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Conheça seis segredos e curiosidades sobre o Palácio Tiradentes, que completou 100 anos
Construção lembra o prédio do Grand Palais, de Paris, e foi palco da promulgação de duas Constituições do país
O Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e espaço voltado para a memória do Parlamento brasileiro, completou cem anos. A construção lembra o prédio do Grand Palais, de Paris, e é a encarnação atual de um espaço que se confunde com a própria história do país. A região é cenário de fatos importantes durante quase 400 anos, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal. O prédio em estilo eclético tem três mil metros quadrados, 45 metros de altura e se destaca na paisagem do Rio Antigo não só como um marco inovador.
Música e meio ambiente:
Tiradentes:
Foi naquela área em que Tiradentes viveu seus últimos dias antes de ser forçado, que foi criado o primeiro Parlamento brasileiro (1826), foram promulgadas duas Constituições (1934 e 1946) e trabalhou na Câmara de Deputados até a mudança de capital para Brasília (1964). No lugar, houve ainda protestos contra a ditadura militar, com destaque para a Marcha dos 100 mil (1968). Ali, também, exerceu a carga de deputada por São Paulo Carlota Pereira de Queiroz (1892-1982), primeira mulher a ser eleita em 1933 para o Parlamento brasileiro. Atualmente, os megablocos de carnaval desfilam à sua frente.
Confira seis segredos e curiosidades sobre o Palácio Tiradentes
1 - A estátua de Tiradentes
A história do espaço como local de debates remete ao século XVII. Ali, em 1636, foi inaugurada a Cadeia Velha, onde funcionou também o Senado da Câmara, o equivalente a uma Câmara dos Vereadores nos dias de hoje. Foi na Cadeia Velha que o inconfiante mineiro Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) ficou preso por três dias antes de ser forçado, em 1792. O local tinha até um oratório. Um deles, todo revestido de preto, era tratado como um espaço de orações para os condenados à morte, que recebiam conforto espiritual.
Doce balanço a caminho do mundo:
Hoje, uma referência a Tiradentes aparece em uma estátua de 4,5 metros de altura, fabricada com bronze derretido de canhões apreendidos na Guerra do Paraguai (1864-1870). A figura barbuda e cabeluda, confundida por muita gente com Jesus Cristo — a ponto de as pessoas se benzerem em frente ao monumento —, está longe de representar o personagem original. Isso porque a barba era incompatível com a carreira militar. Além disso, os condenados à morte costumavam ter cabelos aparados e barba raspada para permitir uma melhor passagem da corda pelo pescoço.
2 - Elevadores originais e cinzeiros
Os elevadores do Palácio Tiradentes, que ainda não eram automáticos, são os mesmos há 100 anos. O mesmo vale para as mesas e cadeiras instaladas no plenário, que só recebe sessões especiais, desde 2021, quando os trabalhos foram transferidos para o Edifício Lúcio Costa (Banerjão).
Se hoje fumar em recintos fechados é condenável em qualquer lugar, as mesas dos parlamentares tinham cinzeiros embutidos.
3 - Ações
A cúpula do palácio pode ser admirada do plenário. Basta o visitante esticar o pescoço. Ela é fornecida por um vitral de 350 toneladas, que simboliza a posição das estrelas em 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República.
Trinta anos após sair de linha,
4 - As esculturas da fachada do palácio
O historiador e funcionário da Alerj Douglas Libório destaca que muitas esculturas da fachada do Palácio Tiradentes se assemelham às alegorias exibidas em desfiles das antigas sociedades carnavalescas dos primeiros anos do século passado. Essas agremiações são anteriores às atuais escolas de samba.
— Muitos dos escultores que trabalharam no Palácio também foram carnavalescos. Há uma troca de influências entre a arquitetura do prédio e os desfiles das antigas sociedades carnavalescas — afirma.
5 - Um toque de cada lugar
O palácio foi projetado pelo arquiteto Archimedes Memória, em parceria com Francisco Couchet.
— Os governadores dos estados foram convocados para fazer materiais, móveis e elementos decorativos. O arquiteto fazia os desenhos e os enviava para cada estado, que produzia as peças e as devolvia prontas. O plenário, por exemplo, foi executado pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Já outros espaços recebidos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e do antigo Estado do Rio — detalhes Libório.
Segundo o historiador, o palácio reúne diferentes partes do país em sua composição:
— Cada ambiente carrega um pedaço do Brasil. O revestimento de mármore das galerias veio do antigo Estado do Rio; os tecidos do Salão Nobre vieram da Bahia; e salas administrativas foram realizadas por instituições de outros estados — detalhes.
6 - Cenário de filmes e séries
Muito além das sessões parlamentares, o Palácio Tiradentes se consolidou como um dos sets de filmagem mais versáteis do Rio. Sua arquitetura imponente serviu de pano de fundo para reconstruir os bastidores do poder em "Getúlio" (2014), estrelado por Tony Ramos, e para o drama histórico "Olga" (2004), que narra a trajetória de Olga Benário e Luís Carlos Prestes.
O edifício também é peça-chave em produções que exploram a segurança pública e a corrupção. Foi no Tiradentes que o coronel Nascimento, de Wagner Moura, confrontou o sistema em “Tropa de Elite 2” (2010). Mais recentemente, o prédio voltou às telas na série do Globoplay “Arcanjo Renegado” (2020), reforçando sua imagem como o coração simbólico das tramas políticas e policiais da capital.
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