RJ em Foco
Centro do Rio tem ‘síndico’ para chamar de seu: associação cobra soluções da prefeitura em 131 vias
Grupo é formado por comerciantes, proprietários de imóveis e gestores de empresas da região, e agora testa modelo inspirado no Canadá para solucionar problemas de infraestrutura e reocupar a região
Com chamados em quase todas as categorias do 1746, a ouvidoria do município, o Centro do Rio tem um “síndico” para chamar de seu. A Aliança Cidade, associação sem fins lucrativos fundada em setembro de 2021, tem uma equipe na rua semanalmente para fiscalizar e cobrar da prefeitura os devidos reparos para os problemas cotidianos do bairro. A entidade reúne comerciantes, proprietários e gestores com um objetivo em comum: ajudar a revitalizar a região.
'Selva urbana de crime e corrupção',
Incêndio
Até agora, foram registrados mais de cinco mil chamados no portal da prefeitura. O número um de reclamações são os buracos em calçadas de pedras portuguesas, seguidos da falta de grelha ou tampão de bueiros e de desníveis e falhas na pista.
A história começou no pós-pandemia, quando empresários do bairro, preocupados com a desocupação angustiante em tempos de trabalho remoto, convidaram Marcelo Haddad, atual CEO da Aliança Cidade, e Francisco Grelo, diretor de Operações e Inteligência da entidade, para fundar uma associação que resolvesse as questões que afetavam o comércio na região. Eles já eram referências para os empresários por serem antigos gestores do Rio Negócios, uma agência de atração de investimentos do Brasil, fundada em 2010, em uma parceria público-privada.
Agentes da Força Municipal fazem parto no Centro do Rio;
Equipe na rua
O trabalho funciona basicamente com uma equipe de fiscalização nas ruas do bairro: duas agentes percorrem semanalmente 48 quilômetros na região e reportam os problemas à prefeitura e aos órgãos competentes, por meio do portal 1746 e de relatórios enviados à Subprefeitura do Centro.
— O objetivo era resolver os problemas do cotidiano da região, que andava muito abandonada. Inicialmente a gente lotou a caixa do 1746. Fizemos uma reunião com eles, que entenderam o projeto. Depois passamos a nos reunir com os secretários de cada pasta, até que o Eduardo Paes (então prefeito, que deixou o cargo em 20 de março para concorrer ao governo do estado) sugeriu concentrar nossas demandas na subprefeitura, que as encaminha internamente. Tem dado certo — afirma Francisco Grelo.
Cão Hulk,
O perímetro do projeto inclui 131 ruas, do Caju à Lapa, com cerca de 300 prédios de 47 empresas e mais de cinco mil unidades residenciais. Na interlocução com os membros da associação, Francisco Grelo conta que recebe diariamente chamados emergenciais. Por esse motivo, ficou conhecido como o “síndico” do Centro.
— Não sei se isso é bom ou ruim — brinca ele. — No WhatsApp, recebo todos os dias mensagens dos associados (síndicos, administradores, gestores e proprietários de prédios do entorno). Eu faço a curadoria, encaminho para a subprefeitura ou para as meninas, que atuam em campo, e elas registram essas ocorrências via 1746. É trabalho o tempo todo — relata o diretor da associação.
Inspiração canadense
Todas as ocorrências são colocadas em uma base de dados própria, e a cada 15 dias são enviados relatórios para a Subprefeitura do Centro, com as demandas ainda em andamento. Esta, por sua vez, distribui e cobra das secretarias a devida solução.
— A gente consegue quantificar, qualificar, fazer métricas, avaliar o que está melhorando, piorando. Além do registro, a gente também acompanha e verifica se a ocorrência foi solucionada. Se for necessário, a gente faz novas observações até que a questão seja resolvida — afirma Gisele Rodrigues, uma das agentes de campo.
