RJ em Foco
Conheça o empresário à frente de 17 restaurantes no Rio, entre eles o Bar do Zeca Pagodinho, que também atua no setor da indústria médica
O empresário Paulo Pacheco é um daqueles empreendedores que apostam na cidade
Das paredes de vidro de seu escritório, na Barra da Tijuca, a visão do empresário Paulo Pacheco vai muito além da Avenida das Américas. Fundador de dois importantes grupos empresariais de setores distintos — indústria médica e gastronomia —, ele desponta como um dos grandes investidores do Rio. São 17 restaurantes, da Zona Sul às zonas Norte e Oeste da cidade, além de Itaipava, na Região Serrana, e uma companhia de importação e exportação de produtos médicos que ajudou a trazer tecnologias inovadoras para hospitais do país. As duas redes empregam cerca de 1.300 funcionários, diretos e indiretos.
Do furto de um cavalo
Veja novos trajetos:
Nos negócios e nas atividades físicas, é um aventureiro. Do alto de seus 79 anos, o empresário passa longe de qualquer estereótipo equivocado sobre a terceira idade: aos 20 e poucos anos, aprendeu a velejar sozinho, já navegou pelo Atlântico e competiu como jogador de golfe até se tornar presidente da confederação brasileira do esporte. A trajetória garantiu a ele o protagonismo na implantação do primeiro campo olímpico de golfe do mundo, aqui no Rio, quando a modalidade voltou às Olimpíadas, em 2016, depois de mais de um século fora da competição mundial.
A paixão pelo Rio, pelo Fluminense — ele é tricolor — e pelo empreendedorismo ele transmite às filhas e aos netos, que também tocam os negócios da família. Nada disso, no entanto, veio com facilidade.
Paulo nasceu em Friburgo, onde passou os primeiros anos da infância, e é o mais velho de sete irmãos: quatro homens e três mulheres. Com avô e pai marceneiros, a família mantinha uma fábrica de móveis, cujo sócio era um grande investidor. A convite dele, a família e a fábrica se mudaram para Niterói, na Região Metropolitana do Rio, quando Paulo tinha 7 anos.
Começou a trabalhar aos 13, depois que o pai, único provedor da família, entrou em depressão e ficou de cama por sete anos, tempo suficiente para perderem a fábrica. Do avô português, ele herdou o tino para empreender. Da avó italiana, o gosto pela cozinha, com a memória inesquecível do café da tarde com a mesa cheia.
— Eu trabalhava com o que aparecia. Fui vendedor de móveis, aprendi fotografia, trabalhei em indústria, fazia bicos. Minha história é uma história de superação. Desde muito cedo aprendi a ter responsabilidade, prestar contas. Trabalhava de dia e estudava de noite. Tudo isso foi me moldando como empreendedor — relembra ele.
Na universidade, se formou em Contabilidade e, a convite de um professor, foi trabalhar no setor comercial de uma empresa da área médica, onde entrou como vendedor, aos 22 anos, e saiu como diretor comercial, aos 29. A essa altura, já casado e com as duas filhas, ele decidiu abrir o próprio negócio, na mesma área. A iniciativa, criada no Rio, importava, desenvolvia e vendia produtos médicos no Brasil.
Depois que um representante comercial se juntou para expandir o negócio, Pacheco se mudou com a empresa e a família para Goiânia, onde ficaram por 16 anos. A mudança aconteceu sob a condição de voltarem ao Rio quando as filhas chegassem à adolescência. No meio do caminho, eles compraram um imóvel no Recreio dos Bandeirantes.
— Eu e minha mulher tínhamos um acordo, na realidade. Nossa família, nossos amigos, tudo era aqui. A gente foi para lá já sabendo que queríamos construir a vida no Rio — conta ele.
No mar e no campo
E assim foi. A empresa foi vendida e, de volta em 1991, ele abriu o CEI Group, com o objetivo de trazer inovações para os setores médico e hospitalar do Brasil, de olho no que havia de mais atual em outros países.
— Fomos responsáveis por introduzir vários produtos no setor, nas áreas de critical care, hemoterapia, hematologia, seguindo o propósito de trazer novas tecnologias para o Brasil. E não nos afastamos desse objetivo, continuamos até os dias atuais — lembra Pacheco.
Em Copacabana,
Na sala dele, no escritório da Barra, miniaturas de veleiros e tacos de golfe exibem um pouco da paixão que cultiva pelos dois esportes, que ainda pratica. O segredo de tanta energia, ele conta, é o próprio estilo de vida.
— Eu sempre trabalhei muito, mas eu sempre me diverti muito também. Tem que ter equilíbrio. Aprendi a velejar sozinho num fim de semana de bobeira, pegando barco emprestado de um desconhecido. Eu saía fazendo as coisas — conta, bem-humorado.
Quando tinha 53 anos, Paulo realizou o sonho de navegar pelo Atlântico, saindo de São Paulo em direção a Fernando de Noronha. Mas foi no golfe que ele deixou o maior legado para o país: o campo de golfe usado na Rio 2016. O empresário começou jogando de forma amadora, até construir uma relação internacional no esporte.
— Foi uma loucura. Tudo aconteceu de forma muito orgânica. Eu comecei a jogar golfe a convite de um amigo e achava monótono. Na primeira aula me apaixonei, passei a competir nos anos seguintes, fui convidado para associações e cheguei à presidência da Confederação Brasileira de Golfe — lembra.
Sinal de alerta:
A história com a gastronomia começou há cerca de 15 anos. Paulo conta que decidiu investir na área por paixão e desafio, mas inspirado nas mesas de café da avó italiana, cheias e fartas, quando a família ainda vivia em Niterói.
Cão Hulk:
Estreia na Barra
Ele fundou, então, o BFW Group, que hoje reúne 20 casas, entre cafés, bares e restaurantes no Rio e em São Paulo, onde possui três estabelecimentos. O primeiro investimento foi a criação do D.O.C., restaurante italiano na Barra da Tijuca, inspirado nas origens da família.
— Eu já gostava de cozinhar. Com o D.O.C. comecei a aprender um pouco sobre gestão de restaurante, não sei se consegui. Acho que estou aprendendo até hoje — brinca. — Comecei a tomar gosto pelo negócio, e o meu neto mais velho veio trabalhar comigo. Fomos ampliando, abrimos algumas lojas de vinho e criamos outras marcas.
Uma delas foi o Bar do Zeca Pagodinho, há sete anos, no Vogue Square, também na Barra. A empreitada homenageia o sambista, ícone do partido alto e da música brasileira. A comida é tradicional de boteco, assinada pelo chef Antonio Carlos Laffargue, o Toninho, dono de outro clássico carioca: o Bar do Momo, na Tijuca.
— O bar surgiu com um encontro de amigos, numa relação de confiança e amizade mesmo. Tenho muito respeito por ele, pela carreira que ele construiu, o nome e tudo o que ele representa para o Brasil e a nossa música. O Zeca tem uma respeitabilidade internacional — enfatiza Paulo.
Hoje o Bar do Zeca tem cinco filiais, mas o grupo também planeja abrir a segunda unidade em São Paulo. Entre um negócio e outro, o empresário afirma que ainda quer abrir outras empresas. Outra aposta no Rio está sendo desenhada para 2027, mas ele não dá detalhes:
— É aqui que eu vivo, onde vive minha família, meus amigos, e é a cidade que a gente ama. Com todas as questões de segurança pública, é uma cidade maravilhosa. O que a gente precisa, enquanto empreendedores, é continuar acreditando no Rio, investindo o máximo possível para transformá-lo em um lugar melhor.
Foto: https://depositphotos.com/
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