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Ex-PM é condenado a quase 33 anos de prisão por morte de contraventor

Crime ocorreu em 2020 e outros acusados de serem executores irão a júri em outra data

Agência O Globo - 11/04/2026
Ex-PM é condenado a quase 33 anos de prisão por morte de contraventor
Fernando Iggnácio - Foto: Reprodução

O Conselho de Sentença do I Tribunal do Júri da Capital condenou o ex-policial militar Rodrigo da Silva das Neves a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pelo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e por emboscada) do contraventor Fernando Iggnácio. O crime ocorreu em 2020, no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

O crime:

Durante a leitura da sentença, o presidente do júri, juiz Thiago Portes Vieira de Souza, destacou o papel de destaque de Rodrigo no plano de execução. “O amplo conjunto probatório revela que Rodrigo tinha papel de destaque dentro do plano da execução, tendo em vista que restou provado que o veículo usado durante toda a execução do homicídio dirigiu-se ao condomínio residencial Vera Cruz, onde todos os executores desembarcaram, sendo este o local de residência do acusado, à época”, afirmou o magistrado.

O juiz também ressaltou a ligação do então policial militar com o jogo do bicho. O bicheiro Rogério Andrade, rival de Iggnácio, é apontado como mandante do crime, embora negue participação.

“O acusado Rodrigo exercia a função de policial militar do estado do Rio de Janeiro da ativa, tendo por dever garantir a segurança pública e reprimir a criminalidade. Mas, ao contrário, optou por, intimamente envolvido com personagens da máfia da contravenção do jogo de bicho, praticar conduta que deveria reprimir, utilizando, inclusive, de seus conhecimentos policiais adquiridos no exercício da função para efetivar o crime e garantir o êxito da empreitada”, completou o juiz.

Outros envolvidos:

Outros dois acusados de participação na execução do crime, os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, seriam julgados neste júri, mas dispensaram seus advogados no primeiro dia do julgamento. Por isso, responderão pelos crimes em outra data. Já Ygor Rodrigues Santos da Cruz, também suspeito de envolvimento, foi encontrado morto em 2022.

A defesa de Rodrigo alegou que não há provas que vinculem o ex-PM à morte de Fernando Iggnácio.

Fernando Iggnácio foi executado ao retornar de sua casa de praia em Angra dos Reis, na Costa Verde. Ele e Rogério Andrade eram, respectivamente, genro e sobrinho do contraventor Castor de Andrade, morto em 1997.