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Caminhos do Rio: integração entre modais exige subsídio, dizem especialistas

Seminário reúne autoridades e aponta entraves políticos para a mobilidade na cidade

Agência O Globo - 24/03/2026
Caminhos do Rio: integração entre modais exige subsídio, dizem especialistas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A necessidade de ampliar subsídios e integrar os diferentes modais foi apontada como eixo central para melhorar a mobilidade urbana no Rio. Esses pautaram o debate entre autoridades e especialistas no seminário “Caminhos do Rio”, realizado ontem no auditório da Editora Globo. No encontro, os participantes discutiram soluções para tornar o transporte coletivo mais eficiente e sustentável, além dos entraves políticos e institucionais para a integração entre a capital e as outras cidades da Região Metropolitana e os impactos no dia a dia da população.

Ai de ti, Copacabana:

Pai de Henry Borel

Realizado pelos jornais O GLOBO e Extra, com patrocínio da Prefeitura do Rio, o evento foi mediado pelo jornalista Rafael Galdo, editor da Editoria Rio dos jornais. A abertura conto com o painel “Integração metropolitana: desafios e soluções para o transporte coletivo”, com a participação de Gabriel Tenenbaum, diretor de implementação para a América Latina da C40; Maína Celidônio, assessora especial para transportes da cidade do Rio; e Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes

Ao abordar propostas e obstáculos para a integração metropolitana, Tenenbaum destacou a relação entre o setor de transportes e a emissão de gases poluentes, além dos impactos crescentes de eventos climáticos extremos.

— Hoje, o setor de transportes é o maior emissor de gases de efeito estufa nas cidades. No município do Rio, responde por mais de um terço das emissões e, além disso, é também o mais afetado por eventos climáticos extremos — afirmou.

Já Maína Celidônio destacou que a ausência de planejamento planejado em nível metropolitano ainda resulta em competição entre diferentes modais, como ônibus, metrô e trens pela SuperVia. Ela também chamou a atenção para a dificuldade de regulação de novos transportes, como os carros de aplicativo, e o crescimento do uso de motocicletas, impulsionado por viagens mais rápidas e baratas.

— O ideal seria pensar o sistema de forma integrado, aproveitando o melhor de cada modal e facilitando o posicionamento da população. Esses serviços já fazem parte do sistema, mas ainda escapam da capacidade de cooperação do poder público — disse.

Falta de cobertura

Para Marcus Quintella, a incorporação do sistema passa por princípios básicos, como integração física e tarifária e ampliação da capilaridade. Ele destacou que a falta de cobertura adequada em regiões do estado favorece o crescimento de indivíduos modais, que acabam assumindo funções de transporte coletivo.

O diretor da FGV também incluiu limitações de infraestrutura de alta capacidade, como o metrô, e problemas operacionais no sistema ferroviário da SuperVia. Quintella defendeu ainda a adição de subsídios como condição essencial para o funcionamento do sistema.

— Nenhum sistema de transporte urbano se sustenta apenas com a tarifa. O subsídio é indispensável — disse.

Aplicativos vão mostrar horários de parada dos ônibus

Na segunda mesa, que discutiu a “Sustentabilidade econômica do transporte”, o tema da integração voltou ao centro do debate. Participaram do painel Lauro Silvestre, subsecretário de Tecnologias em Transporte da Secretaria Municipal de Transportes; Cristina Albuquerque, especialista em mobilidade urbana; e Guilherme Ramalho, presidente do MetrôRio.

Cristina Albuquerque avaliou que o momento atual representa uma “janela de oportunidade”, com licitações previstas no município e no estado. Ela destacou que a integração entre modais pode reduzir custos totais e defendeu maior prioridade para ônibus nas vias como forma de aumentar a eficiência operacional:

— Para ter qualidade, o sistema preciso de subsídio. Caso contrário, a tarifa fica alta e a população deixa de usar.

Lauro Silvestre destacou que o uso de dados tem sido central para melhorar a eficiência do sistema de ônibus, permitindo a redistribuição de horários e linhas conforme a demanda. Ele ressaltou que esse processo é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos. Como próximo passo, a prefeitura pretende ampliar informações em tempo real aos usuários.

— A ideia é que, nos aplicativos, uma pessoa consiga saber não só onde está o ônibus, mas também quando ele vai chegar ao ponto. A mobilidade precisa ser transparente e não pode ser um sofrimento para a população.

O presidente do MetrôRio, Guilherme Ramalho, afirmou que o setor vive um momento de mudança na forma de financiamento, com maior flexibilidade dos subsídios — movimento que ganhou evidência após o governo estadual decidir manter a tarifa do metrô em R$ 7,90, mesmo após o anúncio de reajuste. Ele defendeu maior integração tarifária e alertou para os riscos de um sistema sem financiamento adequado.

— Sem preço adequado, o sistema perde usuários e entra em um ciclo de interferências — afirmou Ramalho.

O que disseram os especialistas

Gabriel Tenenbaum, diretor de implementação para a América Latina da C4:

— Estamos perdendo passageiros do transporte coletivo para modos individuais. A integração entre os modais reduz a competição e melhora a qualidade do sistema — disse.

Maína Celidônio, assessora especial para transportes da cidade do Rio de Janeiro:

— Existe espaço para todos os modais, mas o sistema precisa ser organizado. Os aplicativos são importantes, especialmente para a última milha, mas precisam ser integrados ao planejamento — destacado.

Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes:

— Integração física e tarifária é o básico, é cartilha de transporte. Sem capilaridade e abrangência, o sistema não funciona na metrópole — disse.

Lauro Silvestre, subsecretário de Tecnologias em Transportes da SMTR-Rio:

— Com os dados, a gente começa a entender origem e destino e melhoria do planejamento. Passamos a criar linhas que de fato a população precisa — disse.

Cristina Albuquerque, especialista em mobilidade urbana:

— Transporte coletivo não pode ser a última opção, precisa ser uma escolha. A tarifa do passageiro não sustenta o sistema. Sem subsídio, o transporte fica caro e perde usuários— afirmou.

Guilherme Ramalho, presidente do MetrôRio:

— A integração tarifária é o que permite ao cidadão escolher o melhor caminho, não o mais barato — disse.