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Caso Henry: advogados de Jairinho abandonam julgamento

Juíza indeferiu pedido da defesa de Jairinho para suspender o julgamento

Agência O Globo - 23/03/2026
Caso Henry: advogados de Jairinho abandonam julgamento
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Pouco depois do julgamento começar, Os advogados do Dr. Jairinho anunciaram que irão abandonar o plenário. A juíza Elizabeth Louro, que havia ordenado a suspensão da transmissão do julgamento por gravação pela imprensa, questionou o advogado Zanone Júnior se tinha certeza da decisão.

Segredos do crime:

Caso Henry:

— Absoluta.

Ele respondeu:

Na plateia, houve burburinho. Os presentes vieram a cochichar e ocorreram até um coro de “Ahhhhhh”. O representante do Ministério Público lamentou esse abandono. A defesa de Leniel Borel, que se disse triste com a decisão da defesa de Jairinho, reiterou que irá pedir que a Defensoria Pública passe ao defensor Jairnho em caso de novo abandono — a fala do advogado foi aplaudida pela plateia, que acabou repreendida pela juíza

O julgamento logo no início, a defesa de Jairinho pediu a suspensão do julgamento para que os advogados possam ter acesso total às provas. O pedido foi feito pelo advogado Fabiano Lopes. Já o advogado Zanone Júnior, que também defende o ex-vereador, apontou “30 nulidades” no processo. Entre elas, a de que o conteúdo do caderno do engenheiro e vereador Leniel Borel, pai de Henry, foi selecionado e filtrado antes de ser disponibilizado acesso às defesas.

O argumento é baseado na análise de um perito consultado pela defesa de Jairinho, que apontou a “prévia seleção de marcadores”. Foi apontado ainda que a defesa do ex-vereador “não teve condições prazais de fazer a análise” do conteúdo de um celular da marca Xiomi. Zanone, como opção em caso de não suspensão, sugere que o processo seja desmembrado, com julgamentos diferentes para Monique e Jairinho.

A defesa de Monique se manifestou contrariamente ao adiamento do júri.

A juíza Elizabeth Louro indeferiu os pedidos de defesa de Jairinho. Já sobre o pedido de desmembramento do julgamento, a magistrada da pontuosa que a “cisão seria impossível”, já que as acusações estão “intrinsecamente vinculadas”.

'A condenação é o mínimo'

Leniel Borel falou com a imprensa por dez minutos, antes de entrar no Tribunal de Justiça. Com uma foto dele e do filho estampando a camisa que usava por baixo do paletó, ele foi recebido por Sônia Fátima Moura, mãe de Elisa Samudio, que se diz “solidária a todas as vítimas de violência”. Leniel afirma que quer saber o que aconteceu no apartamento de Monique e Jairinho na madrugada de 8 de março de 2021, quando o menino morreu.

— A previsão é o mínimo para aqueles dois monstros — afirmou Leniel. — Esse júri precisa me responder: três pessoas entraram vivas apartamento naquele momento, dois adultos e uma criança. Horas depois saem dois adultos (vivos) e uma criança morta. O que aconteceu com meu filho naquele apartamento?

Assistente de acusação, o advogado Cristiano Medina da Rocha, sustenta que as provas são “irrefutáveis” e que Jairinho “torturou de forma cruel” o enteado, que tinha 4 anos. O advogado pontua ainda que o crime só aconteceu por Monique “ter abdicado do dever sagrado de proteção o seu filho para ter uma vida de luxo” ao lado do então vereador Dr Jairinho, que teve o mandato cassado em 2021. Medina afirma que confia que Jairinho e Monique sairão condenados do Tribunal do Júri.

Morte de Henry Borel:

— Estamos vendo, nos últimos dias, manobras da defesa de Jairo no sentido de tentar adiar este julgamento. Está muito claro para toda a sociedade que são manobras protelatórias, que Jairo e sua defesa estão com medo deste julgamento — afirma Medina.

A defesa de Jairinho, por sua vez, defende que o cliente é inocente.

— (Jairinho) Está ótimo. Ele é inocente e está triste. Cinco anos sem cárcere, quem ficaria feliz? Mas está confiante, firme no povo do Rio de Janeiro, nos jurados, mas não há como adentrarmos naquele plenário e, de forma decidiosa e temerária, tocarmos essa liturgia — disse o advogado Zanone Júnior, sustentando que o cliente e Monique são inocentes.

Já a defesa de Monique sustenta que o “verdadeiro responsável” pelo homicídio é Jairinho.

— Estamos muito confiantes nisso e também na Justiça. E, em segundo lugar, a nossa expectativa também é demonstrar a inocência de Monique Medeiros, que ela nunca foi omissa, o que ela não teve foi tempo, e mostraremos isso através da extração de dados — afirmou a advogada Florence Rosa

Protesto e oração

Na porta do Tribunal de Justiça, há cerca de 15 pessoas protestando pela Justiça. Elas também se deram as mãos e fizeram uma oração. O grupo cumpriu Leniel Borel, pai de Henry, em sua chegada ao tribunal. O casal Hilário Teixeira Barreto e Elaine Estrela Barreto, pais de Marcelo Estrela, morto em 2016, trouxe faixas com o rosto do filho e de Henry.

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Henrique Borel

Quem é Monique Medeiros,

O laudo de necrópsia indicou que uma criança sofreu hemorragia interna e laceração hepática e apresentou equimoses, hematomas, edemas e contusões que não seriam compatíveis, segundo peritos, com um acidente doméstico, como queda. A defesa de Jairinho tenta impedir que esse laudo seja apresentado no julgamento. Segundo os advogados, o perito oficial modificou o laudo após debater o caso com uma outra perita que se disponibilizou para ajudar o pai do menino, “sob anonimato”. Leniel, o Ministério Público e a Polícia Civil negaram qualquer manipulação dos laudos.

Novo laudo

Em janeiro deste ano, a acusação apresentou um novo laudo, que reconstruiu o caso em 3D, concluindo que a morte de Henry foi provocada por agressões físicas e descartando as possibilidades de queda acidental. Elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), com assistência técnica do MP, o documento que descreve um padrão de lesões externas e internas incompatíveis com acidente doméstico.

Durante as investigações, a polícia recolheu outras 18 testemunhas, entre familiares, vizinhos e funcionários da família. Monique e Jairinho estão presos preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.