RJ em Foco
MPRJ solicita imagens de câmeras corporais usadas por PMs do Bope em operação no Morro dos Prazeres
Ação deixou oito mortos, incluindo um morador; Ministério Público e Corregedoria investigam conduta policial
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ) informou, nesta quinta-feira, que solicitou as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) durante a operação que resultou em oito mortes no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, região central do Rio. Entre as vítimas está Leandro da Silva Sousa, morador que teve a casa invadida por traficantes e foi morto com um tiro na cabeça durante o cerco policial.
Apuração das mortes
A 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro fica responsável pela apuração do caso. Paralelamente, a Promotoria de Auditoria Militar também solicitou imagens das câmeras corporais de todos os policiais militares envolvidos, além de demais informações para a Corregedoria da Polícia Militar (CGPM) para análise.
Versões divergentes
De acordo com o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, e o comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, a corporação tentou negociar, por cerca de 15 minutos, a rendição de seis traficantes que invadiram uma residência durante a operação. Segundo os oficiais, os criminosos cometeram tiros e um dos tiros teria atingido o morador Leandro. A versão da PM é de que os policiais do Bope apenas reviveram os disparos.
Já Roberta Ferro Hipólito, viúva de Leandro, apresentou uma versão diferente. Segundo ela, os criminosos prometeram se entregar, mas a polícia invadiu o imóvel com uso de granada e disparos de arma de fogo. Roberta também relatou que um policial tentou induzi-la a mentir em depoimento, alegando que dissesse à Polícia Civil que um bandido havia sido atirado em seu marido.
Investigação interna e operação
A Polícia Militar informou, por meio de nota, que instaurou procedimento interno para apurar os fatos ocorridos durante a operação. Questionada sobre o uso de câmeras corporais pelos PMs e a apreensão das armas utilizadas, a corporação não respondeu aos questionamentos da reportagem.
A operação, deflagrada na quarta-feira, tinha como objetivo capturar o traficante Cláudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló, que possuía 135 passagens pela polícia e 13 mandados de prisão em aberto. Jiló foi localizado em um matagal na parte alta do Morro dos Prazeres, foi baleado durante troca de tiros, socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
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