RJ em Foco

Castelo de areia símbolo da Barra é demolido após 30 anos

Estrutura era moradia do artista conhecido como Rei Castelinho; Subprefeitura alegou risco de desabamento

Agência O Globo - 30/03/2026
Castelo de areia símbolo da Barra é demolido após 30 anos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Quem já visitou a região da Praia do Pepê, no Posto 2, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, certamente se deparou com um imponente castelo de areia, adornado por um trono e uma coroa para fotos. Mais do que uma atração turística, a estrutura servia de moradia para Márcio Mizael, o artista apelidado de Rei Castelinho, e seu cachorro Mano. Nesta segunda-feira, 30, o tradicional castelo foi demolido após a Subprefeitura da Barra da Tijuca apontou risco de desabamento.

Por três décadas, o local era constantemente reconstruído por Márcio, que vivia ali com seu cachorro vira-lata. Para quem passava, o castelo chamava atenção pela grandiosidade, mas, na parte de trás, uma pequena porta revelava a residência do artista de 52 anos.

Em 2018, a história de Márcio ganhou destaque internacional, sendo tema de reportagens em veículos como o espanhol El País e a britânica BBC . Em entrevista à emissora britânica, Márcio descreveu seu estilo como "uma mistura de Oscar Niemeyer e Antonio Gaudí" — referência ao criador da Sagrada Família, em Barcelona.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) desmontando o castelo, que era sustentado por ripas de madeira. No interior da casa, Márcio mantinha livros, uma de suas grandes paixões.

Segundo nota da Subprefeitura da Barra da Tijuca, a demolição ocorreu após denúncias sobre as condições do local. Técnicos da Defesa Civil Municipal constataram, após vistoria, que a escultura não apresentava elementos permanentes que garantissem a segurança da parte interna ( veja a nota na íntegra abaixo ).

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Márcio gravando um vídeo enquanto sua casa e sua obra são destruídas: “Trabalhei a vida toda aqui. E agora tão destruindo. Como eu faço aqui agora?”, questiona ele, acrescentando: “O que a prefeitura vai fazer comigo? Vai me jogar no lixo?”.

A Subprefeitura informou ainda que “o responsável foi orientado anteriormente e poderia retirar seus pertences”. A Secretaria Municipal de Assistência Social ofereceu acolhimento institucional, mas Márcio aceitou o apoio.

A decisão gerou polêmica nas redes sociais. Ambientalistas apoiam a ação da prefeitura, alegando que manter uma moradia na praia é irregular: "Isso não é cumprimento. É cumprimento da lei", afirmou uma internauta. Por outro lado, os frequentadores da Barra criticaram a medida, ressaltando que Márcio é figura emblemática do bairro.

Alguns usuários também questionaram a atuação dos órgãos públicos em outros casos, como a ocupação irregular da faixa de areia por quiosques: “Quero ver mexer nos quiosques ao longo da praia que cercaram grande parte da areia e colocaram salões privados ocupando espaço gigantesco”.

Nota da Subprefeitura da Barra da Tijuca:

“A Subprefeitura da Barra da Tijuca informa que a retirada do ‘Castelo de Areia’ foi realizada após denúncias sobre as condições do local.

Os Técnicos da Defesa Civil Municipal identificaram, após uma vistoria, que a escultura não possui elementos permanentes que garantam a segurança da parte interna da estrutura e, com isso, apresenta risco de instabilidade e até desabamento de todo o conjunto.

O responsável foi orientado previamente e poderia retirar seus pertences. A Secretaria Municipal de Assistência Social ofereceu acolhimento institucional, que foi recusado”.