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Polícia investiga feminicídio por envenenamento no Rio; companheiro da vítima é preso

Funcionária pública de 55 anos morreu após ser levada à emergência; funcionários da UPA denunciaram atitude suspeita do companheiro

Agência O Globo - 15/05/2026
Polícia investiga feminicídio por envenenamento no Rio; companheiro da vítima é preso
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte de Naire Bezerra Galvão , 55 anos, funcionária pública, por suspeita de envenenamento. O principal suspeito é o companheiro Maurício Gaspar Viana , de 66 anos, que foi preso nesta sexta-feira após funcionários da UPA da Tijuca denunciarem sua conduta à polícia. Maurício levou Naire à unidade de saúde às 11h30 do último sábado, quando ela apresentou crises abdominais e respiratórias. Conforme apuração, a linha de investigação trata o companheiro como principal suspeito.

Suspeita de envenenamento

Funcionários da UPA desconfiaram que a morte de Naire pudesse ter sido causada por envenenamento e notificaram as autoridades. Segundo a delegada Camila Lourenço, titular da 20ª Delegacia Policial (Vila Isabel), Maurício relatou que preparou um bife de fígado para Naire no jantar de quinta-feira, mas ele próprio teria comido apenas ovo. Ele também o incentivou a não ir trabalhar na sexta-feira. Os sintomas tiveram início na madrugada de sexta para sábado, e a delegada destacou a demora no encaminhamento da vítima ao atendimento emergencial.

"Ele afirma que roubou e serviu um bife de fígado para a vítima, mas comeu ovo, não comeu o bife no jantar na quinta. Ele incentivou que ela não fosse trabalhar na sexta-feira. Segundo ele, ela começou a sentir os sintomas na madrugada de sexta para sábado. O que chama a atenção é a demora no encaminhamento da vítima para atendimento emergencial", explicou o delegado.

Além da prisão temporária de Maurício, a polícia solícita busca e apreensão na residência de Naire e a quebra de sigilo telefônico de ambos. A causa da morte, segundo o laudo preliminar, foi asfixia não mecânica provocada por substância exógena. A confirmação do envenenamento depende da análise do Instituto Médico Legal (IML).

Relação sob investigação

Naire e Maurício eram vizinhos de porta de um prédio de Vila Isabel. Familiares afirmam que ele nunca foi apresentado como namorado de família ou amigos. Há divergências sobre o tempo de relacionamento: Maurício declarou à polícia um vínculo de cerca de quatro anos, enquanto vizinhos relatam dois anos. O suspeito alugava um apartamento no mesmo andar da vítima, cujo imóvel era próprio. O carro usado por Maurício como motorista de aplicativo também pertence à Naire. As investigações não descartaram outros suspeitos e apontam que Maurício chegou a sondar parentes e vizinhos para testemunhar um possível reconhecimento post-mortem de união estável.

Perfil da então

Naire morava sozinha, era dedicada à leitura, cuidados com a casa e viagens. Recentemente, esteve presente no casamento do sobrinho e afilhado, Lucas Galvão, com quem mantinha forte laço afetivo.

"A minha tia foi uma segunda mãe em muitos momentos da minha vida. A gente se entendeu só pelo olhar. Ela vai fazer muita falta", disse Lucas Galvão. Segundo ele, Naire mantinha hábitos saudáveis ​​e era zelosa com a própria saúde.

“Eu custei a acreditar quando me disseram que ela morreu. Havia comentado com minha esposa que minha tia me enterraria, pois se cuidava muito”, acrescentou.

Uma prima, que preferiu não se identificar, descreveu Naire como carinhosa, estudiosa e bondosa. "Ela era um orgulho para todos nós. Não tinha nenhuma maldade no coração, esse foi o perigo. O vizinho foi se aproximando para se aproveitar dela", afirmou.