RJ em Foco
Paulinho Sabiá escapou de execução dois dias antes de ser morto; arma falhou na primeira tentativa
Execução ocorreu 48 horas após tentativa frustrada. Irmã da vítima é suspeita de ser mandante e foi presa pela polícia.
O capoeirista Paulo Cesar da Silva Souza, conhecido como Mestre Sabiá ou Paulinho Sabiá, fundador do Grupo Capoeira Brasil, foi morto aos tiros em 18 de fevereiro, enquanto estava no banco do carona de um carro, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Dois dias antes, ele já havia escapado de uma tentativa de execução. Na noite de 16 de fevereiro, um homem se moveu pelas costas e apontou um revólver para a nuca da vítima, apertando o gatilho três vezes, mas a arma falhou.
Em seguida, o suspeito confessou na garupa de uma motocicleta que o aguardava. Imagens de câmeras de segurança registraram a fuga e ajudaram a polícia a identificar o piloto da moto. A tentativa de homicídio consta no despacho do juiz da 3ª Vara Criminal de Niterói, que decretou a prisão temporária de Juan Nunes dos Santos, já localizada e presa.
Juan pilotou uma motocicleta usada para dar fuga ao autor da tentativa de execução em Icaraí, o mesmo bairro onde Paulinho Sabiá foi assassinado 48 horas depois. Os disparos que mataram o capoeirista foram feitos com um revólver calibre 38, o mesmo tipo de arma utilizada na tentativa anterior.
De acordo com a polícia, Juan também participou do assassinato, novamente pilotando uma motocicleta. Nesta quarta-feira, policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) prenderam Adriana Souza Possobom, irmã de Paulinho Sabiá, por força de mandado de prisão temporária.
Segundo a investigação, Adriana é suspeita de ter encomendado a morte do irmão, após ser apontada como mandante por Juan Nunes dos Santos. Além dos dois presos, o DHNSGI apura se outras duas pessoas participaram do crime.
A previsão é que, nesta sexta-feira, Adriana passe por audiência de custódia na Central de Custódia de Benfica, onde um juiz decidirá sobre a manutenção da prisão. A prisão temporária pode ser convertida em preventiva ou pode ser liberada.
Na época do crime, Adriana concedeu entrevista ao GLOBO lamentando a morte do irmão:
— Meu irmão não tinha inimigos, nada que a gente soubesse. Era incapaz de fazer qualquer mal a alguém. Nos anos 1980, quando a capoeira era algo até um pouco agressiva, ele participou de um movimento para pacificar isso. A gente está muito perdida. Não sabemos quem pode ter isso feito com ele. O crime foi uma brutalidade — afirmou ela.
Os executores do assassinato foram no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. A polícia apurou que houve uma reunião no local, com a participação de Adriana, para acertar o valor do crime.
Ao portal G1, o delegado Willians Batista, responsável pela investigação à época, informou que Adriana teria oferecido R$ 50 mil de homicídio pelo, mas pagou apenas R$ 10 mil como adiantamento.
A Polícia Civil investiga se a motivação do crime está relacionada a questões financeiras. Uma testemunha relatou que a vítima possuía terrenos em Maricá, um carro, motocicletas antigas e aplicações financeiras que somavam cerca de R$ 100 mil.
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