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Funcionário de restaurante acusa Ed Motta de preconceito: ‘Vou embora antes que faça alguma coisa com um desses paraíbas’

Cantor é investigado por injúria por preconceito após confusão no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio; dono do estabelecimento entregou à polícia áudios atribuídos ao artista

Agência O Globo - 12/05/2026
Funcionário de restaurante acusa Ed Motta de preconceito: ‘Vou embora antes que faça alguma coisa com um desses paraíbas’
Ed Motta - Foto: Reprodução

“Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas.” A frase é atribuída ao cantor e compositor Ed Motta em depoimentos prestados à Polícia Civil por funcionários do restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. O artista é investigado por injúria por preconceito após uma confusão ocorrida na madrugada do último dia 2, depois de um desentendimento sobre a cobrança de impostos de rolha. O crime prevê pena de um a três anos de reclusão.

Memória:

Como nasce o medo:

Segundo o barman da casa, que teria sido alvo de ofensas prefenciais, Ed Motta começou a insultá-lo após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante, de acordo com o depoimento:

"Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba", teria dito o cantor. Em seguida, ainda conforme o relato, ele serviu uma taça de vinho sobre o balcão e afirmou: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um dessas paraíbas”. Ao deixar o local, ele teria acrescentado: “Cambada de paraíba” e, virando-se novamente para o funcionário: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.

O registro de ocorrência foi feito na 15ª DP (Gávea) e enquadra o caso como lesão por preconceito, previsto no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de lesão comum.

Em depoimento, o proprietário do restaurante afirmou que Ed Motta já havia se referido anteriormente ao mesmo funcionário como “paraíba filho da put*” em um áudio enviado no ano passado. O material foi entregue à polícia. O empresário também relatou que o barman já havia mencionado episódios anteriores de provocações “em tons homofóbicos” quando o cantor se reunia com amigos em uma mesa próxima ao bar do estabelecimento.

Ainda segundo o dono, após a confusão, o artista invejou novos áudios ao dono do restaurante. Em um deles, de acordo com o depoimento, o cantor afirma: "Aquele garanto que eu já havia reclamado hoje, eu desci o sarrafo porque um amigo meu fez uma pergunta para ele e ele não respondeu. Eu falei que ele era assim mesmo, ele é um babaca que não respondeu".

Procurada pela GLOBO, a defesa de Ed Motta informou que "em nenhum momento houve agressão por parte dele contra qualquer pessoa no episódio do restaurante no Rio de Janeiro". O artista declarou que "deixou o local indignado em razão do atendimento que recebeu" e as imagens demonstram "de forma inequívoca" que ele "não teve qualquer participação nos eventos em apuração", uma vez que "já havia saído do estabelecimento", encerrra a nota.

Entenda o caso

Ed Motta teria feito as ofensas contra nordestinos durante uma confusão envolvendo ele próprio e amigos no estabelecimento na área nobre do Rio. O episódio terminou com agressões físicas, arremesso de objetos e um cliente ferido na cabeça após ser atingido por uma garrafa de vinho.

A discussão começou após o grupo questionar a cobrança de taxa de rolha, valor pago para consumir vinhos levados pelos próprios clientes. Ed Motta foi acompanhado de amigos e o grupo levou sete garrafas de vinho ao restaurante. Cinco foram consumidos. A conta ultrapassou R$ 7 mil.

De acordo com os responsáveis ​​pelo Grado, o cantor normalmente não paga taxa de rolha quando frequenta o restaurante sozinho, como forma de cortesia, mas sabia que a cobrança é aplicada quando é acompanhada e mesmo assim reagiu de maneiras agressivas.

Os donos do restaurante, Nello Garaventa e Lara Atamian, já tinham afirmado em nota que houve “condutas discriminatórias” durante a confusão.

“As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada”.

Segundo testemunhas e relatos encaminhados à polícia, Ed Motta também jogou uma cadeira no salão antes de deixar o restaurante.

Em conversa com O GLOBO, à época do ocorrido, o cantor reuniu-se que se exaltou, mas negou ter desempenhado a cadeira contra funcionários.

— Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso — disse.

Após a saída de Ed Motta, a confusão contínua envolveu membros do seu grupo e clientes do restaurante.