além da prisão temporária do suspeito, foram solicitadas busca e apreensão na residência de Naire e a quebra de sigilo telefônico de ambos. A causa da morte foi apontada como asfixia não mecânica, decorrente de substância exógena. O Instituto Médico Legal (IML) realizará análises para confirmar se houve envenenamento.
Relação entre vítima e suspeito
Naire e Maurício eram vizinhos de porta de um prédio de Vila Isabel. Familiares afirmam que ele nunca foi apresentado oficialmente como namorado. Há divergências sobre o tempo de relacionamento: enquanto Maurício declarou à polícia que estavam juntos há cerca de quatro anos, vizinhos relatam um namoro de dois anos. O suspeito alugava um apartamento no mesmo andar, enquanto Naire era proprietária do imóvel e do carro utilizado por Maurício como motorista de aplicativo. As investigações não descartaram outros possíveis envolvidos e revelaram que Maurício pretendia convencer familiares e vizinhos a considerar uma união estável post-mortem.
Perfil e incremento de Naire
Naire vivia sozinha, era dedicada à leitura, à casa e gostava de viajar. Recentemente, participou do casamento do sobrinho e do afiliado Lucas Galvão, com quem mantinha forte vínculo. Segundo Lucas, Naire era como uma segunda mãe e prezava pela saúde e bem-estar: "Ela cuidava muito de si, era saudável e fazia exercícios regularmente".
Uma prima, que preferiu não se identificar, descreveu Naire como carinhosa, bondosa e estudiosa. "Ela era um orgulho para todos nós. Não tinha maldade no coração, e isso foi o perigo. O vizinho se aproximou para se aproveitar dela", lamentou.
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