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Ônibus municipais do Rio: com o fim do uso do dinheiro, prefeito orienta que usuários se programem para as viagens e anuncia linha teste

A partir de 30 de maio, a passagem só poderá ser paga com o cartão Jaé

Agência O Globo - 14/05/2026
Ônibus municipais do Rio: com o fim do uso do dinheiro, prefeito orienta que usuários se programem para as viagens e anuncia linha teste
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após anúncio do causar polêmica, o prefeito Eduardo Cavaliere e o secretário municipal de transportes, Jorge Arraes, realizaram uma coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira para explicar a medida, que passa a valer a partir do dia 30. Desta data em diante, a passagem só poderá ser paga com o cartão Jaé. As autoridades anunciaram que, a partir de domingo, a linha 634, que liga a Ilha do Governador à Tijuca, já funcionará como teste e não aceitará mais dinheiro em espécie.

Único método de pagamentos em ônibus municipais do Rio:

Votação vai a plenário:

De acordo com a prefeitura, a decisão busca ampliar o controle e a transparência da arrecadação tarifária, reduzir o tempo de embarque, eliminar o manuseio de dinheiro pelos motoristas e aumentar a segurança nos veículos.

— Não estamos acabando com a possibilidade de pagar com dinheiro no sistema de ônibus. Estamos acabando com o pagamento em espécie diretamente ao motorista. As pessoas vão poder continuar usando dinheiro nas máquinas de autoatendimento. Estamos implementando nos ônibus regulares a mesma experiência dos serviços de BRT e VLT, onde só é possível acessar com o cartão. Assim como ocorre nesses modais, os usuários terão que se programar para usar o sistema, comprar com antecedência, usar o aplicativo — disse Eduardo Cavaliere.

De acordo com o secretário de transportes, apenas 9,2% dos cerca de três milhões de usuários na cidade pagam a passagem em dinheiro atualmente. Com a nova medida, informou o prefeito, mais de R$ 1,3 milhão em espécie deixarão de circular diariamente nos coletivos.

— A proibição do uso do dinheiro melhora o embarque, que se torna mais rápido e fluido, a qualidade do serviço oferecido pelo motorista, que se concentra apenas no trajeto e exclusivamente em dirigir, e deixa a viagem mais segura. Sem circulação de dinheiro, os ônibus deixam de ser um atrativo para bandido — afirmou Cavaliere.

Jorge Arraes reforçou as vantagens da medida e lembrou que ela já foi implementada em outros lugares do Brasil.

— O pagamento com dinheiro não é auditável e exige uma dupla função do motorista. Sem o dinheiro, além de reduzir o risco de acidentes, melhora a regularidade das viagens. O Rio não é a primeira cidade que está implementando isso. A medida já existe no Distrito Federal, em Campinas e em Florianópolis. Hoje, temos 9,2% dos usuários utilizando dinheiro embarcado. Em 2015, eram 20,3% — ressaltou o secretário.

O cartão, que custa R$ 5, só pode ser adquirido nas máquinas instaladas no BRT, metrô e VLT. A recarga de créditos em dinheiro, de acordo com a prefeitura, seguirá disponível nas duas mil máquinas de autoatendimento (ATMs) do Jaé e nas bilheterias dos terminais do BRT. Pelo aplicativo é possível recarregar o saldo por Pix ou crédito, com liberação imediata para uso.

Para turistas e quem usa o sistema apenas eventualmente, a orientação é usar o cartão unitário, na cor verde, que custa R$ 5. O município afirma que o cartão avulso pode ser devolvido nos postos de atendimento do Jaé e o cidadão, reaver o valor pago por ele.

Integração só com cartão preto

A mudança recai ainda na integração, que deixa de valer com o cartão verde e passa a ser permitida apenas com cartão preto, que deve ser solicitado no aplicativo do Jaé.

— Esse cartão verde, que vai deixar de ser usado para integração, hoje corresponde a somente 3,7% das transações. Então, terá um impacto pequeno em relação ao sistema como um todo, porque 96,3% dos usuários já utilizam o cartão preto no dia a dia. E, para esses, nada muda — ressaltou Jorge Arraes.

O objetivo com a retirada do cartão verde das integrações, esclarece o secretário, é reduzir as fraudes tarifárias:

— Esses cartões não têm associação com CPF da pessoa. Então, o fraudador aborda alguém que esteja pagando em dinheiro, fica com parte desse valor, entrega o cartão, pega de volta e usa com outra pessoa. Cada vez que ele faz isso, o dinheiro público é impactado diretamente, porque a gente está pagando isso via subsídio, à medida que é para usar o benefício para uma pessoa e ele usa para duas e ainda fica com parte do dinheiro.

