RJ em Foco
Caderno com ofensas entre alunas de escolas de elite reacende debate sobre bullying no Rio
Escola Americana da Gávea afirma que conteúdo foi produzido fora do ambiente escolar e não reflete seus valores institucionais
Um caderno contendo ofensas e difamações direcionadas a uma aluna da Escola Americana do Rio de Janeiro provocou intenso debate entre pais, responsáveis e a direção de colégios de alto padrão na Zona Sul carioca. O episódio, que evidencia o aumento de casos de bullying, foi revelado nesta segunda-feira pela colunista Lu Lacerda, da Veja, e gerou indignação em um grupo de mães. As estudantes envolvidas têm entre 13 e 15 anos.
Nas páginas do caderno, são utilizadas palavras de baixo calão e adjetivos pejorativos para se referir a meninos e, principalmente, meninas da escola. Também há registros de frases gordofóbicas. Segundo a lista mais recente da Forbes, a Escola Americana é a segunda mais cara do Rio, com mensalidades em torno de R$ 10.950 para o Ensino Fundamental.
Pais e mães de alunos da Escola Americana, além de outras instituições como Eleva, Santo Agostinho e Escola Britânica, comentaram nas redes sociais sobre a participação de mais grupos de adolescentes da Zona Sul em situações semelhantes. Em resposta ao GLOBO, a Escola Americana enviou o seguinte comunicado:
"A Escola Americana do Rio de Janeiro esclarece que o conteúdo em questão foi produzido por um grupo de estudantes, realizado fora do horário escolar e das dependências da instituição, sem qualquer relação com as atividades acadêmicas ou pedagógicas da escola. A Instituição reafirma que condutas dessa natureza não refletem os valores da Escola Americana do Rio de Janeiro, pautados pela integridade, pelo respeito e pela formação cidadã de seus alunos. Por envolver menores de idade, a escola não fará comentários adicionais, de acordo com a legislação vigente, em respeito à privacidade dos estudantes e de suas famílias."
Em outro episódio recente, no final de 2024, a Escola Americana foi condenada em um caso de cyberbullying sofrido por um aluno em 2020, conforme divulgado pela coluna de Ancelmo Gois. Na ocasião, o estudante foi vítima de perseguição por um colega que criou um perfil falso usando seu nome para constranger e ameaçar outros alunos. A situação foi reportada à polícia, e, mesmo após a comprovação de que o menino não era o autor das ofensas, a escola, o diretor e uma professora se posicionaram contra ele e seus pais. O Tribunal determinou indenização de R$ 60 mil à família.
Segundo a sentença, o crime aconteceu em setembro de 2020, quando o nome da vítima, então com 11 anos, foi usado em um perfil falso nas redes sociais. Diversos alunos da turma receberam ameaças, xingamentos e provocações atribuídas ao menino, que acabou sendo excluído socialmente. Os pais relataram omissão por parte da escola e buscaram apoio na Delegacia de Crimes Cibernéticos, que identificou o computador utilizado para criar o perfil, inclusive com domínio da escola (@earj.com.br). A investigação levou à identificação do responsável: um colega de turma, filho de uma professora da instituição.
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