RJ em Foco
TJRJ registra aumento no número de vítimas de discriminação em busca por justiça
Dados foram divulgados em memória ao Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado neste sábado
Cresceu o número de ações envolvendo crimes de intolerância, injúria racial, de cor e/ou etnia, conforme mostra um levantamento do Tribunal de Justiça do Rio. De 2021 até agora, foram distribuídos no Judiciário fluminense 930 processos relacionados com o tema. O aumento, segundo o órgão, demonstra que as vítimas estão reagindo aos ataques, buscando justiça com o amparo das leis.
'Inaceitável', diz Amaerj, sobre acusação de ataque racista contra juíza;
Alvo de ataques,
Entre as vítimas que entraram com ação junto ao Judiciário fluminense, está a atriz Cacau Protásio, alvo de racismo, em 2019, durante a filmagem do longa ‘Juntos e Enrolados’ no Quartel Central do Corpo de Bombeiros, no Centro do Rio. Após a gravação, circularam áudios e vídeos em que bombeiros reclamavam da presença da equipe no local e faziam comentários racistas, homofóbicos e gordofóbicos em relação à atriz e ao elenco. O caso chegou à Justiça e o Estado do Rio foi condenado a pagar indenização no valor de R$ 80 mil à artista.
A juíza Leidejane Chieza, gestora pelo TJRJ do Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial e membro do Comitê de Promoção de Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação no 1º Grau de Jurisdição (Cogen 1º Grau), reconhece que a luta é longa, mas vitórias vêm sendo obtidas.
Após seis anos,
Ela lembrou, por exemplo, a recente resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinando a adoção do Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial. Para ela, a medida é imprescindível para promover um sistema de justiça efetivamente equitativo, principalmente em sociedades marcadas por desigualdades estruturais decorrentes do racismo histórico.
— Ao orientar a atuação jurisdicional no sentido de reconhecer e considerar os impactos das disparidades raciais nas trajetórias dos indivíduos, este instrumento contribui para a superação de vieses discriminatórios, muitas vezes reproduzidos de forma implícita nas decisões judiciais. O protocolo não apenas qualifica a prestação jurisdicional, mas também reafirma o compromisso do Estado com a eliminação da discriminação racial e a efetivação dos direitos fundamentais .Esse compromisso é apenas uma das armas usadas na nossa luta — destaca.
Jovem vítima de racismo por alunos do Franco-Brasileiro
Em outro episódio, a Justiça do Rio condenou o colégio Liceu Franco-Brasileiro, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, a pagar indenização de cerca de R$ 80 mil, por danos morais por falhas no enfrentamento a práticas racistas ocorridas no ambiente escolar. A condenação se refere ao episódio de racismo contra uma aluna da instituição. As ofensas ocorreram em 2020 e três adolescentes foram indiciados pela polícia por mensagens racistas em uma conversa de aplicativo. Dois foram indiciados por fato análogo aos crimes de racismo e injúria racial e o terceiro por fato análogo ao crime de injúria racial.
Data histórica
Os dados foram divulgados por ocasião do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado neste sábado. A data faz alusão a um triste episódio da humanidade: em 1960, na África do Sul, 20 mil negros protestavam contra uma lei que limitava os lugares por onde podiam circular. A manifestação era pacífica, mas tropas do exército atiraram contra a multidão, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Sharpeville. Em memória às vítimas da tragédia, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 21 de março como o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.
O desembargador Wagner Cinelli, presidente do Cogen 1º Grau, reforçou a importância da data e destacou ações diferenciadas desenvolvidas pelo Tribunal de Justiça do Rio com foco na conscientização e no letramento racial, como as visitas guiadas de magistrados do Brasil e de Angola ao Instituto Pretos Novos (IPN), espaço de memória e reflexão sobre a escravidão no Brasil.
— O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial é um reforço à necessidade de enfrentar desigualdades históricas e estruturais, cabendo ao Judiciário assegurar a aplicação da lei com promoção da igualdade material e combate efetivo a práticas discriminatórias — afirma.
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