Linha teste

As autoridades anunciaram ainda, na coletiva de imprensa, que, a partir das 5h do próximo domingo, a linha 634 será assumida pela Mobi-Rio, que já administra o sistema de BRT. Ela faz o trajeto de Bananal, na Ilha do Governador, à Praça Saens Peña, na Tijuca. Serão 25 ônibus novos climatizados operando 24 horas por dias. Nesses coletivos, já não será aceito dinheiro; apenas Jaé ou Riocard (Bilhete Único Intermunicipal), como no BRT e no VLT.

O objetivo é que essa linha já funcione como teste para o que começa a valer de forma geral no dia 30.

— Esse é um serviço muito importante para a Ilha. Além de levar à Tijuca, faz conexões com Fundão, Benfica, São Cristóvão e Rodoviária Novo Rio. Mas a qualidade tem sido mantida muito ruim pelo atual operador. Então, houve a definição que a Mobi-Rio assuma a partir de domingo. Até em caráter experimental, essa linha já não terá dinheiro a bordo — disse o secretário de transportes.

Onde comprar o cartão Jaé

O cartão avulso verde pode ser comprado nas máquinas de autoatendimento instaladas:

em todas as estações do BRT

em todas as estações do VLT

e em dez estações do metrô: Jardim Oceânico, São Conrado, Antero de Quental, Jardim de Alah, Nossa Senhora da Paz, General Osório, Cantagalo, Siqueira Campos, Cardeal Arcoverde, Botafogo

O cartão custa R$ 5. A prefeitura informou ainda que o valor pode ser recuperado posteriormente: o passageiro pode devolver o cartão verde em um posto de atendimento do Jaé e solicitar o reembolso dos R$ 5.

Onde recarregar o Jaé com dinheiro

Apesar do fim do pagamento em espécie dentro dos ônibus, a prefeitura afirma que o dinheiro continuará sendo aceito para recarga dos cartões. Os créditos poderão ser adicionados:

nas máquinas de autoatendimento do Jaé

em cerca de 2 mil pontos de recarga credenciados espalhados pela cidade

nas bilheterias dos terminais do BRT

Já no aplicativo, as recargas podem ser feitas por Pix ou cartão de crédito, com liberação imediata do saldo.

Onde fazer o cartão Jaé no Rio

Os postos de atendimento funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

Zona Oeste

Campo Grande — Rua Barcelos Domingos 89

Santa Cruz — Rua Felipe Cardoso 148, loja H

Taquara — Rua Nacional 641

Terminal BRT Alvorada — Avenida das Américas s/n, Barra da Tijuca

Terminal BRT Pingo D’Água — Estrada da Pedra s/n, Guaratiba

Centro e Zona Norte

Centro — Rua Ulysses Guimarães 16, loja A, Cidade Nova (em frente ao metrô Estácio)

Terminal Intermodal Gentileza — Avenida Francisco Bicalho 312, São Cristóvão

Terminal BRT Fundão — Cidade Universitária, Ilha do Governador

Shopping São Luiz (Shopping dos Peixinhos) — Rua Dagmar da Fonseca 26, 2º andar, Madureira

Guadalupe — Avenida Brasil 22.155, Shopping Guadalupe, 1º piso, loja 118/11

Zona Sul

Copacabana — Rua Raimundo Corrêa 47, loja A

A orientação da prefeitura é que os passageiros que ainda utilizam dinheiro diretamente nos ônibus ou dependem do cartão verde façam a migração para o cadastro digital antes do dia 30 para evitar transtornos nos embarques.

Como usar o Jaé pelo celular

A Secretaria municipal de Transportes orienta que os passageiros priorizem o uso do aplicativo do Jaé no celular. Após baixar o app e fazer o cadastro, o usuário já pode utilizar o sistema imediatamente. Pelo aplicativo, é possível:

adicionar créditos via Pix

recarregar por cartão de crédito

utilizar QR Code para embarque

solicitar o cartão preto do Jaé

O cartão preto pode ser pedido diretamente no aplicativo e custa R$ 7,95. O usuário pode optar por retirar em um posto de atendimento ou receber em casa.

Caso a pessoa tenha dificuldade para fazer o cadastro digital, a orientação é procurar um dos postos presenciais do Jaé levando um documento oficial com foto.

Qual a diferença entre o cartão preto e o verde

A prefeitura recomenda que os passageiros utilizem o cartão preto ou o aplicativo porque eles garantem acesso aos benefícios tarifários do Bilhete Único Carioca (BUC). Já o cartão verde, considerado avulso, continuará funcionando apenas para viagens unitárias.

Isso significa que, a partir de 30 de maio:

o cartão verde deixará de fazer integração nos transportes municipais

cada embarque descontará uma nova tarifa cheia de R$ 5

os benefícios do BUC e do BUM ficarão restritos ao cartão preto ou ao aplicativo