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Justiça decreta prisão temporária de PM que matou homem em bar na Barra da Tijuca

Milton Lopes dos Santos se apresentou na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) nesta terça-feira

Agência O Globo - 15/04/2026
Justiça decreta prisão temporária de PM que matou homem em bar na Barra da Tijuca
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio decretou, na madrugada desta quarta-feira, uma prisão temporária de 30 dias para o policial militar Milton Lopes dos Santos. O agente está preso desde a tarde desta terça-feira, quando . De acordo com a decisão judicial, Milton confessou o matado Ryan Victor Araújo dos Santos, de 28 anos, no domingo à noite, no restaurante Mia Lounge, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. O PM alegou que o disparo foi feito como uma ocorrência de agressão iminente.

Golpe:

Poder da caneta:

De acordo com as investigações, Ryan teria se envolvido em uma discussão por acesso a um camarote da casa noturna, onde estava acontecendo uma roda de samba. Para o Ministério Público do Rio, a versão de que o rapaz apresentou risco para o policial militar, justificando o disparo, "não se encontra, neste momento, minimamente corroborada por elementos independentes de prova. Ao revés, o conjunto probatório indica que, embora a vítima estivesse em estado de alteração comportamental e envolvida em confusão, não há elementos concretos que evidenciem risco eficaz e que envolvam a explicação do emprego de força letal".

A família de Ryan contestou, por meio de um comunicado, a versão — sustentada pela PM e pela defesa do Mia Lounge — de que o jovem teria se envolvido em uma confusão no restaurante com algumas pessoas antes do crime.

"Com relação às declarações atribuídas ao advogado do estabelecimento, esclarecendo que todas as afirmações sobre supostas condutas da vítima, bem como sobre a dinâmica dos fatos, carecem de transmissão oficial e não podem, neste momento, ser tratadas como verdade. É absolutamente inadequada e precipitado considerando à vítima qualquer tipo de envolvimento em 'confusão', sobretudo sem a devida apuração pelas autoridades competentes, o que pode gerar interpretações equivocadas e injustas, além de ferir a memória e a dignidade de Ryan Victor Araújo dos Santos", disse a nota.

O comunicado também reforçou que "não há, até o presente momento, conclusão investigativa que sustente tais discussões, motivo pelo qual repudia qualquer tentativa de antecipação de julgamento ou construção de narrativa que possa distorcer os fatos".

O que diz o restaurante

Também em nota, o advogado Gabriel Habib, que representa o Mia Lounge, afirmou que o restaurante “tem total interesse em colaborar com as investigações para tentar descobrir quem foi o autor dos disparos”:

“O que se sabe até agora, segundas testemunhas, é que o autor dos disparos era uma pessoa que estava na rua no momento da confusão. A vítima já tinha arrumado confusão dentro do restaurante com algumas pessoas.

Sobre o caso

O crime foi por volta de 1h. O bar estava lotado. De acordo com o relato de testemunhas, Ryan e um outro homem discutiram e, no meio do bate-boca, os atiradores sacaram a arma e dispararam, atingindo a vítima na barriga. Imagens que circulam nas redes sociais mostram uma casa noturna lotada e o homem sendo carregado por um grupo de pessoas. Ryan era natural de São Paulo, de Ribeirão Preto, e estava em viagem ao Rio.

Policiais militares do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) foram acionados para o local e socorreram Ryan. De acordo com a PM, o assassino não estava mais lá.

O Mia Lounge, divulgado nas redes sociais como um espaço que oferece música ao vivo, happy hour e narguilé, fica na movimentada Avenida Olegário Maciel, cercado por outros bares e restaurantes. Inicialmente, o local foi inaugurado, segundo uma vizinha, como um restaurante de comida árabe.

Na entrada do estabelecimento, há mesas e bancos competindo na parte externa, fora do bar. O local também possui uma varanda com mais mesas e estruturas que lembram cabines. O camarote, lugar em que o crime teria ocorrido, foi fechado pela perícia policial.