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Viúva de homem morto no Morro dos Prazeres pretende voltar para o Piauí: 'Aqui eu só tinha ele'

Casal economizava para retornar ao convívio da família no Piauí e realizar o sonho de ter um filho juntos. Leandro nasceu em Milton Brandão, onde seus pais ainda residem.

Agência O Globo - 19/03/2026
Viúva de homem morto no Morro dos Prazeres pretende voltar para o Piauí: 'Aqui eu só tinha ele'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O sonho de recomeçar no Piauí foi interrompido por uma tragédia. O tiro que matou Leandro da Silva Sousa, de 30 anos, durante uma operação policial no Rio Comprido, frustrou os planos dele e de sua esposa, Roberta Ferro Hipólito, de 32 anos, de retornarem ao estado natal e constituírem uma família. Roberta já é mãe de dois adolescentes de outro relacionamento, que vivem com seus familiares no Nordeste.

Planos interrompidos

O casal vinha juntando dinheiro para voltar a morar perto dos parentes e só então realizar o desejo de terem um filho juntos. Leandro nasceu em Milton Brandão, cidade onde seus pais ainda vivem. Ele também tem irmãos no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo um irmão gêmeo.

Roberta, natural de Valença do Piauí, está sozinha no Rio. Ela pretende retornar à sua terra natal assim que conseguir resolver o sepultamento do marido. O casal se conheceu há cerca de três anos, quando Roberta morava em Brasília, e o relacionamento começou pela internet. Ela relembra o carinho do marido, que costumava esperá-la na volta do trabalho para caminharem juntos até em casa, de mãos dadas.

Despedida difícil

— Aqui eu só tinha ele. Estou recebendo o apoio da família dele, mas até meu companheiro foi tirado de mim. Não sei como vai ser minha vida sem ele. Mas sei que, de alguma forma, lá de cima, ele vai me dar forças. Ele sempre esteve ao meu lado e não vai ser agora que vai me abandonar — desabafa Roberta, que reforça o desejo de voltar ao Piauí assim que conseguir resolver as questões do sepultamento.

A família deseja levar o corpo de Leandro para ser enterrado em sua cidade natal, a pedido dos pais. No entanto, a ausência dos documentos, que teriam sido levados durante a operação policial, dificulta a liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal.

— Queríamos, ao menos, os documentos dele para enviar o corpo aos pais, para que possam se despedir e garantir um enterro digno em sua terra — lamenta Roberta.

Solidariedade e despedida

Leonardo da Silva Sousa, irmão gêmeo de Leandro, também já morou no Morro dos Prazeres, mas há nove meses mudou-se para o Jardim Jaqueline, em São Paulo, fugindo da violência. Ele lamentou profundamente a morte do irmão: "A gente era unha e carne", afirmou.

Dos 11 irmãos, agora restam 9, após a morte de Leandro e de outro irmão já falecido. A maioria da família migrou para São Paulo em busca de melhores condições de vida.

Para ajudar no translado do corpo ao Piauí, amigos de Leandro organizaram uma vaquinha virtual via Pix em um grupo de WhatsApp, atendendo ao desejo dos pais de sepultá-lo em sua terra natal.