RJ em Foco
'É recomeçar do zero', diz funcionário que pulou do segundo andar para se salvar do fogo na Ceasa
Defesa Civil interditou dez boxes da central de abastecimento; administração local irá realocar lojistas
O relógio assistindo das 6h desta terça-feira quando um , em Irajá, Zona Norte do Rio, nesta terça-feira. Júlio César de Oliveira Gomes, administrador da loja RJ Vieira, que vende desde frutas a bebidas, conta que estava no segundo andar do estabelecimento quando viu o fogo começar na parte elétrica. Ele acabou queimando o braço esquerdo nesse combate às chamas, do qual ele e outros funcionários da central de abastecimento participaram antes da chegada dos bombeiros.
De herdeiros do impeachment à saída sob risco de cassação:
Decisão inédita:
Já com uma pomada aplicada sobre o membro ferido, que ardia, o administrador disse que essa não foi a única consequência em seu corpo por contato de incêndio.
— O pé está fazendo, porque pulei lá de cima — conta Júlio, que nem descobriu em usar a escada durante o nervosismo. — Você escolhe: ou chamusca, ou pula.
Ele conta que, depois de deixar o segundo andar, passou a ajudar a combater o incêndio. O administrador explicou que foram usados extintores de incêndio, até alguns emprestados por lojas vizinhas, e uma mangueira do sistema de incêndio local. Foi nesse momento que, segundo ele, a água do equipamento acabou. Um carregador de mercadorias do Ceasa contém a mesma versão, mas preferiu não se identificar.
— Se tivesse água, eu teria atrasado o incêndio no começo — avalia Júlio.
O Corpo de Bombeiros informa que utiliza recursos de viaturas próprias e, por isso, não pode atestar o funcionamento ou falha de equipamentos preventivos locais, como mangueiras. Já a administração do Ceasa, também procurada, não respondeu sobre o tema até a publicação da reportagem.
Júlio lembra que o foco de fogo ocorreu próximo aos cabos de energia elétrica. As versões iniciadas por funcionários de segurança da Ceasa são de que um curto-circuito teria sido causa de incêndio.
— Houve três quedas de energia, a luz voltou muito rápida. Então todo o mundo acredita que houve uma centelha ali e, da centelha, a desgraças — completa ele, confirmando que a loja perdeu todas as mercadorias. — É recomeçar do zero.
Procurada, a Light informa que “não há registro de interrupções no fornecimento de energia no local antes do incêndio”, com o desarme “provocado pelo próprio incidente”. Uma equipe de entrega foi enviada até o local para normalizar o serviço. “A companhia reforça ainda que essa região apresenta altos índices de ligações clandestinas, prática que pode sobrecarregar a rede elétrica, provocando ocorrências como quedas de energia, incêndios e curtos-circuitos”.
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Realocação de lojistas
Dez caixas foram interditadas pela Defesa Civil municipal, mas não há risco de desabamento. Em nota, a administração da Ceasa afirma que já está adotando “medidas para mitigar os impactos aos afetados, incluindo a realocação de lojistas e trabalhadores, a continuidade das atividades e a mínima interrupção dos serviços prestados à população”. A central de abastecimento também está à disposição para esclarecimentos às autoridades.
Com exceção das lojas atingidas, a Ceasa segue funcionando normalmente. O posicionamento também pondera que “há algum tempo, melhorias contínuas no sistema de prevenção e combate a incêndios em todo o entreposto”, assim como realiza “orientações e fiscalizações periódicas junto aos permissionários, que estão cientes dos protocolos de segurança”.
'Foi um desespero total'
Outra testemunha do incêndio é Roberto Cordeiro Lessa, motorista que presta serviço para uma loja de frutas. Ele estava com sua van estacionada em frente ao estabelecimento, aguardando que o veículo fosse carregado, quando descobriu o problema.
— Primeiro, vi a gritaria dos carregadores: “Tá pegando fogo, tá pegando fogo”. Saí do carro e vi a labareda nas alturas. Foi um desespero total. Tinha uma carreta de abacaxi aqui, cheia de palha, precisaram tirar às pressas. Parecia que o fogo ia lamber tudo — relata Roberto.
O que se viu ao longo da manhã eram proprietários abalados pelo incêndio. Uma delas, que preferiu não gravar entrevista, chegou a chorar. A Polícia Civil abriu uma investigação, por meio da 27ª DP (Vicente de Carvalho), para esclarecer as causas do incêndio.
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