RJ em Foco
Força Municipal do Rio completa 30 dias nas ruas sem dar um tiro
Área de policiamento vem crescendo de forma gradual: próximo bairro a receber agentes vai ser a Tijuca, no dia 26
A primeira ocorrência da Força Municipal foi registrada em 18 de março, na região central da cidade, três dias após o início da operação da Divisão de Elite da Guarda Municipal carioca. Os agentes estavam na pista lateral da Avenida Presidente Vargas, em frente à estação do metrô da Cidade Nova, quando receberam o sinal de um motorista da linha 329 (Candelária—Bancários) que parara no local. Quatro suspeitos, dois deles menores de idade, forçaram a porta de trás do veículo e estavam em “atitude suspeita”. Todos foram envolvidos e levados para a delegacia da região. Uma réplica de arma de fogo, encontrada com um deles, foi apreendida. Desde então, outros 115 registros foram feitos por membros da Força, que foram incluídos por outros pontos do Rio e chegam hoje ao seu primeiro mês de atuação nas ruas sem ter feito qualquer disparo de arma de fogo.
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— O uso das armas não é nossa primeira opção. Orientamos em caso de necessidade, quando o agente ou o cidadão estiver em risco. Antes, temos o spray de pimenta e o taser (pistola de choque), que também ainda não foi utilizado. Isso deixa claro que nossas regras estão sendo seguidas com rigor pelos agentes — enfatiza Brenno Carnevale, secretário de Segurança Urbana do Rio.
Região central em foco
Ao todo, no período, foram realizadas 807 abordagens, 215 condutas a delegacias e 116 registros de ocorrência desde 15 de março. Os perímetros que envolvem Presidente Vargas, Central do Brasil, Campo de Santana e Cinelândia concentraram as ações, com maior incidência entre 17h e 22h. Esse mapeamento de local e localização define as manchas criminais e, portanto, o trabalho dos agentes. Já foram contabilizados 22 pontos de atenção na cidade.
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Um deles é o eixo Calçadão – Estação de trem de Campo Grande, na Zona Oeste, que recebeu a divisão de elite no último domingo. O próximo bairro será na Tijuca, na Zona Norte, onde os guardas municipais, identificados pelas boinas amarelas, atuarão na Praça Afonso Pena e na Rua São Francisco Xavier a partir do dia 26. Em coletivo, ontem, Brenno Carnevale destacou que o trabalho dos agentes é avaliado em reuniões semanais, o que permite ajustes em relação às demandas de cada região.
— A gente faz toda semana a reunião do CompStat Rio (sistema baseado em dados de segurança), para avaliar o balanço das últimas ocorrências. Os encontros são abertos, com a participação do prefeito e de autoridades de segurança pública — afirma Carnevale.
Além do Centro, os guardas municipais também atuam no eixo Rodoviária do Rio – Terminal Gentileza – Estação Leopoldina, primeiro a recebê-los, e no entorno do Jardim de Alah, na Zona Sul.
Presença já é suficiente
Outras quatro abordagens aconteceram em março na mesma pista lateral da Avenida Presidente Vargas onde os agentes fizeram a primeira ocorrência. No dia 26, três homens foram interpelados: um deles tentou fugir e desacatou os agentes. Acabou contido e levado para a delegacia. Dois dias depois, uma motocicleta roubada foi localizada abandonada na avenida, sendo recuperada e devolvida à vítima. Já no dia 29, um adolescente com mandato de busca e apreensão em aberto foi localizado após tentativa de fuga. No quarto episódio, de 30 de março, dois homens “em atitude suspeita” foram parados e, com um deles, havia um celular com o número de IMEI descer furto ou roubo.
Golpe naREN:
Um frequentador da região, que prefere não se identificar, conta que presencia as ocorrências. Ele passa pelo ponto de ônibus diariamente e se diz atento às ações, tanto de crimes quanto da polícia e, agora, da Força Municipal.
— Posso dizer que a presença dos guardas municipais melhorou em 70% dos crimes aqui. Não preciso de muito, só a já presença ajuda. A gente vê até policiais militares presentes, mas eles nunca ficam aqui no ponto de ônibus. Geralmente, ficam mais afastados, dentro de vias na avenida. Os guardas, não. Ficam a pé perto da gente, trabalhando, pelo que disseram, das 10h às 22h — relata.
No entorno do Campo de Santana, um comerciante também compartilha essa sensação de segurança.
— Os crimes aqui já tinham caído, mas a presença dos guardas tem ajudado ainda mais. Vejo eles sempre aqui, a pé ou de motocicleta. Rondam o entorno do parque em momentos diferentes. Está bem tranquilo até nos fins de semana.
Já na Central do Brasil, os vendedores dizem ainda não ter recebido melhorias. Na pista lateral sentido Rodoviária do Rio, onde há lanchonetes e presença de camelos, contam que em determinados horários não há qualquer agente de segurança.
— Depois das 19h, você já não vê policiais ou guardas por aqui. Eu fecho a loja por volta das 21h e não vejo ninguém. A gente continua presenciando roubos, furtos, pessoas em situação de rua fazendo consumo pesado de drogas, brigando, fora todas as pessoas que fazem o terminal de banheiro. Tem de tudo na Central do Brasil, de tudo mesmo. A gente precisa de ostensividade 24h — reclama um comerciante.
Na Cinelândia, onde a presença dos guardas é vista mais durante a noite, os comerciantes destacam que a segurança havia melhorada antes da chegada da Força Municipal.
— Estar aqui entre dezembro e janeiro era um inferno. E não digo nem presença pelas pessoas em situação de rua, mas sim em relação a furtos e roubos. Era muito, todo dia. Vi até gringo apanhar de cinco menores. Dava 18h e a Cinelândia era um deserto total, afetava muito as nossas vendas. Mas, garanto, melhorou pela atuação do PM. Quando os guardas chegaram, já estava bem melhor.
Atualmente, 600 agentes compõem a Força Municipal, e um processo seletivo em andamento aberto igual número de vagas.
O GLOBO entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública para saber se a integração com a divisão de elite da GM foi benéfica, mas não teve resposta. Na coletiva de ontem, Carnevale elogiou o apoio que recebeu da 4ª DP (Presidente Vargas) e do 5º BPM (Praça da Harmonia).
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