RJ em Foco
Defesa de Monique Medeiros afirma que ela está 'super abalada' e 'jamais foi omissa'
Manifestantes protestam em frente ao Tribunal de Justiça do Rio com camisas estampando o rosto de Henry
A menos de uma hora do início do júri que julgará a professora Monique Medeiros e o ex-vereador Dr. Jairinho pela morte do menino Henry Borel, de quem eram mãe e padrasto, respectivamente, a defesa de Monique reforçou que o “verdadeiro responsável” pelo crime seria Jairinho. A advogada Florence Rosa conversou com a imprensa na entrada do Tribunal de Justiça, no Centro do Rio.
Segredos do crime:
— Estamos muito confiantes nisso e também na Justiça. Nossa expectativa é demonstrar a inocência de Monique Medeiros, mostrar que ela jamais foi omissa. O que ela não teve foi tempo, e demonstraremos isso por meio da remoção de dados — afirmou a advogada.
Florence destacou ainda que o desaparecimento da babá de Henry, Thayná Oliveira, que não foi localizada pela Justiça, não impedirá o trabalho da defesa de Monique.
Morte de Henry Borel:
— Monique está super abalada pela perda do filho e também por ser responsabilizada pela morte dele. Ela enfrenta um estado depressivo, mas, por outro lado, está confiante de que a Justiça será feita — completou Florence Rosa.
Protestos
Em frente ao Tribunal de Justiça, manifestantes exibiram camisas com o rosto de Henry. O casal Hilário Teixeira Barreto e Elaine Estrela Barreto, pais de Marcelo Estrela, falecido em 2016, levou faixas com as imagens do filho e de Henry para apoiar Leniel Borel, pai do menino.
— A gente não vai perder a esperança na Justiça — declarou Hilário.
Laudos e investigações
O laudo de necrópsia apontou que Henry sofreu hemorragia interna, laceração hepática, além de apresentar equimoses, hematomas, edemas e contusões incompatíveis, segundo peritos, com um acidente doméstico, como uma queda. A defesa de Jairinho tenta impedir a apresentação desse laudo no julgamento, alegando que o perito oficial teria modificado o documento após discussão com outra perita, que teria colaborado anonimamente com o pai do menino. Tanto Leniel quanto o Ministério Público e a Polícia Civil negam qualquer manipulação dos laudos.
Em janeiro deste ano, a acusação recebeu um novo laudo, redigido pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit) com assistência técnica do Ministério Público. O documento reconstituiu o caso em 3D e concluiu que a morte de Henry foi provocada por agressões físicas, descartando a possibilidade de queda acidental. O laudo descreve um padrão de lesões externas e internacionais incompatíveis com acidente doméstico.
Durante as investigações, a polícia recolheu 18 testemunhas, entre familiares, vizinhos e funcionários da família. Monique e Jairinho seguem presos preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.
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