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Defesa de Jairinho não descarta abandonar novo júri do caso Henry caso todas as provas não sejam disponibilizadas

Julgamento foi adiado para 25 de maio após advogados deixarem o plenário; pena para o ex-vereador e para Monique Medeiros, mãe do menino, pode chegar a 50 anos de prisão para cada um

Agência O Globo - 24/03/2026
Defesa de Jairinho não descarta abandonar novo júri do caso Henry caso todas as provas não sejam disponibilizadas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Jairinho explicaram, na saída do Tribunal do Júri nesta segunda-feira, que deixaram apenas o julgamento ocorrido nesta data (quando anunciaram que abandonariam o plenário), mas que seguiram na defesa do cliente. O argumento da defesa é que não houve acesso à integralidade das provas, o que é exemplificado, segundo os advogados, pelo caderno do último Leniel Borel — pai de Henry Borel, menino de 4 anos morto em 8 de março de 2021 —, ao qual teve acesso na sexta-feira. O conteúdo do computador, segundo a defesa do ex-vereador, foi selecionado e não disponibilizado em sua integralidade, feito a partir da análise de um perito contratado pelos advogados do ex-vereador.

Caso Henry:

Mãe e ré no caso,

— Não foi surpresa para ela (juíza Elizabeth Louro). Avisamos a ela (em reunião na última quinta-feira): “excelência, se não tivermos a integralidade de todas as provas, nós nem vamos aparecer nessa sessão”. E foi combinado com ela lá que cederia todo o conteúdo dessa prova digital que estava faltando. O perito Júlio Luz constatou que a Polícia Civil pinçou apenas contatos e e-mails desse notebook e nos passou. O conteúdo grosso não foi cedido a essa defesa — afirmou o advogado Fabiano Lopes, que defende Jairinho. — Nós precisamos de paridades de armas, e isso não está acontecendo. O Jairinho pode ser condenado, pode ser absolvido, isso faz parte do processo, porém o que essa defesa exige é que tudo aconteça conforme as regras do Código de Processo Penal, o que não está acontecendo.

Mesmo depois da decisão da juíza Elizabeth Louro, do II Tribunal do Júri, de que a próxima sessão será conciliada mesmo com o abandono dos advogados, com a Defensoria Pública assumindo o caso, Fabiano Lopes reforça que a defesa de Jairinho voltará a abandonar o plenário caso sigam, como entende, sem acesso total às provas.

Caso Henry Borel:

— O cliente tem a capacidade de escolher a defesa que ele quer, inclusive de não aceitar a defesa. Mas até para demonstrar que esta defesa tem coerência, por que hoje não teve a integralidade de tudo e não fizemos o júri, em data posterior sem essa mesma integralidade nós vamos fazer? — sustentou o advogado. — Já estamos avisando, se não tiver integralidade das provas, provavelmente também não terá júri.

Monique grava

O julgamento pela morte do menino Henry Borel — ocorrido em 8 de março de 2021 — foi adiado nesta segunda-feira, após os advogados do ex-vereador Dr. Juíza responsável pelo caso, Elizabeth Louro classificou a ação como “abandono ilegítimo” e marcou para 25 de maio a retomada do júri.

Caso Henry Borel:

Na decisão, ela determinou ainda o relaxamento da prisão de Monique Medeiros, com expedição de alvará de soltura, para entender que manter-la no presídio significaria um “constrangimento legal”, já que ela não contribuiu para o adiamento. Jairinho, por sua vez, ficará preso. Após a interrupção da sessão, tanto ele quanto Monique comemorou o final, enquanto o pai do menino, o engenheiro e vereador Leniel Borel, choraram.

O advogado de Jairinho entende ainda como “correta” a soltura de Monique Medeiros porque concorda com o excesso de prazos.

Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021. Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, responde por homicídio qualificado, tortura e coação. Monique é acusada de homicídio por missão avançada, tortura e coação. Ambas as acusações têm o agravamento das agressões ocorridas em ambiente familiar e a vítima menor de 14 anos. Se forem condenados, a pena pode chegar a mais de 50 anos de prisão para cada um.