RJ em Foco
Indiciados por mortes de cinco policiais no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, chefes do CV têm 69 mandados de prisão
No total, 11 pessoas tiveram os pedidos de prisões preventivas solicitadas à Justiça. Suspeitos respondem por homicídio qualificado, com agravantes relacionados à emboscada, ao emprego de armamento de guerra e à atuação contra agentes de segurança pública
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) concluiu as investigações sobre as mortes de cinco policiais civis e militares, baleados durante uma operação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, no dia 28 de outubro de 2025. Onze homens foram indiciados e tiveram as prisões preventivas solicitadas à Justiça por suspeitas de envolvimento nos homicídios. Entre eles estão Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso; Carlos da Costa Neves, o Gadernal; e Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala. O primeiro é integrante da cúpula do Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do estado. O segundo e o terceiro ocupam postos de chefia na quadrilha. Por conta de outros crimes, o trio soma um total de 69 mandados de prisão expedidos pela Justiça em seus respectivos nomes.
Perda do cartão, celular sem bateria, uso por turistas e viagens de madrugada:
Trânsito no Rio:
Doca tem 317 anotações criminais e, segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça, contabilização 43 mandados de prisão. Segundo o relatório da investigação, Carlos da Costa Neves é homem de confiança do traficante e responsável por gerenciar as finanças do bando, além da logística, segurança e execução de ordens, como torturas. Já Pedro Paulo Guedes, o “Pedro Bala”, atua como braço operacional e gerente-geral do grupo criminoso, sendo um dos responsáveis por ordenar tiroteios para garantir o controle do território da facção na Penha. Em nome de Gadernal, há 17 ordens de prisão, enquanto Pedro Bala tem nove mandatos do mesmo tipo ainda pendentes.
Segundo o documento, todos os cinco policiais mortos foram atingidos por tiros na localidade conhecida como Vacaria, uma área de mata da Vila Cruzeiro, próxima a um dos acessos ao Complexo do Alemão. Sete suspeitos que trocaram tiros com os agentes foram presos em uma estrutura de concreto, espécie de bunker na área de mata, cinco deles após serem baleados.
'Indignação':
Um oitavo conseguiu fugir. Com o grupo preso, os policiais apreenderam sete fuzis e uma pistola Glock. O armamento tinha sinais recentes de utilização, segundo a polícia.
— O confronto se estendeu por várias horas e foi muito intenso, principalmente na região da Vacaria. De acordo com o que consta nos autos, os três (Doca, Gadernal e Pedro Bala) incentivam este combate, o confronto armado, o enfrentamento à polícia — explicou o delegado Alexandre Herdy, diretor do Departamento-Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP).
Denúncia improcedente:
Segundo uma investigação feita pelo Núcleo Especializado em Crimes Contra Agentes Públicos da DHC, o primeiro dos cinco policiais mortos foi atingido por um tiro quando tentou dar apoio à equipe que socorria o delegado Bernardo Leal, que havia sido baleado. Leal sobreviveu e acabou perdendo uma perna após passar por uma cirurgia. O chefe do setor de investigações da 39ª DP (Pavuna), Marcus Vinicius Cardoso de Carvalho, o Máscara, foi ferido na ação. Levado ao hospital, ele não resistiu. Também morreram após serem atingidos no confronto com os policiais civis Rodrigo Veloso Cabral e Rodrigo Vasconcellos Nascimento, além dos policiais militares Cleiton Serafim Gonçalves e Héber Serafim Gonçalves.
Thiago Gomide:
O inquérito policial concluiu que a intenção dos criminosos era atacar e matar o maior número possível de policiais envolvidos na operação. Os crimes foram indiciados por homicídio avançado, com agravantes relacionados à emboscada, ao emprego de armamento de guerra e à atuação contra agentes de segurança pública. O relatório final já foi encaminhado à Justiça.
Além dos cinco policiais mortos, 117 suspeitos morreram em trocas de tiros nos complexos da Penha e do Alemão. Elas são apuradas separadamente dos assassinatos de policiais e investigadas em inquéritos que apuraram mortes por intervenção policial, também conhecidos como autos de resistência.
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