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Preso por agredir capivara na Ilha do Governador é reconhecido em outro ataque a animal

Testemunha afirma que Wagner da Silva Bernardo espancou uma capivara na semana passada e agrediu morador que tentou intervir; Ibama pode aplicar pela primeira vez multa prevista no decreto Cão Orelha, que pode chegar a R$ 1 milhão

Agência O Globo - 22/03/2026
Preso por agredir capivara na Ilha do Governador é reconhecido em outro ataque a animal

Um dos seis homens presos por agredir uma capivara na madrugada de sábado (21) na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, já havia espancado outro animal na mesma região uma semana antes. A informação é de uma testemunha que procurou a 37ª DP na noite de ontem e reconheceu Wagner da Silva Bernardo como um dos agressores. Segundo o depoente, ao tentar salvar a capivara no episódio anterior, foi agredido pelo suspeito.

O ataque neste sábado foi registrado por câmeras de segurança. A capivara passa bem, mas, afirmou o veterinário do Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras) da Estácio Vargem Pequena, Jeferson Pires. Segundo ele, o animal chegou ao centro com traumatismo craniano.

Os seis adultos presos são Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo. Dois menores também foram apreendidos.

Os maiores responderão pelos crimes de maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Já os adolescentes responderão por atos infracionais análogos aos crimes de maus-tratos e associação criminosa.

Segundo o g1, a Polícia Civil apura se os ataques são motivados por crueldade ou se os animais são abatidos para consumo da carne.

Multa inédita

Segundo o delegado Felipe Santoro, titular da 37ª DP (Ilha do Governador), o caso da capivara deve ser o primeiro em que o Ibama aplicará a multa prevista no, publicado na semana passada.

Batizado de "Justiça por Orelha", o nome da normativa relembra o caso do cão comunitário morto após sofrer agressões em Florianópolis em janeiro deste ano.

O decreto endurece penas para maus-tratos a animais e estabelece multas de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, valor que pode chegar a R$ 1 milhão dependendo dos agravantes. Antes do decreto, a legislação previa punições entre R$ 300 e R$ 3 mil.

Estado do animal

Segundo o veterinário responsável, a capivara estava reativa ao chegar ao centro de tratamento e precisou ser sedada, apesar do estado grave. O exame confirmou traumatismo craniano, edemas na cabeça e sangramento nasal.

Na manhã deste domingo (22), o quadro havia melhorado. "Está de pé, mais alerta, mais responsiva, reagindo à aproximação", afirmou o veterinário. Ao GLOBO, ele ressaltou que o animal não está fora de risco:

-- Sabemos que ainda tem risco de evoluir de maneira negativa, mas, pelo menos pela madrugada, teve uma ótima evolução.

A próxima semana será decisiva, afirma. Além do traumatismo craniano, a capivara pode apresentar necrose na musculatura, condição que pode se manifestar até um mês após o ocorrido, e até perder a visão do olho afetado pela agressão. Por isso, um prognóstico mais seguro só será possível entre 10 e 15 dias.

-- Se ela evoluir muito bem, sai daqui a duas semanas --, afirmou Pires. Por enquanto, permanece em observação.

Segundo Pires, trata-se de um macho adulto de grande porte, entre 60 e 65 quilos, o tamanho máximo que a espécie costuma atingir. Pela idade e pelo físico, o animal pode ser o líder do bando ao qual pertencia.

Entenda o caso

A ação policial que prendeu os suspeitos aconteceu logo após relatos de uma moradora, quando as equipes da unidade iniciaram a investigação, que resultou na detenção dos envolvidos em flagrante, informou a polícia. A 37ª DP segue com as investigações para mais esclarecimentos sobre o caso.

O delegado Felipe Santoro destacou: “Trata-se de um crime brutal, que choca a sociedade. Verificamos que o animal estava no local sem oferecer qualquer risco a terceiros, e ainda assim foi deliberadamente atacado. Os envolvidos aguardaram a presença do animal para praticar a agressão até a morte. Eram oito pessoas contra um animal completamente indefeso. É um ato de extrema crueldade contra um ser que não representava ameaça alguma, encontrando-se acuado e vulnerável.”

O que aconteceu com a capivara no Rio?

O animal estava caminhando na rua por volta de 1h19, quando o grupo de agressores surgiu logo atrás carregando os barras de ferro e/ou madeira, disse a polícia. A ação foi capturada por câmeras de segurança. O sistema Civitas, programa de videomonitoramento e inteligência da prefeitura do R o, também ajuda na recuperação e análise das imagens. Nelas, é possível ver que a capivara tentou fugir, mas foi perseguida, cercada e atacada pelos homens.

Depois, o animal ainda corre por alguns metros, mas cai após ser agredido várias vezes. Quando a capivara desaba, os criminosos fogem do local. De acordo com o portal de notícias G1, moradores contaram que o animal ficou gravemente ferido após ser atacado.

"Nas imagens, assistimos a uma covardia terrível contra o pobre animal. Eles batem, agridem. É um ódio incontrolável contra o animal, contra a vida, a natureza, que precisa ser denunciado, investigado e punido", lamentou o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, vereador Vitor Hugo (MDB).