Previsão:
Um dos projetos da Aliança Cidade, a criação de Áreas de Revitalização Econômica (ARE), é apresentado como pioneiro no Brasil e inspirado em uma iniciativa canadense para recuperar centros urbanos por meio de parcerias público-privadas. Uma ARE provê serviços complementares de forma voluntária, como aumento de vigilância com seguranças contratados, sistema de monitoramento com câmeras, reforço da limpeza urbana em paralelo ao trabalho da Comlurb, retirada de pichações e, na etapa final, renovação do paisagismo e do mobiliário urbano.
— É como se fosse uma reunião de condomínio. Os empresários, gestores e investidores se reúnem e manifestam interesse em levar melhorias a uma determinada região. Em outros países, como Canadá e Estados Unidos, as prefeituras cobram uma taxa adicional. No Brasil não é permitido, é voluntário. O serviço público faz urbanização, iluminação, canteiros e outros serviços, e os adicionais são feitos coletivamente com os interessados — explica Francisco Grelo.
Foco em três áreas
A Aliança Cidade já tem projetos para três AREs: na Rua São José, na Candelária e na Avenida Presidente Vargas. O Boulevard São José é o mais adiantado e já apresenta resultado: desde o início do projeto, houve um aumento de 31% do fluxo de pessoas, o que foi captado pelas câmeras de contagem instaladas no entorno.
— São 12 mil por dia útil. Sabemos quantas pessoas passam por ali, sexo, faixa etária, os horários de pico. Isso traz um ganho absurdo para a região. A Casa Urich (restaurante tradicional alemão) e o quiosque da Brahma, dois associados do projeto, tiveram aumento grande de movimento de pessoas até mais tarde — reitera o diretor da associação.
Nova administração do estado:
No início de abril, o projeto das AREs foi um dos contemplados no III Ciclo do Sandbox.Rio, um programa da Secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico, para testar serviços e tecnologias inovadoras que não se enquadram nas leis atuais.
Funciona assim: o município flexibiliza uma licença temporária, que pode ser revogada a qualquer momento, sem pagamento de outorga, para as empresas testarem a inovação em parceria com o poder público. Em contrapartida, essas empresas precisam compartilhar os dados gerados nos testes para que a gestão pública possa usá-los como base na elaboração de legislação que regulamente essa inovação.
Os projetos são selecionados com base em diversos critérios, que incluem a maturidade da ideia e a capacidade de implementação da empresa.
Câmeras e limpeza
Segundo a secretaria, as AREs representam um desafio regulatório e uma estratégia interessante de desenvolver um projeto de revitalização da região central e promover o desenvolvimento econômico local.
Na ARE, as propostas de implementação são analisadas em conjunto e feitas por etapas. O processo inclui a instalação de câmeras de segurança de vigilância que operam 24 horas e de contagem de pessoas, a contratação de vigias de monitoramento (que atuam de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h), a limpeza adicional na região, a colocação de mobiliário urbano e paisagismo (dependendo do Termo de Adoção e do alinhamento com a prefeitura), além de marketing e promoção do local.
Irregularidades urbanísticas:
A ARE da São José está em etapa final de implementação, faltando apenas a colocação do mobiliário urbano e o desenvolvimento do projeto de paisagismo. Já nas outras duas, da Presidente Vargas e da Candelária, foram feitas as instalações das câmeras de segurança.
Com a aprovação no SandBox.Rio, as propostas de implementação serão analisadas em conjunto com a prefeitura.
Mais lidas
-
1LIBERTADORES 2024
Palmeiras enfrenta gramado ruim e empata com Junior Barranquilla na estreia
-
2PREVISÃO DO TEMPO
Vórtice ciclônico em altos níveis provoca fortes chuvas em SP e outros Estados
-
3DESFALQUES NO RUBRO-NEGRO
Flamengo confirma lesão de Cebolinha na costela e perde Pulgar por problema muscular
-
4COPA SUL-AMERICANA
Com reservas, Red Bull Bragantino é derrotado pelo Carabobo na estreia
-
5ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana