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Desembargador desaparecido: 'Estou com a cabeça carregada e sem conseguir comer', disse irmão do magistrado
Nesta quarta-feira, família celebra uma missa em homenagem a Alcides Martins Ribeiro Filho, desaparecido há 30 dias
A família do desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho, desaparecido há 30 dias, celebra, na tarde desta quarta-feira, uma missa em sua homenagem na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca, Zona Norte do Rio. O paradeiro do magistrado é desconhecido desde 14 de abril, quando ele sacou R$ 1 mil, embarcou num táxi com direção à Vista Chinesa, tradicional mirante da cidade na Floresta da Tijuca, e não foi mais visto. O GLOBO esteve na igreja e conversou com o irmão de Alcides, o contador aposentado José Paulo Martins Ribeiro, de 67 anos, que contou que a informação sobre o último destino do magistrado foi repassada à polícia pelo taxista.
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— Ele mora em Ipanema, mas, no dia, estava a passeio na Tijuca, onde pegou um táxi na em direção à Vista Chinesa. Um dia após registrarmos o caso, a Polícia Civil identificou o táxi e o taxista, que passou a informação sobre o destino do meu irmão. Isso foi muito importante — relatou José.
As investigações, que correm em sigilo, estão a cargo da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). De acordo investigadores da especializada, o desaparecimento só foi comunicado oficialmente à polícia no dia 27 de abril, cerca de duas semanas após o sumiço do magistrado.
Enquanto a polícia apura o que ocorreu, a família também se mobiliza em busca de soluções para o caso. Um cartaz foi produzido para ser distribuído às dezenas de pessoas esperadas na missa desta quarta. A peça contém dados como o nome completo do desembargador, o destino no dia do desaparecimento, a data do sumiço, a roupa que estava usando (calça e casaco pretos), contatos da DDPA e do Disque Denúncia e um pedido: “Compartilhe essa informação”.
— Estamos bastante tristes com tudo isso. Eu estou muito tenso. A minha sensação é como se eu fosse fazer um tratamento de saúde e estivesse na expectativa do resultado. Então, estou muito abalado. A minha saúde não está muito boa. Estou com a cabeça carregada e com a alimentação prejudicada. Não estou comendo direito — contou o irmão, sem conter as lágrimas. — Apesar da tensão, acredito num desfecho positivo.
Alcides Martins Ribeiro Filho integra o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Nos bastidores do órgão, o caso é tratado com preocupação. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do tribunal realiza reuniões semanais com os investigadores da Polícia Civil para acompanhar o andamento das apurações. Em nota, o tribunal afirmou que está monitorando o caso e mantém contato permanente com os responsáveis pela investigação. O TRF-2 também informou que presta apoio psicológico aos familiares do desembargador.
— Meu irmão tem uma atuação de mais de 30 anos na magistratura. Antes, ele foi oficial da Marinha do Brasil. Depois, passou ao mesmo tempo para defensor e promotor, optando por esta última opção. Por último, fez prova para a magistratura e, em 2015, foi promovido a desembargador. Se eu trouxer o currículo dele aqui, acho que não cabe dentro dessa igreja. A quantidade de informação que tem na cabeça dele é impressionante. Além de ser fora do padrão em termos de conhecimento jurídico, é um homem de postura ilibada. Ele é um cara correto demais, uma pessoa honrada — descreveu.
O irmão lembrou ainda da infância dos dois lado a lado.
— Jogávamos bola de gude e pião e soltávamos pipa. Mas, com o tempo, ele foi se voltando para as responsabilidades a fim de seguir a área jurídica. Eu me lembro de uma cena da nossa juventude: eu saí à noite para ir a uma festa. Quando voltei, a luz do quarto do meu irmã estava acesa. Eram três horas da manhã, e ele estava estudando. E ele falou: “ficar a essa hora sentado, sozinho, estudando, é algo difícil, mas eu gosto” — rememorou José.
Separado, o desembargador, de 64 anos, tem três filhos: uma mulher, um homem e uma menina de 8 anos.
Em maio do ano passado, o desembargador foi afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça por suspeita de agressões contra a ex-mulher. Na ocasião, ele chegou a ser levado algemado para a delegacia.
— Uma hora vai sair o resultado na Justiça sobre esse caso. E eu tenho certeza de que será favorável a ele. Não é verdade que ele é um cara violento — observou o irmão. — Por conta desse caso, ele está há um ano sem ver sua filha caçula. Está impedido de se aproximar. E isso mexeu profundamente com o psicológico dele.
José suspeita que o sumiço de Alcides possa ser uma fuga para amenizar a tensão causada pela situação.
— Ouvi uma vez a seguinte frase: “Às vezes, ficar calado ao lado de alguém significa respeito, carinho e compreensão". O meu irmão, neste momento, está precisando de paz, silêncio e mais empatia — destacou.
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