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Caso Henry Borel: julgamento de Jairinho e Monique começa com seis mulheres e um homem no júri

Agência O Globo - 23/03/2026
Caso Henry Borel: julgamento de Jairinho e Monique começa com seis mulheres e um homem no júri
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Começou, na manhã desta segunda-feira, no Tribunal de Justiça do Rio, o julgamento da professora Monique Medeiros e do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Os dois são réus pela morte do menino Henry Borel, dos quais eram mãe e padrasto, respectivamente. O júri é composto por seis mulheres e um homem.

Segredos do crime:

Caso Henry:

O engenheiro e vereador Leniel Borel, pai de Henry, falou com a imprensa por dez minutos, antes de entrar no Tribunal de Justiça. Com uma foto dele e do filho estampando a camisa que usava por baixo do paletó, ele foi recebido por Sônia Fátima Moura, mãe de Elisa Samudio, que se diz “solidária a todas as vítimas de violência”. Leniel afirma que quer saber o que aconteceu no apartamento de Monique e Jairinho na madrugada de 8 de março de 2021, quando o menino morreu.

— A condenação é o mínimo para aqueles dois monstros — afirmou Leniel. — Esse júri precisa me responder: três pessoas entraram vivas naquele apartamento, dois adultos e uma criança. Horas depois saem dois adultos (vivos) e uma criança morta. O que aconteceu com meu filho naquele apartamento?

Assistente de acusação, o advogado Cristiano Medina da Rocha, sustenta que as provas são “irrefutáveis” e que Jairinho “torturou de forma cruel” o enteado, que tinha 4 anos. O advogado pontua ainda que o crime só aconteceu por Monique “ter abdicado do dever sagrado de proteger o seu filho para ter uma vida de luxo” ao lado do então vereador Dr Jairinho, que teve o mandato cassado em 2021. Medina afirma que confia que Jairinho e Monique sairão condenados do Tribunal do Júri.

Morte de Henry Borel:

— Estamos vendo, nos últimos dias, manobras da defesa de Jairo no sentido de tentar adiar este julgamento. Está muito claro para toda a sociedade que são manobras protelatórias, que Jairo e sua defesa estão com medo deste julgamento — afirma Medina.

A defesa de Jairinho, por sua vez, defende que o cliente é inocente e pede o adiamento do julgamento por não ter tido acesso total ao conteúdo do notebook de Leniel Borel, conforme autorizado na última semana.

— (Jairinho) Está ótimo. Ele é inocente e está triste. Cinco anos no cárcere, quem ficaria feliz? Mas está confiante, acreditamos no povo do Rio de Janeiro, nos jurados, mas não há como adentrarmos naquele plenário e, de forma decidiosa e temerária, tocarmos essa liturgia — disse o advogado Zanone Júnior, que defende Jairinho, sustentando que o cliente e Monique são inocentes.

Protesto e oração

Na porta do Tribunal de Justiça, há cerca de 15 pessoas protestando por Justiça. Elas também se deram as mãos e fizeram uma oração. O grupo cumprimentou Leniel Borel, pai de Henry, em sua chegada ao tribunal. O casal Hilário Teixeira Barreto e Elaine Estrela Barreto, pais de Marcelo Estrela, morto em 2016, trouxe faixas com o rosto do filho e de Henry.

Justiça nega habeas corpus e

— A gente na vai perder a esperança na Justiça — diz Hilário

Henry Borel

Quem é Monique Medeiros,

O laudo de necrópsia apontou que a criança sofreu hemorragia interna e laceração hepática e apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões que não seriam compatíveis, segundo peritos, com um acidente doméstico, como queda. A defesa de Jairinho tenta impedir que esse laudo seja apresentado no julgamento. Segundo os advogados, o perito oficial modificou o laudo após debater o caso com uma outra perita que se disponibilizou a ajudar o pai do menino, “sob anonimato”. Leniel, o Ministério Público e a Polícia Civil negam qualquer manipulação dos laudos.

Novo laudo

Em janeiro deste ano, a acusação apresentou um novo laudo, que reconstruiu o caso em 3D, concluindo que a morte de Henry foi provocada por agressões físicas e descartando a hipótese de queda acidental. Elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), com assistência técnica do MP, o documento descreve um padrão de lesões externas e internas incompatível com acidente doméstico.

Durante as investigações, a policia ouviu outras 18 testemunhas, entre familiares, vizinhos e funcionários da família. Monique e Jairinho estão presos preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.