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Prefeitura cede prédio do Automóvel Club para Museu do Petróleo e Novas Energias após 22 anos de abandono
Com presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, acordo com o IBP marca novo destino do edifício histórico na Cinelândia, em reforma desde 2023
Após 22 anos de abandono, o imponente prédio do antigo Automóvel Clube do Brasil, na Rua do Passeio, no Centro do Rio, será transformado no Museu do Petróleo e Novas Energias, o primeiro com o tema da América Latina. A cessão gratuita do imóvel foi firmada na quarta-feira entre a Prefeitura do Rio e o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) durante uma cerimônia no edifício. Está previsto que as programações só comecem em 2028.
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No vídeo de apresentação, o museu é descrito como um espaço voltado para divulgação científica e à educação, com foco em aproximar o público das transformações no setor energético. A proposta inclui experiências interativas, áreas para eventos e conteúdos sobre inovação, como a exploração do pré-sal e o desenvolvimento de novas fontes de energia.
O projeto prevê ainda a revitalização do edifício histórico, com intervenções como a adaptação do térreo ao nível da rua, a criação de novos acessos e a requalificação de áreas anexas. Com caráter multiuso, o espaço foi pensado para se integrar à dinâmica da cidade e funcionar como um polo cultural, reunindo iniciativa pública e privada em torno do debate sobre o futuro da energia.
Participaram da cerimônia o prefeito Eduardo Paes e o vice Eduardo Cavaliere, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o diretor-executivo de Exploração e Produção do IBP, Claudio Nunes, o presidente do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), Ricardo Piquet, e o presidente da CNOOC Petroleum Brasil, Huang Yehua.
Paes destacou o simbolismo do momento e relembrou a trajetória do prédio, iniciada ainda no Império, com a presença de Dom Pedro II, e que ao longo do tempo abrigou diferentes instituições e acompanhou a história da cidade e do país.
— Mais do que um prédio bonito, é um lugar onde a história do Brasil passou. E hoje a gente está dando a ele um novo tempo, que tem tudo a ver com a vocação do Estado do Rio de Janeiro — afirmou.
O prefeito ressaltou o protagonismo do estado na produção de petróleo, responsável por cerca de 87% da produção nacional, e destacou que o museu também terá o papel de preservar a memória do setor, ao mesmo tempo em que dialoga com temas como transição energética e inovação.
— É importante olhar para o futuro, para a transição energética e as novas tecnologias. Fazer isso dentro de um prédio como este tem um significado especial — disse.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, enfatizou o protagonismo do Brasil na exploração em águas profundas e ultraprofundas, destacando que o país se tornou referência mundial nesse tipo de produção e que o estado responde por cerca de 90% da operação nacional. Segundo ela, essa trajetória é refletida diretamente na concepção do museu.
— A história do petróleo no Brasil é uma história digna de ser contada para o mundo. As novas gerações precisam ter noção dessa trajetória, que levou o país de uma grande dependência para uma indústria de ponta, com tecnologia inigualável e um dos principais produtos de exportação — afirmou.
Magda também ressaltou a importância das parcerias para viabilizar o projeto e classificou o momento como simbólico, marcado por emoção e expectativa em relação ao futuro do museu.
Paes afirmou que esta é a primeira vez que se realiza a cessão gratuita de um imóvel desse porte, acrescentando que a prefeitura será responsável por parte da restauração, incluindo elementos históricos do edifício.
Antigas promessas
Antes de ganhar novo destino, o imóvel acumulou uma série de promessas que não saíram do papel. Em julho de 2021, o prefeito Eduardo Paes afirmou que havia a possibilidade de uma rede hoteleira assumir o prédio. À época, porém, não foram apresentados prazos para obras ou intervenções, e a proposta não avançou.
— Nós estamos negociando. Ali, há alguns anos, o vereador e ex-prefeito César Maia tomou uma atitude importante ao trazer aquele patrimônio para o município, mas não conseguiu viabilizar nada que despertasse o interesse do setor privado. Agora, uma grande rede hoteleira visitou o imóvel e está disponível a possibilidade de um empreendimento, como uma rede de hostels. Neste momento, estamos tentando conter invasões e ocupações — disse Paes, na ocasião.
Em dezembro de 2024, a prefeitura voltou a apresentar um novo plano: transformar o prédio em um centro de economia verde e finanças. A proposta, mais uma vez, não avançou.
O imóvel chegou a ser incluído na lista de 324 bens em um projeto de lei enviado pelo Executivo à Câmara Municipal, em regime de urgência durante o recesso de fim de ano, que previa a venda desses imóveis.
Mais de 160 anos de história
Tombado desde 1965 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, o prédio do Automóvel Club do Brasil, na Rua do Passeio, foi projetado no século XIX por Manuel de Araújo Porto-Alegre. O imóvel começou a ganhar destaque ainda no período imperial, quando abrigou o Cassino Fluminense, um dos principais salões de baile da época, frequentado pela elite e pela família imperial. Inaugurado em 1860 após reformas que lhe deram características neoclássicas, também chegou a sessões preparatórias do Congresso após a Proclamação da República, em 1890.
A partir de 1900, passou a ser ocupado por clubes ligados aos primeiros proprietários de automóveis da cidade, até se tornar sede do Automóvel Club do Brasil, em 1924. Em 30 de março de 1964, o prédio entrou para a história ao receber o último discurso do presidente João Goulart, em um evento considerado um dos marcos que antecederam o golpe militar.
Nas décadas seguintes, o imóvel teve usos variados, incluindo um posto do Detran-RJ e, nos anos 1990, o Bingo Imperial. Em 2004, após passar para a administração municipal, foi esvaziado e ficou em situação de abandono.
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