RJ em Foco
Macho, adulta e líder do bando: saiba mais sobre a capivara agredida na Ilha do Governador
Animal passa bem, mas risco de morte e de perda de visão seguem no radar dos veterinários
Com 65 quilos, porte máximo da espécie, a capivara atacada na Ilha do Governador na madrugada de sábado (21), na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, era provavelmente o líder do bando local. O animal segue internado no Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras) da Estácio Vargem Pequena e passa bem, embora continue em risco de morte e possa perder a visão de um olho, afirmou ao GLOBO o veterinário responsável pelo animal, Jeferson Pires.
Seis homens foram presos e dois menores apreendidos pela 37ª DP, no Guarabu. O ataque foi registrado por câmeras de segurança.
Ao chegar ao Cras, em estado grave, a capivara estava reativa e precisou ser sedada. O diagnóstico revelou marcas de pancada na cabeça e no dorso, sangramento nasal, edema conjuntival significativo e sangue dentro do olho. O animal também apresentou nistagmo, uma movimentação rítmica dos olhos que indica traumatismo craniano.
Pela manhã deste domingo (22), o nistagmo havia reduzido, sinal de melhora neurológica.
-- Está de pé, mais alerta, mais responsivo, reagindo à aproximação.
Além do traumatismo craniano, o veterinário alertou para outro risco: a miopatia de captura, condição que pode se manifestar até um mês após o ocorrido. Um prognóstico mais seguro só será possível entre 10 e 15 dias.
-- Se ela evoluir bem, sai daqui a duas semanas --, afirmou o veterinário, relembrando que o animal permanece em observação.
O veterinário não conseguiu estimar a idade da capivara, mas destacou seu porte: entre 60 e 65 quilos, o máximo que a espécie costuma atingir, com excelente estado corporal. Por ser um macho adulto em plena atividade reprodutiva, provavelmente ocupava posição de liderança no bando. Em vida livre, capivaras vivem entre oito e dez anos; em cativeiro, podem chegar a quinze.
O presidente da Comissão de Defesa dos Animais, Luiz Ramos Filho, afirmou que acionou a prefeitura para fazer o resgate ao receber a informação. “Foi um choque tremendo ver as imagens do espancamento desse pobre animal, depois do caso do cão Orelha”.
Entenda o caso
A ação policial que prendeu os suspeitos aconteceu logo após relatos de uma moradora, quando as equipes da unidade iniciaram a investigação, que resultou na detenção dos envolvidos em flagrante, informou a polícia. A 37ª DP segue com as investigações para mais esclarecimentos sobre o caso.
Os maiores responderão pelos crimes de maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Já os adolescentes responderão por atos infracionais análogos aos crimes de maus-tratos e associação criminosa. O delegado Felipe Santoro destacou:
“Trata-se de um crime brutal, que choca a sociedade. Verificamos que o animal estava no local sem oferecer qualquer risco a terceiros, e ainda assim foi deliberadamente atacado. Os envolvidos aguardaram a presença do animal para praticar a agressão até a morte. Eram oito pessoas contra um animal completamente indefeso. É um ato de extrema crueldade contra um ser que não representava ameaça alguma, encontrando-se acuado e vulnerável.”
O que aconteceu com a capivara no Rio?
O animal estava caminhando na rua por volta de 1h19, quando o grupo de agressores surgiu logo atrás carregando os barras de ferro e/ou madeira, disse a polícia. A ação foi capturada por câmeras de segurança. O sistema Civitas, programa de videomonitoramento e inteligência da prefeitura do R o, também ajuda na recuperação e análise das imagens. Nelas, é possível ver que a capivara tentou fugir, mas foi perseguida, cercada e atacada pelos homens.
Depois, o animal ainda corre por alguns metros, mas cai após ser agredido várias vezes. Quando a capivara desaba, os criminosos fogem do local. De acordo com o portal de notícias G1, moradores contaram que o animal ficou gravemente ferido após ser atacado.
"Nas imagens, assistimos a uma covardia terrível contra o pobre animal. Eles batem, agridem. É um ódio incontrolável contra o animal, contra a vida, a natureza, que precisa ser denunciado, investigado e punido", lamentou o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, vereador Vitor Hugo (MDB).
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