RJ em Foco
Servidores estaduais ampliam greves no Rio e pressionam governo por recomposição salarial
Paralisações atingem Uerj, Detran e rede estadual de ensino; categorias apontam perdas acumuladas e falta de resposta do governo.
Uma onda de paralisações em diferentes setores do funcionalismo público estadual intensificou a pressão sobre o governo do Rio de Janeiro nas últimas semanas, com reivindicações por recomposição salarial e melhores condições de trabalho. Os protestos envolvem a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ) e a rede estadual de ensino. Todas as greves tiveram início após o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), assumir interinamente o comando do Executivo estadual em 24 de março.
Na Uerj, professores estão em greve desde 25 de março, e os servidores técnicos aderiram ao movimento nesta quinta-feira. As principais demandas incluem o pagamento de reajustes atrasados referentes a 2023 e 2024, a retomada do bônus por tempo de serviço (triênios) e a melhoria das condições de trabalho. Os grevistas também protestam contra leis que congelaram salários e reduziram a arrecadação do Estado, o que impacta diretamente o orçamento da universidade.
No Detran-RJ, a paralisação iniciada em 2 de abril já afeta cerca de 70% do quadro de servidores efetivos. Entre os serviços mais prejudicados estão as vistorias de veículos, provas teóricas e práticas para habilitação e a emissão de documentos, o que tem provocado filas e atrasos expressivos no atendimento à população.
— Iniciei meu processo para tirar habilitação, mas ainda não consegui realizar a prova teórica porque não consigo marcar a data. Eu entendo que os servidores estão pedindo por melhorias, mas isso afeta diretamente quem precisa dos serviços — relata Ana Clara Silveira, estudante de Letras.
No setor de educação, profissionais da rede estadual realizaram uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira, organizada pelo Sepe-RJ. As reivindicações incluem recomposição salarial, pagamento do piso nacional do magistério e reajustes acumulados dos últimos três anos. De acordo com o sindicato, uma nova paralisação está prevista para 5 de maio, quando será avaliada a possibilidade de deflagração de greve por tempo indeterminado.
— Chegamos a um ponto em que não aguentamos mais a falta de resposta. O Estado não cumpre o piso nacional nem respeita o reajuste salarial. Essa mobilização visa pressionar o governo a garantir a qualidade do serviço público e o salário dos servidores — afirma Rose Silveira, coordenadora do Sepe-RJ.
Os profissionais da educação também marcaram uma assembleia às 10h no Clube de Engenharia, no Centro do Rio, seguida de protesto em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo cálculo do Sepe-Dieese, seria necessário um reajuste de cerca de 56% sobre os salários de janeiro de 2026 para recompor as perdas acumuladas. A categoria também cobra o cumprimento de acordo firmado entre a Alerj e o governo estadual no fim de 2021, que previa reposição de 26,5% referente às perdas entre 2017 e 2021, dividida em três parcelas — das quais apenas a primeira foi paga —, além da implementação do piso nacional do magistério.
No sistema prisional, o sindicato dos policiais penais informou que encaminhou ofício ao governador interino, Ricardo Couto, solicitando a recomposição salarial. O tema chegou a ser debatido na Alerj no ano passado, quando a Casa era presidida pelo ex-deputado Rodrigo Bacellar, mas não houve avanços desde então.
Procurado pela reportagem, o governo do Estado ainda não se manifestou sobre as reivindicações das categorias.
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