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PMs que mataram empresário em abordagem na Pavuna são presos

Corregedoria da corporação afirma que a análise das imagens das câmeras corporais dos agentes revelou 'indícios de homicídio doloso', quando há intenção de matar. As armas foram apreendidas.

Agência O Globo - 22/04/2026
PMs que mataram empresário em abordagem na Pavuna são presos
Daniel Patrício de Oliveira - Foto: Reprodução

Prisão determinada após análise de imagens: A Corregedoria da Polícia Militar determinou a prisão dos dois policiais militares envolvidos na morte do empresário Daniel Patrício de Oliveira, de 29 anos, durante uma abordagem na Pavuna, Zona Norte do Rio, na madrugada desta quarta-feira. Segundo o RJ2, a análise das imagens das câmeras corporais dos agentes revelou indícios de homicídio doloso, quando há intenção de matar. Os nomes dos policiais não foram divulgados, e as armas utilizadas na ação foram apreendidas.

Investigação em andamento: A Delegacia de Homicídios realizou perícia no local ainda durante a madrugada. A Polícia Civil ouviu os amigos de Daniel que estavam no carro com ele, além dos policiais que efetuaram os disparos. O Ministério Público informou que acompanha as investigações e que peritos que participaram dos exames no Instituto Médico Legal (IML) elaboraram um relatório independente.

Abordagem resultou em 24 disparos: Daniel retornava de um pagode com dois amigos e um vizinho quando, ao passar pela Rua Doutor José Thomas, próximo ao acesso ao Conjunto Tom Jobim, região do Complexo da Pedreira, já perto de casa, a picape que dirigia foi atingida por tiros de policiais do 41º BPM (Irajá), que faziam patrulhamento na área. Segundo relatos da família, foram pelo menos 24 tiros de fuzil.

Versão da família e dos policiais: Elaine de Oliveira, mãe de Daniel, contou ao RJ2: “Eu vi todos os policiais parados vendo o absurdo que tinham feito. Disseram para mim que ele vinha rápido, deram ordem de parar e ele não parou. Ele devia estar correndo porque tinha muito medo de assalto”.

Despedida e indignação: Durante a tarde, familiares estiveram no Instituto Médico Legal para liberar o corpo de Daniel. Tais Oliveira, irmã do empresário, desabafou: “Ele não queria mais morar aqui, queria viver os sonhos dele. Já estavam indo embora, ele trouxe o carro para levar a mudança. A gente mora aqui há mais de 22 anos. Não era situação de defesa, não teve tiro de revide, não teve injusta agressão. Eles mataram o meu irmão. Destruíram a minha família. O que eu vou falar para o meu filho, para a filha dele, para a nossa avó?”

Registro de ocorrência e dinâmica dos disparos: De acordo com o registro de ocorrência, o motorista não obedeceu à ordem de parada e teria acelerado em direção aos policiais, “configurando iminente risco à integridade física da equipe”. Ainda segundo o documento, dois agentes efetuaram disparos de fuzil calibre 7,62: um realizou 13 tiros e o outro, 11, totalizando ao menos 24 disparos.

Um dos tiros atravessou o para-brisa e atingiu Daniel no rosto, causando sua morte no local. No veículo também estavam Michel Matheus Correia Ramos da Silva, Wesley Silva de Oliveira e Herick Souza dos Santos.

Casos recorrentes de abordagens letais: Não é a primeira vez neste ano que policiais militares do Rio são investigados por mortes em abordagens. No mês passado, uma mulher de 61 anos foi atingida por mais de dez disparos durante uma perseguição a suspeitos em Cascadura, Zona Norte. Os três PMs envolvidos naquela ação foram afastados. No caso, as câmeras corporais estavam descarregadas.