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Oruam é julgado nesta segunda por tentativa de homicídio no Rio; rapper está foragido desde fevereiro

Rapper é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis. Audiência no Tribunal de Justiça do RJ aconteceria em março, mas foi remarcada.

Agência O Globo - 11/05/2026
Oruam é julgado nesta segunda por tentativa de homicídio no Rio; rapper está foragido desde fevereiro
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O rapper Oruam será submetido a uma audiência de instrução nesta segunda-feira, às 16h, na 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), no processo em que responde por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis. O artista está foragido desde fevereiro. A audiência marcou o início da fase de instrução do processo no Tribunal do Júri, que estava inicialmente agendada para março, mas foi remarcada.

Oruam tornou-se réu após um episódio ocorrido em julho de 2025, quando agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumpriram um mandado de busca e apreensão contra um menor acusado de tráfico, que, segundo as investigações, estaria na residência do artista, no Joá, Zona Sudoeste do Rio.

De acordo com o Ministério Público, Oruam e outros acusados ​​atingiram pedras contra os policiais civis durante a ação, assumindo o risco de provocar a morte dos agentes. Além das duas acusações de tentativa de homicídio qualificado, o cantor também responde por resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.

O caso ganhou novos desdobramentos no fim de abril, quando a Justiça expediu um novo mandado de prisão contra o rapper, desta vez no âmbito de uma investigação por lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao Comando Vermelho.

Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o traficante Marcinho VP, sua esposa Marcia Gama Nepomuceno, o filho Mauro Nepomuceno (Oruam) e outras nove pessoas foram denunciados por participação em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em comunidades cariocas.

A investigação indica que Marcinho VP continuaria exercendo influência hierárquica dentro do Comando Vermelho, mesmo preso há mais de 20 anos, coordenando recursos financeiros e estratégias de expansão da facção.

Conforme a denúncia, Marcia Nepomuceno atuava como gestora financeira do grupo, recebendo regularmente dinheiro em espécie de traficantes indicados como integrantes da facção, entre eles Edgar Alves de Andrade, Wilton Carlos Rabello Quintanilha e Luciano Martiniano. O Ministério Público afirma que ela utilizou estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas para ocultar patrimônio.

A promotoria também sustenta que Oruam foi beneficiário direto do esquema, recebendo dinheiro ilícito e utilizando uma carreira musical para recursos dissimulares provenientes das atividades criminosas da organização. De acordo com a ação penal, o cantor teria recebido valores de traficantes como Doca e Pezão para despesas pessoais, viagens, festas e investimentos.

Na denúncia, o MPRJ divide a estrutura da organização criminosa em quatro núcleos: o de liderança encarcerada, designado a Marcinho VP; o núcleo familiar, composto por Márcia, Oruam e Lucas Nepomuceno; o núcleo de suporte operacional, responsável pela lavagem de dinheiro e dissimulação patrimonial; e o núcleo de liderança operacional, formado por traficantes responsáveis ​​pela entrega de recursos do tráfego e repasses ao núcleo familiar. Entre os nomes citados neste último grupo estão Eduardo Fernandes de Oliveira e Ederson José Gonçalves Leite.