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Adega Pérola, Pavão Azul, Sat's, Jobi e Belmonte; conheça estes e outros bares ícones da boemia carioca e patrimônios do Rio

Riotur lança mais uma temporada da série que destaca e valoriza sete novos estabelecimentos emblemáticos para a boemia carioca

Agência O Globo - 16/04/2026
Adega Pérola, Pavão Azul, Sat's, Jobi e Belmonte; conheça estes e outros bares ícones da boemia carioca e patrimônios do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma série produzida pela Riotur e disponibilizada na internet promove um verdadeiro passeio pela tradição e memória afetiva da gastronomia forjada nas mesas e balcões de bares e botequins icônicos da boemia carioca e que são oficialmente reconhecidos como patrimônios do Rio. Entre petiscos e cervejas é possível mergulhar, por exemplo, na história da Adega Pérola, em Copacabana, na Zona Sul, que abre a segunda temporada, além de outros seis bares.

Doação milionária:

Dança das cadeiras:

No episódio, Heitor Linhares, um dos sócios junto com Marcelo Paulos e Ricardo Martins conta como o trio de amigos, que eram frequentadores, resolveu assumir a direção da casa em 2010. Na ocasião, o estabelecimento, criado em 1957 por dois portugueses da Ilha da Madeira enfrentava uma crise, com risco de chegar às portas.

— Nós, eu, o Marcelo e o Ricardo, que éramos clientes da casa, resolvemos que deveríamos entrar nessa empreitada, porque não queríamos que a casa se acabasse. Em função disso, a gente comprou, não nos arrependemos hora nenhuma, ganhamos muito, não foi fácil, foi brabo — disse Heitor.

Narco Fluxo:

No passado, o bar reunia, além da clientela habitual, um grande número de artistas e sambistas, em especial, devido à sua atmosfera com o Teatro Opinião, que entre o começo dos anos 1970 e 1980 promoveu a histórica "Noitada de Samba", que levou para seus palcos nomes como Clementina de Jesus, Cartola, Clara Nunes, João Nogueira, Martinho da Vila e outros. Heitor era frequentador da casa desde essa época e mudou coisa quando assumiu o estabelecimento.

— O balcão, originalmente, até 1986, era do lado esquerdo e agora ele está do lado direito — conta, acrescentando que as mesas compartilhadas, motivo de consentimento de alguns clientes, são o diferencial do local — Porque sentou um casal e aí chegou outro casal, um enviado do lado do outro e quando vê já estão conversando. Essa é a grande informalidade do Rio de Janeiro.

Devassa nos gastos:

Com a pandemia, a necessidade de distanciamento, fez a prefeitura autorizar a colocação de mesas na calçada, promovendo uma expansão do bar. Na gastronomia, o carro chefe continua sendo os frutos do mar. A casa não trabalha com chopeira elétrica, mas sem sistema de gelo, que a bebida chega mais gelada e com mais cremosidade ao copo do cliente. Em 2013, a Adega Pérola foi reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural Carioca.

Além da Adega Pérola, outros seis bares e botequins estão nessa segunda temporada de "Patrimônios do Rio. São eles: Pavão Azul, Adega da Velha, Galeto Sat's, Armazém São Thiago, Jobi e Belmonte. Os novos estabelecimentos fazem companhia ao Armazém Senado, Bar Velho Adonis, Bode Cheiroso, Bar da Portuguesa, Bar do Momo, Bar Urca e Cachambeer, que fizeram parte da primeira temporada, disponibilizada no ano passado.

Mais uma:

O objetivo, segundo a Riotur, é valorizar e dar visibilidade aos estabelecimentos reconhecidos como Patrimônio Cultural Carioca, reforçando sua importância na construção da identidade da cidade.

— O turismo também se construiu a partir das experiências peculiares da cidade. Ao estruturar esse conteúdo, divulgar e qualificar a oferta cultural e gastronômica do Rio e transformar esses ativos em narrativa, conectando esses lugares a uma estratégia de promoção mais consistente. Isso amplia o olhar sobre a cidade e reforça o valor da cultura no cotidiano carioca — justifica o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.

Todos os estabelecimentos retratados na série foram reconhecidos oficialmente pela Prefeitura do Rio e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), com base em critérios de relevância cultural, histórica, arquitetônica e social. Desde 2010, o município é pioneiro no reconhecimento de bares e botequins como patrimônio imaterial, na categoria de atividade econômica tradicional e notável.

Origem paraguaia:

Os mesmos bares integram o Circuito dos Botequins, dentro do programa Circuitos do Patrimônio Cultural Carioca, que desde a década de 1990 instala placas informativas em locais históricos da cidade, compartilhando curiosidades e preservando a memória urbana ao alcance de moradores e visitantes.

—Mais do que pontos da cidade, esses espaços são territórios de pertencimento, lugares onde o Rio se regulariza e sua história segue sendo vivida no dia a dia. Dar visibilidade e colocar esses endereços em evidência é também uma forma de preservar essa memória e celebrar sua longevidade —, comenta Renata Paes Leme, diretora de Marketing da Riotur.

Gastronomia popular:

A série foi idealizada por Felipe Quintans, da Secretaria de Coordenação Governamental e produzida pela Diretoria de Planejamento & Marketing da Riotur.

— A proposta é registrar esses espaços a partir de sua rotina, destacando sua relação com a cidade e com as histórias que ajudam a construir a identidade carioca — afirma Quintans.

Todo mundo no Rio:

A primeira temporada foi dedicada a bares como Armazém Senado, Bar Velho Adonis, Bode Cheiroso, Bar da Portuguesa, Bar do Momo, Bar Urca e Cachambeer. Os teasers serão divulgados no Instagram (@riotur.rio), X (@riodejaneiro) e TikTok (@riotur.rio), enquanto os episódios completos estarão disponíveis no canal oficial da Riotur no YouTube (@rioturoficial).