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Do Vidigal à Rocinha: quanto custa e como funcionam os passeios em favelas do Rio
Turistas ficaram “ilhados” durante tiroteio no Vidigal, e caso reacende discussão sobre segurança em passeios em favelas
O episódio em que um grupo de cerca de 200 turistas ficou “ilhado” no Morro Dois Irmãos, no Vidigal, durante um tiroteio na manhã de segunda-feira, expôs uma das atividades com uma procura cada vez maior por parte dos visitantes no Rio: os passeios em favelas. Entre trilhas, caminhadas guiadas e mototáxis em localidades como a Rocinha, além do próprio Vidigal, os roteiros atraem um público em busca de vistas e experiências únicas da cidade.
Trinta anos após sair de linha, o Fusca é cada vez mais icônico:
Doce balanço a caminho do mundo:
Dois Irmãos, uma das trilhas mais procuradas do Rio
Depois da manhã de tensão no Vidigal, muita gente pode se perguntar: afinal, como funciona a trilha do Morro Dois Irmãos? Quanto custa? E é preciso contratar guia? Seja para quem acabou de chegar ao Rio ou para o próprio carioca que ainda não fez o percurso, o passeio combina natureza, vista privilegiada e imersão na comunidade e pode ser feito de diferentes formas.
'Turistas nervosos' e 'momento de pânico':
Uma das portas de entrada para esse tipo de experiência é o turismo de base comunitária, com guias locais que conhecem não só o caminho, mas a dinâmica do território. É o caso da Na Favela Turismo, que atua no Vidigal e na Rocinha conectando visitantes a guias da própria comunidade.
Segundo a supervisora da agência, Joana Caroline, de 32 anos, o formato mais comum é a subida a pé com acompanhamento profissional.
— A trilha com guia custa, em média, R$ 200 por pessoa. Já para quem quer conhecer a comunidade a pé, sem fazer a trilha, o valor fica em torno de R$ 160 — explicou. — Acima de 10 pessoas, sempre vai mais de um guia por conta da quantidade de pessoas, já que precisamos nos preocupar com todos, ninguém se perde. E, dependendo do grupo, pode ter pacote com valor diferenciado.
Alvorada pro Santo Guerreiro:
Outra opção, bastante procurada por quem quer otimizar tempo ou ter uma experiência diferente, é o chamado mototour.
— Também dá para subir com motociclista local, que conhece bem a comunidade. Esse passeio custa cerca de R$ 115 — diz a supervisora.
Além da condução, a tecnologia tem sido usada como aliada na segurança. No caso da plataforma, os turistas são cadastrados antes do passeio, permitindo monitoramento em tempo real, pontuou Joana.
Como é o passeio?
A experiência normalmente começa ainda de madrugada. Turistas se encontram na base do Vidigal, na Avenida Niemeyer, e seguem de mototáxi ou van até o início da trilha. De lá, são cerca de 1,5 km de caminhada, com duração entre 40 minutos e uma hora. O nível é considerado moderado, mas acessível para quem tem preparo físico básico.
O horário mais procurado é o do nascer do sol, quando o esforço da subida é recompensado com uma das vistas mais icônicas do Rio, que abrange Leblon, Ipanema, Lagoa, Corcovado e Pedra da Gávea.
Como contratar?
Os passeios podem ser agendados pela internet, principalmente via redes sociais como o Instagram, ou diretamente no Vidigal. A agência mantém uma cabine na praça principal da comunidade, ponto de referência para quem chega sem agendamento prévio.
Para Joana, a presença de guias locais faz diferença não só na experiência, mas também na condução em situações inesperadas, como a vivida nesta segunda-feira.
— O guia local conhece o território e sabe como agir. Isso faz toda a diferença — afirma.
Rocinha, a exportadora de vídeo viral na laje
No fim de dezembro, por cerca de sete horas, a estrela internacional Rosalía se esbaldou na Rocinha, na Zona Sul do Rio. Como a espanhola estava sendo reconhecida e ficou inviável circular com ela pela favela, o guia Filipe Diniz, de 21 anos, que acompanhava o grupo da cantora e compositora, decidiu adaptar o roteiro, incluindo no passeio a laje de sua família, na Estrada da Gávea, de frente para a localidade da Cachopa. A fama do espaço veio a reboque.
Maior favela do Brasil, segundo o último Censo do IBGE, aRocinha entrou na rota do turismo, turbinado por novidades. Entre elas, o E tem até uma cerveja artesanal própria, a Sobe Aê!, uma pilsen produzida em Nova Friburgo e vendida desde dezembro na comunidade e no vizinho Morro do Vidigal.
O Na Favela Turismo cadastrou, em janeiro último, 40 mil visitantes, cinco vezes mais do que os 7.500 inscritos no mesmo mês de 2025, quando o aplicativo foi lançado. Idealizador do app, Renan Monteiro contou ao GLOBO em fevereiro que os visitantes são acompanhados on-line durante passeios a pé, de moto ou por trilhas. Pelo caminho, há pontos de apoio, para ir ao banheiro, abrigar-se de um temporal ou até, eventualmente, se proteger de um tiroteio inesperado.
— Desde o lançamento do aplicativo, passamos a cuidar muito da questão da segurança. Os roteiros são validados junto à associação de moradores e à comunidade local. Procuramos preservar a comunidade, mesmo fazendo um turismo imersivo, para que todos os visitantes conheçam a favela por inteiro e não superficialmente — explicou Renan, à época. — Temos três mil guias cadastrados no app. Destes, há 280 guias locais fazendo passeios a pé, e 482, de moto.
O Observatório do Turismo Carioca — sistema que utiliza geolocalização via operadoras de celular —, da prefeitura, confirma o crescimento do movimento de visitantes na Rocinha. Em janeiro deste ano, o Observatório contabilizou 41.852 turistas na favela, 37% a mais do que o mesmo mês de 2025. Se comparado com janeiro de 2024, o aumento é de 97%.
A comunidade está em 16º lugar entre os lugares mais visitados no Rio. O fluxo de turistas nacionais e internacionais cresceu 34%, de 2024 para 2025, alcançando 292 mil, no ano passado. Porém, o maior aumento foi o de estrangeiros, de 93%, chegando a quase 88 mil visitantes internacionais em 2025.
Tours são oferecidos por sites, como Viator e GetYourGuide, e por páginas de agências e guias na internet. Os preços vão de R$ 107 a R$ 450, dependendo do número de horas e se o passeio é em grupo ou privativo. Também há possibilidade de conjugar com atividades fora da favela. Os valores incluem taxas como a de visita a uma laje e a do aplicativo. A filmagem de drone é à parte e custa até R$ 130.
O Jeep Tour, pioneiro no turismo na Rocinha — começou em 1992 — permanece fazendo passeios. O representante Tomás Monnerat explica que a empresa busca turistas nos hotéis, levados até o restaurante Novo Visual, de onde o grupo segue a pé. O tour de três horas custa R$ 220.
De acordo com o observatório da prefeitura, em 2025, entre os estrangeiros, argentinos (20,5%) lideraram as visitas, seguidos de americanos (12,3%), franceses (11,4%) e chilenos (8,7%). No turismo nacional no ano passado, São Paulo respondeu por 32,1% do total, seguido por Minas (14,4%) e Ceará (9,8%) e Bahia (4,6%).
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