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Distribuidora de bebidas na Lapa é investigada como ponto de tráfico e esconderijo de drogas

Localizada no número 117 da Rua Joaquim Silva, na Lapa, a distribuidora King foi alvo de busca e apreensão em operação realizada em 17 de março

Agência O Globo - 11/05/2026
Distribuidora de bebidas na Lapa é investigada como ponto de tráfico e esconderijo de drogas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Na entrada, a vitrine exibe balas, chicletes e chocolates. No balcão, coberturas para açaí, como caldas e granulados, compõem o cenário. No interior, a oferta inclui diversas bebidas alcoólicas, de cachaça a uísque. Situada no número 117 da Rua Joaquim Silva, na Lapa, a distribuidora King parece ser um estabelecimento comum e movimentado. No entanto, segundo a polícia, o local serve como ponto de encontro de traficantes ligados ao Comando Vermelho e funciona como esconderijo para drogas e dinheiro ilícito.

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O King foi um dos alvos de busca e apreensão da Polícia Civil em 17 de março, em operação conjunta com a Polícia Militar e o Ministério Público. Na ocasião, doze pessoas foram presas, entre um total de 28 alvos com mandado de prisão em aberto. Entre os foragidos estão Margareth Bernardo Paes, conhecida como Margô, mãe de Wesley Paes Saturnino de Souza (WL), gerente-geral da facção na área — também foragido —, e de Wendel Paes Saturnino de Souza, morto em confronto com a polícia em 2019. Conforme o relatório que fundamentou a operação, Margô é responsável pela administração do King.

Como as investigações não determinaram se o imóvel foi resultado de invasão, os policiais afirmaram que ele foi entregue a Margô por Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, membro da cúpula da facção criminosa. A sociedade do estabelecimento seria dividida entre Margô, Wesley e Anderson Venâncio Nobre de Souza, chefe do tráfico local, também alvo da operação, mas que fugiu antes da chegada dos agentes.

De acordo com o inquérito, Margô apoia o tráfico ao receber as chamadas “sangrias” das bocas — dinheiro proveniente da venda de drogas que fica com os vapores após os plantões —, armazenando os valores no bar antes de transferi-los para o Fallet-Fogueteiro, comunidade em Santa Teresa utilizada pelos traficantes da Lapa. O relatório aponta que essa dinâmica busca “licitude simulada” para os recursos oriundos do comércio ilegal.

“Consigne-se que os traficantes ativamente, ainda que sem posse de drogas e somente com dinheiro, já afirmaram em mais de uma oportunidade que seria do bar, como forma de simular a origem lícita”, detalha o documento policial.

Em conversa interceptada pela polícia em 17 de setembro de 2024, Margô e Pedro Martins Ramos, o Magrinho, gerente do trânsito na região, discutem uma quantia de R$ 11,5 mil guardada no King.

"Quando eu acabei aqui, eu te aviso. Ele deixou oito mil e deixou três e quinhentos. Tá até tudo arrumadinho, eu consegui trocar bastante nota inteira, né? Mas ainda ficou mais uns trocadinhos de vinte, alguma coisinha lá trocada. Mas tá bem diluído em nota inteira. Pra adiantar vocês também. Não fique com muito volume pra lá e pra cá!", relata Margô a Magrinho. Em seguida, ela invejou foto do dinheiro embalado em sacolas plásticas.

A polícia também aponta que Margô é responsável por organizar festas de rua na Lapa, semelhantes aos bailes funk. Em 6 de maio de 2025, um DJ contratado para os eventos prestou depoimento na 5ª DP (Mem de Sá) e afirmou que todos os pagamentos pelas apresentações na Rua Joaquim Silva foram realizados por ela, comprovados por transferências via Pix.