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Empresa do Paraná é alvo de investigação por venda de atestados médicos falsos

CNPJ informado consta como ativo na Receita Federal. A empresa foi criada em dezembro de 2023 e tem como única sócia uma mulher de 23 anos.

Agência O Globo - 14/04/2026
Empresa do Paraná é alvo de investigação por venda de atestados médicos falsos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil investiga uma empresa sediada em Londrina, no Paraná, suspeita de envolvimento em um esquema de venda de atestados médicos falsos pela internet para funcionários de empresas do Rio de Janeiro. Para comprovar a fraude, um empresário realizou um pagamento via Pix no valor de R$ 49,90 no site valideatestado.com para adquirir um documento que justificaria a ausência do trabalho, sem a necessidade de consulta médica. No comprovante da transferência, a beneficiária é identificada como GRB Negócios Digitais Ltda.

O CNPJ informado aparece como ativo na Receita Federal. A empresa foi aberta em dezembro de 2023 e tem como única sócia uma mulher de 23 anos. Em sua descrição de atividades, consta “preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo”. O jornal O GLOBO tentou contato com a proprietária, mas as ligações não foram atendidas. O site utilizado para a venda dos atestados estava fora do ar ontem.

Registro em São Paulo

Em nota, a Polícia Civil informou que investigações estão em andamento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), na 13ª DP (Ipanema) e na 151ª DP (Nova Friburgo). Além de apurar o papel da empresa no esquema, os policiais pretendem ouvir a funcionária que apresentou os atestados falsos e também a médica que figura como signatária dos documentos.

A médica, residente na Itália, declarou que seus dados foram utilizados sem consentimento. Registrada no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), ela buscou orientação junto ao órgão, que recomendou o registro de ocorrência policial. Por estar fora do Brasil, não conseguiu concluir o procedimento pelo sistema da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Na tarde de ontem, com o auxílio de uma irmã no Brasil, conseguiu registrar o caso como fraude/estelionato.

Para conferir credibilidade ao golpe, os atestados falsos trazem nomes e logotipos de empresas privadas e unidades de saúde pública conhecidas. Uma advogada de empresa que identificou 39 documentos fraudulentos apenas nos três primeiros meses do ano relatou que a verificação da autenticidade pode levar até 45 dias para ser respondida.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que empresas com dúvidas sobre a veracidade de atestados devem entrar em contato por e-mail, disponível online, com a unidade de saúde correspondente. Segundo a SMS, o prazo máximo para resposta é de 15 dias. Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde — cujas unidades também foram utilizadas no golpe — não respondeu até o fechamento desta edição.