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Acusados pela morte de Fernando Iggnácio vão a júri popular no Rio nesta quinta-feira

Três réus respondem a partir desta quinta-feira pela execução do contraventor, morto a tiros em 2020, no Recreio dos Bandeirantes; MPRJ aponta crime ligado à disputa pelo jogo do bicho

Agência O Globo - 08/04/2026
Acusados pela morte de Fernando Iggnácio vão a júri popular no Rio nesta quinta-feira
Fernando Iggnácio - Foto: Reprodução

Acusados de executar o contraventor Fernando de Miranda Iggnacio, no Recreio dos Bandeirantes, três réus vão a júri popular nesta quinta-feira, às 11h, no 1º Tribunal do Júri, no Rio. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), o crime está ligado à batalha pelo controle do jogo do bicho e teria sido cometido a mando do também bicheiro Rogério de Andrade, apontado como rival da vítima. O último, que está preso há mais de um ano num presídio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul, .

Contexto:

Negação:

Serão julgados Rodrigo Silva das Neves, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, denunciados por participação direta na execução do homicídio. De acordo com a denúncia, o assassinato foi planejado e realizado como parte de uma disputa familiar violenta entre grupos ligados à contravenção no Rio. O caso teve grande repercussão à época.

Quanto ao suposto mandante, o também bicheiro Rogério de Andrade, a denúncia contra ele foi apresentada depois com base em novas provas que não haviam sido analisadas anteriormente — e por isso, o processo contra ele ainda está na fase inicial. A ação contra outro acusado pelo mesmo crime, o sargento reformado Márcio Araújo de Souza, apontado como o elo entre o mandante e os executores, também tramita separadamente.

Segundo o MPRJ, as testemunhas arroladas pelas partes já foram ouvidas, estando o caso em fase de diligências.

Ainda de acordo com o Ministério Público, o réu Gilmar Eneas Lisboa teve papel relevante na execução do crime, sendo responsável por monitorar a rotina de Iggnácio, especialmente em Angra dos Reis, e repassar informações aos executores. Ele também é apontado como elo com Márcio Araújo de Souza, descrito também como responsável pela segurança de Rogério de Andrade.

Com a abertura de um novo Procedimento Investigatório Criminal, o Gaeco reuniu outros elementos que embasaram nova denúncia, incluindo detalhes sobre a dinâmica da execução e o contexto de escalada de violência entre grupos rivais.

A expectativa é que o julgamento dos executores se estenda por mais de um dia.

Relembre o caso

O contraventor Fernando Iggnácio Miranda foi morto a tiros de fuzil AK-47 na tarde de 10 de novembro de 2020. Ele foi vítima de uma emboscada após chegar de Angra dos Reis, de helicóptero. O atirador estaria posicionado em cima de um muro à espera do contraventor. Os disparos atingiram Iggnácio quando ele passava próximo a uma churrasqueira.

O crime aconteceu no estacionamento da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo. Genro do bicheiro de Castor de Andrade, Iggnácio foi atingido por vários tiros na cabeça em uma emboscada, no momento que caminhava em direção ao carro após chegar de Angra dos Reis, na Costa Verde, de helicóptero.

Disputa familiar

Castor Gonçalves de Andrade e Silva tornou-se o chefão da contravenção no Rio nos anos 70 e chegou a expandir seus domínios para o Nordeste. Ele morreu de infarto em abril de 1997, dando início a uma guerra na família pela sucessão. Ainda em vida, Castor escolhera Rogério, seu sobrinho, para comandar a contravenção na Zona Oeste e em outras áreas do estado. O filho de Castor, Paulinho, não concordou e iniciou uma batalha com o primo. Em 1998, Paulinho e um segurança foram assassinados na Barra. O genro de Castor, Fernando Iggnácio Miranda, assumiu o lugar na disputa com Rogério.

De acordo com investigações da polícia, a partir da metade dos anos 1990, Fernando Iggnácio passou a controlar a Adult Fifty, empresa que explorava caça-níqueis em toda a Zona Oeste. Em 1998, Rogério teria fundado a Oeste Rio. O próprio Rogério foi vítima de uma tentativa de assassinato em 2001. Em abril de 2010, outro ataque: o filho de Rogério, de 17 anos, morreu num atentado na Barra. Em vez do pai, era o rapaz que dirigia um carro no qual foi colocada uma bomba. Segundo uma investigação da Polícia Federal, os contraventores César Andrade de Lima Souto e Fernando Andrade de Lima Souto estariam envolvidos no crime.