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Luiz Calainho relembra gravação de Michael Jackson no Rio durante o verão de 1996

Empresário era vice-presidente da Sony e revive bastidores do clipe do astro americano no Dona Marta

Agência O Globo - 20/03/2026
Luiz Calainho relembra gravação de Michael Jackson no Rio durante o verão de 1996
Luiz Calainho

Em uma festa no histórico Rio Palace, após gravar o clipe de “They Don't Care About Us” em 1996, Michael Jackson afirmou ao empresário Luiz Calainho, então vice-presidente da Sony: “Senti uma energia nessa cidade como em nenhum outro lugar do mundo”. Essa é a lembrança que encerra o especial do GLOBO “Mil e uma histórias de verão” , no qual personalidades conjuntamente memórias marcantes da estação, que chega ao fim nesta sexta-feira.

— Para mim, foi muito marcante. À época, eu já era vice-presidente da Sony. Soubemos do interesse depois de recebermos um malote de Spike Lee (diretor de cinema e do clipe “They Don't Care About Us”). Veio uma espécie de storyboard para a gente se preparar — recorda Calainho, ressaltando que as negociações começaram quase um ano antes, em 1995.

O astro ficou hospedado no Rio Palace, lendário hotel da Avenida Atlântica, onde hoje funciona o Fairmont.

— Era uma equipe gigantesca. Fomos buscá-los e todos seguiram para a Dona Marta. Michael foi minucioso, parou, discutiu conosco e com Spike Lee. A gravação durou cerca de cinco horas. A sorte é que o dia não estava tão quente — relembrando.

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Segundo relatos, Spike Lee chegou ao Rio meses antes e chegou a conversar com a liderança da facção que controlava o morro à época. Paralelamente à negociação conduzida por Lee, uma gravadora cuidou das tratativas com as forças de segurança do estado. Uma grande operação foi montada para que as equipes de produção pudessem ser instaladas na comunidade.

— Era uma grande estrela . Precisávamos cuidar de toda a estrutura — destaca Calainho.

As imagens do clipe inserido para a história da cultura mundial: Michael Jackson com a camisa do Olodum, da Bahia, coletado por lojas de moradores do Dona Marta. Uma curiosidade e o carinho das pessoas que ficaram na memória do cantor, falecido em junho de 2009:

— Ele terminou o clipe cansado e, claro, ultrafeliz. Fizemos uma grande festa no hotel e ele ficou encantado. Me relatou o quanto se sentiu acolhido. Ao falar das “good vibes”, ele quis dizer que recebeu do povo brasileiro (ele também gravou no Pelourinho, em Salvador) uma energia única. O resultado foi aquele videoclipe espetacular, registrado naquele verão inesquecível de 1996 — conclui Calainho.