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Relatos indicam que professor preso por estupro de vulnerável filmou alunas de 8 anos e sugeriu 'brincadeiras' para cometer abusos

Segundo responsáveis, o suspeito pediu para crianças fazerem posições de ioga como "ponte" para tocá-las; crime ocorreu em escola particular na Zona Norte do Rio

Agência O Globo - 19/04/2026
Relatos indicam que professor preso por estupro de vulnerável filmou alunas de 8 anos e sugeriu 'brincadeiras' para cometer abusos
- Foto: Depositphotos

Mais uma mãe compareceu à delegacia neste sábado para denunciar o professor Guilherme Henrique Terra Abrantes, preso em flagrante na última sexta-feira. Ele é acusado de estupro de vulnerável contra pelo menos quatro alunas de oito anos de um colégio particular em Barros Filho, Zona Norte do Rio.

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Em entrevista ao GLOBO, responsáveis pelas vítimas — que terão as identidades preservadas — detalharam a dinâmica dos abusos, que ocorriam sob o pretexto de atividades lúdicas. Segundo os relatos, o professor separou a turma entre meninos e meninas e pediu que as alunas realizassem exercícios como "colocar os pés atrás da cabeça" ou fazer a posição de "ponte".

O caso veio à tona quando as crianças verbalizaram o desconforto em casa. Segundo a mãe de uma das alunas, a filha relatou ter sido apalpada logo no início da aula:

— A princípio, minha filha disse que tinha sido tudo normal na escola. Mas quando insisti, ela contou: “na hora de brincar, fui abraçar o tio e ele apertou a minha bunda um pouco forte” — compartilha.

Em uma reunião convocada pela coordenação neste sábado, a criança deu mais detalhes sobre o comportamento de Guilherme durante a aula.

— Disse que o professor pediu para fazerem uma 'ponte' e pegou o telefone para filmá-las na posição em que estavam, enquanto a calcinha de uma das amiguinhas aparecia — relata. — Minha filha é pura, ela não entende a gravidade, mas eu, como mãe, sinto um desespero e uma angústia imensa — completa.

O depoimento de outra aluna ajuda a elucidar o que ocorreu em seguida. Renata Santos, tia de uma das vítimas, narra o momento em que a sobrinha revelou o abuso físico direto:

— Ela pediu pra conversar só comigo quando cheguei em casa. Quando sentamos, começou a tremer, a chorar, e disse que o professor colocou a mão dentro do short dela, afastou a calcinha e encostou em suas partes íntimas. Assim que ela me contou, liguei para a escola e fui direto para a delegacia — conta.

Ao entrar em contato com outras responsáveis, Renata descobriu que o padrão se repetia.

— Duas colegas relataram exatamente a mesma coisa. Diferente do que alguns possam pensar, não tinha como elas fazerem um complô contra o professor, ele era querido por elas. E os relatos são idênticos, muito claros — afirma.

Para a mãe de outra vítima, o sentimento é de revolta pela quebra de confiança dentro do ambiente escolar.

— É uma indignação total. Um profissional dentro da sala de aula inventa uma brincadeira de colocar o pé atrás da cabeça para fazer isso. As meninas estão abaladas, mas tiveram uma clareza imensa ao contar. São crianças orientadas, criadas em 2026, que hoje sabem verbalizar o que é um toque inapropriado — lamenta.

O crime foi denunciado na 39ª DP (Pavuna). Após diligências, agentes da Polícia Civil capturaram o professor em sua residência, em Campo Grande, na Zona Oeste. Ele foi preso em flagrante.

Ações institucionais e suporte às famílias

Segundo uma das mães, a escola realizou uma reunião com as responsáveis na manhã deste sábado. Na ocasião, a instituição teria informado que o professor foi demitido por justa causa e que o colégio prestará suporte psicológico às alunas. Também foi relatado que a coordenação da unidade acompanhou os responsáveis à delegacia para prestar apoio.

— A coordenadora e diretora sempre foram pessoas de confiança de todo mundo aqui, elas prestaram muito apoio, então não as culpo de nada… Mas fica o receio de que isso pode acontecer em qualquer lugar. Eu sou mãe solteira, por isso tento criar minha filha num casulo, mas nem isso foi o suficiente — desabafa uma das mães.

Procurado, o estabelecimento de ensino particular não respondeu aos contatos da reportagem até a última atualização deste texto.

Foto: https://depositphotos.com/