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Lança-mísseis, metralhadoras giratórias e poder nuclear: conheça porta-aviões dos EUA que já foi estrela de cinema e chega ao Rio para missão
Com quase 50 anos de serviço, o USS Nimitz lidera operação naval com dez países na América do Sul e deve atracar na capital fluminense
Os porta-aviões nucleares USS Nimitz, um dos maiores navios de guerra do mundo e o mais antigo ainda em atividade na Marinha dos Estados Unidos, . Com dimensões impressionantes, capacidade bélica e uma tripulação que ultrapassa 6 mil pessoas, a embarcação também carrega uma curiosidade: já serviu de inspiração (e nome) para produções de Hollywood.
Entenda:
Dia de Tiradentes:
Conheça o USS Nimitz
Construído no estaleiro Newport News Shipbuilding, no estado americano da Virgínia, o Nimitz é o primeiro de sua classe — uma linha de superporta-aviões projetada para ampliar o alcance e a capacidade operacional da Marinha americana durante a Guerra Fria. Com deslocamento de cerca de 100 mil toneladas e mais de 330 metros de comprimento, o navio está equipado com dois reatores nucleares, que permitem operar por mais de duas décadas sem necessidade de reabastecimento.
A embarcação pode atingir velocidades superiores a 30 nós, ou equivalente a mais de 56 km/h, e transportar até 90 aeronaves, entre caças, helicópteros e aviões de apoio. A bordo, operam cerca de 3.500 tripulantes responsáveis pelo funcionamento do navio e outros 2.400 membros da ala aérea.
Além do poder aéreo, o Nimitz conta com sistemas de defesa sofisticados, incluindo lançadores de mísseis antiaéreos, embarcações do tipo "Gatling", com múltiplos tambores giratórios, sistemas de interceptação de curto alcance e radares de última geração. Esses equipamentos permitem ao navio atuar em uma ampla gama de missões, como bloqueios marítimos, ataques com mísseis e apoio a operações em terra, mar e ar.
Rei faz Pop:
O projeto da classe Nimitz trouxe avanços inovadores em relação aos modelos anteriores. Entre eles, maior capacidade de armazenamento de combustível e armamentos — cerca de 90% e 50% a mais, respectivamente, em comparação com navios da classe Forrestal — além de melhorias estruturais para aumentar a resistência a danos em combate.
Os hangares internos, por exemplo, são divididos por portas de aço projetadas para conter incêndios, uma lição aprendida após ataques durante a Segunda Guerra Mundial.
Outro diferencial é o convés de voo inclinado, que permite o lançamento e a recuperação simultânea de aeronaves, aumentando a eficiência das operações. O sistema utiliza catapultas a vapor para descolagem e cabos de retenção para pouso, possibilitando maior diversidade de aeronaves embarcadas.
O USS Nimitz também foi projetado para operar em cenários estratégicos complexos, inicialmente com foco na Guerra Fria. Com o tempo, recebemos atualizações que ampliaram suas capacidades, incluindo guerra antissubmarino e sistemas avançados de guerra eletrônica. Apesar disso, especialistas apontam que os navios da classe apresentam um nível de desequilíbrio lateral em determinadas condições de carga, corrigidos com ajustes de lastro.
Desde sua entrada na operação, em 1975, o Nimitz passou por diversas mudanças de base, incluindo Norfolk, San Diego e instalações no estado de Washington. Após um extenso processo de reabastecimento nuclear e modernização concluído em 2001, o navio segue em plena atividade e deve permanecer em operação por mais de meio século.
Dos mares para as telonas
Por conta de sua popularidade e inovação tecnológica no tempo de seu lançamento, o embarque militar chegou até mesmo a protagonizar uma produção de Hollywood. O filme "The Final Countdown", distribuído no Brasil como "O Nimitz, de Volta ao Inferno", de 1980, não é apenas ambientado no porta-aviões de verdade, mas também centrado em volta da fama do aparelho de guerra.
A bordo do Nimitz das telonas, esteve um elenco de estrelas como Katherine Moss e Martin Sheen, além de Kirk Douglas, uma das últimas estrelas da Era de Ouro do cinema americano, que interpreta o protagonista: o capitão Matthew Yelland.
Na trama, os porta-aviões são iniciados por um vórtice temporal no meio do oceano, o que o faz viajar no tempo e indo parar em 1941, um dia antes dos ataques japoneses contra a base americana de Pearl Harbor, no Japão, que culminou na entrada definitiva dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
Vinda ao Rio
A presença dos porta-aviões em águas brasileiras integra o Southern Seas 2026, maior exercício naval dos Estados Unidos na região desde 2007. A operação contará com a participação de forças de dez países, incluindo Argentina, Chile, Colômbia e Peru, além do caçador USS Gridley (DDG 101), que acompanhará o Nimitz durante a missão.
Além das manobras militares, os exercícios prevêem intercâmbios técnicos entre especialistas e a presença de autoridades convidadas a bordo, que poderão acompanhar de perto o funcionamento de uma das mais complexas máquinas de guerra já construídas.
Em comunicado enviado ao GLOBO, o contra-almirante Carlos Sardiello, comandante das Forças Navais do Comando Sul dos EUA e da 4ª Frota, afirmou que a missão é "um exemplo claro de dedicação dos EUA ao fortalecimento de parcerias marítimas, à construção de confiança e ao trabalho conjunto para enfrentar desafios comuns".
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