RJ em Foco
Morador morto no Morro dos Prazeres é velado no Rio; amigos da pelada pagam translado do corpo para o Piauí
Leandro da Silva Sousa era apaixonado por futebol e deixa a mulher, que está muito abalada
Familiares e amigos se reúnem para a última despedida de Leandro da Silva Sousa, morador do Morro dos Prazeres, morto durante uma operação policial na comunidade. O velório ocorre na manhã desta sexta-feira, no Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro. Em seguida, o corpo será encaminhado para Milton Brandão, no Piauí, terra natal do ajudante de cozinha e onde residem seus pais. O translado foi custeado por amigos e colegas de futebol, que jogavam com Leandro duas vezes por semana no Aterro do Flamengo, com apoio do patrão.
Abalada e muito emocionada, a viúva Roberta Ferro Hipólito, de 32 anos, precisou ser amparada por familiares durante o velório. Irmãos da vítima também estiveram presentes para prestar as últimas homenagens.
Entre os amigos que compareceram está Mateus Pereira, conterrâneo de Leandro, que também se mudou para o Rio há dois anos e era vizinho do amigo de infância. Mateus acompanhava Leandro nas partidas de futebol às sextas-feiras e revelou que haverá uma homenagem ao amigo no jogo desta noite.
— É uma situação muito difícil. Quem perde é a família, somos nós, amigos, e também Milton Brandão, uma cidade pequena que vê um filho partir dessa forma, sem justificativa — desabafou Mateus. — Eu quero justiça.
O patrão de Leandro criticou duramente a ação policial no Morro dos Prazeres. Na última quarta-feira, a casa do ajudante de cozinha foi invadida por criminosos durante a operação. A viúva acusa agentes da PM, que também entraram no imóvel, de serem responsáveis pelo disparo que matou Leandro. A corporação alegou que reagiu a criminosos que teriam aberto fogo enquanto faziam Leandro e Roberta reféns. Roberta contesta a versão e afirma que os agentes utilizaram uma granada para arrombar a porta e entraram atirando.
— Ele era um funcionário exemplar, querido por todos. Não tenho o que dizer além disso. Sua morte foi resultado da irresponsabilidade da polícia e também da política, que transforma essas operações em palanque em ano eleitoral — criticou Leandro Bezerra, sócio do restaurante Tasca do Edgar, em Laranjeiras, onde o ajudante de cozinha trabalhava.
Policiais afastados
Na noite anterior, o Batalhão de Operações Especiais do Rio (Bope) determinou a transferência imediata de quatro policiais envolvidos na ação que resultou na morte de Leandro. Os agentes foram afastados do serviço operacional e realocados em funções administrativas, afastando-se do policiamento nas ruas durante o período de investigação. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Polícia Militar.
De acordo com nota oficial, a decisão foi tomada após análise preliminar das ações da última quarta-feira, que apontou irregularidades no uso das câmeras operacionais portáteis, de uso individual. As imagens relativas ao momento da invasão da casa não foram encontradas nos equipamentos, segundo apuração do GLOBO, e a causa da ausência das gravações ainda é desconhecida.
"O afastamento busca assegurar a apuração rigorosa e transparente dos fatos, em conformidade com as normativas que regulamentam a utilização dos equipamentos", diz o comunicado da corporação.
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