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Rio encerra verão com calor extremo, chuvas recordes e mais de 7 mil raios
Estação termina nesta sexta-feira após 35 dias de estresse térmico, o terceiro maior volume de chuva da série histórica e aumento significativo de descargas elétricas na cidade.
O verão se despede do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, marcando o início do outono sob um cenário de mudanças climáticas: queda nas temperaturas e previsão de pancadas de chuva. O fim da estação contrasta com seu início, quando o calor intenso predominou. Nos últimos meses, a cidade enfrentou recordes de estresse térmico, volume de chuva acima da média e um aumento expressivo de descargas elétricas.
Destaques do verão:
Dados do Sistema Alerta Rio apontam que o município passou 35 dias sob altos índices de calor, com sensação térmica variando entre 36°C e 40°C. Em janeiro, foram nove dias consecutivos de estresse térmico; em fevereiro, outros oito dias seguidos sob condições semelhantes. O pico de temperatura foi registrado em 12 de janeiro, quando os termômetros marcaram 41,4°C em Santa Cruz, Zona Oeste.
O índice de calor, que combina temperatura e umidade relativa do ar, é utilizado pela prefeitura para classificar níveis de desconforto térmico e orientar ações de mitigação. O monitoramento é realizado pelo Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR), em parceria com órgãos municipais.
Além das altas temperaturas, o verão foi marcado por chuvas intensas. O acumulado atingiu 662,8 milímetros, tornando esta a terceira estação mais chuvosa da série histórica do Alerta Rio, superada apenas pelos verões de 2009/2010 e 2012/2013. O volume ultrapassou com folga a média histórica de 425,7 mm, impulsionado especialmente pelo mês de fevereiro, o mais chuvoso desde 1997 na cidade.
As chuvas impactaram a rotina do município. Ao longo da estação, o Rio entrou nove vezes em estágios operacionais elevados, com destaque para 9 de fevereiro, quando a cidade atingiu o Estágio 3 pela primeira vez em dois anos. Na ocasião, sirenes da Defesa Civil foram acionadas em comunidades de áreas de risco.
Segundo a meteorologista-chefe do Alerta Rio, Raquel Franco, a combinação de fatores atmosféricos explica o comportamento do verão. Entre eles, a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que favorece chuvas persistentes, além de bloqueios atmosféricos e sistemas de alta pressão, associados a ondas de calor.
Mais de 7 mil raios
Outro dado relevante foi o número de raios registrados. O sistema de monitoramento da prefeitura identificou 7.724 descargas elétricas na cidade — quase o triplo do verão anterior, que contabilizou cerca de 2.500. O recorde, porém, ainda pertence ao verão de 2022/2023, com aproximadamente 9.500 ocorrências.
De acordo com a meteorologista, a maior incidência de raios está relacionada às condições típicas da estação, como calor e alta umidade, que favorecem a formação de tempestades. O monitoramento em tempo real dessas descargas auxilia na previsão de curto prazo e na emissão de alertas à população.
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