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Após câmeras descarregadas em morte de médica, MPRJ cobra rigor no uso dos equipamentos e aponta falhas em operações policiais

Corporação afirma que agentes devem substituir equipamentos em caso de falha; policiais envolvidos seguem afastados, e caso está sob investigação.

Agência O Globo - 19/03/2026
Após câmeras descarregadas em morte de médica, MPRJ cobra rigor no uso dos equipamentos e aponta falhas em operações policiais
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Três PMs, nenhuma câmera corporal transmitida. A morte da médica Andrea Marins Dias, aos 61 anos, durante uma perseguição a suspeitos na Zona Norte do Rio, expôs o mau uso de equipamentos por agentes de segurança. Agora, em nota divulgada na tarde de quarta-feira, o Ministério Público do Estado do Rio informou que já solicita a preservação das imagens dos policiais envolvidos no caso e, em paralelo, expediu recomendações para corrigir falhas no uso dos equipamentos em operações no estado.

Despedida:

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O pedido foi enviado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), que também exigiu informações fornecidas à Polícia Militar sobre a atuação dos agentes na ocorrência, registrada no último domingo. A apuração do Ministério Público ocorre de forma independente do inquérito conduzido pela Polícia Civil.

No mesmo movimento, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, recebeu recomendações às secretarias de Polícia Militar, Polícia Civil e de Segurança Pública do Estado do Rio para que reforcem os protocolos de uso das câmeras corporais. A iniciativa tem como base, segundo o documento, inconsistências identificadas durante a chamada Operação Contenção, alvo de investigação do próprio MPRJ.

Entre as falhas apontadas pelo que estão a ausência de uso dos equipamentos por parte de policiais, equipes inteiras sem câmeras em funcionamento, agentes que iniciaram operações com dispositivos descarregados e a falta de baterias suplementares disponíveis durante as ações. Também foram identificados problemas no planejamento prévio das operações, incluindo a distribuição das análises entre os agentes.

Nas recomendações, o MP orienta a adoção de medidas para garantir o uso eficaz das câmeras, como "o aprimoramento do planejamento operacional, a ampliação do número de equipamentos, o treinamento dos agentes e o fortalecimento dos mecanismos de controle e monitoramento", diz um trecho do documento.

A nota estabelece ainda prazos para algumas dessas medidas, incluindo a apresentação de um cronograma de ampliação do número de câmeras em até 90 dias e a disponibilização dos equipamentos para todo o efetivo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) em até 180 dias.

Além disso, o MPRJ determinou que, nos casos em que as câmeras não sejam utilizadas, as corporações deverão apresentar justificativa formal em até 24 horas.

'Não vai sair? Vai tomar! Vai morrer aí dentro!'

No domingo, a médica foi vista voltando em alta velocidade à rua onde moram seus pais, de onde havia saído pouco antes. Segundo relatos de moradores e comerciantes da região, os agentes fizeram mais de dez disparos antes de retirar a médica já sem vida de seu carro, um Corolla Cross. As informações foram obtidas pelo GLOBO junto com testemunhas que não preferem se identificar.

— Foram mais de dez disparos. Antes, deu para ouvir a polícia dizendo: 'Não vai sair? Vai tomar! Vai morrer aí dentro!' — relato de um comerciante.

Imagens mostram o momento em que policiais militares cercam o carro da médica e chegam a bater com um fuzil na porta do motorista. Ao abrirem o veículo, os agentes resgataram o corpo de Andrea no banco do motorista. Uma testemunha também registrada em vídeo a abordagem: "Desce, irmão! Vai morrer! Vai morrer, irmão, desce!", gritando um dos policiais.

Em São Gonçalo:

De acordo com o relato dos policiais do 9º BPM, uma equipe fez um patrulhamento de rotina quando foi informada por um pedestre de que ocupantes de um Corolla Cross fizeram assaltos na região. Os PMs foram buscar pelo carro. Nos cruzamentos das ruas Araruna e Cupertino, eles viram um Jeep Commander, um Corolla Cross e uma motocicleta.

Os veículos, segundo os policiais fluminenses, fugiram com a chegada da viatura. Os PMs alegaram que deram uma ordem de parada e que os ocupantes dos veículos, então, atiraram contra eles. Houve confronto, segundo os agentes.

Após rebocar ônibus da Prefeitura do Rio em Mesquita:

O Corolla Cross atingiu as ruas Eufrásio Corrêa, Columbia, Goiás, Cupertino, Mendes e, no início da Rua Palatinado, a poucos metros da casa dos pais, de onde ela teria saído um pouco antes, parou. O automóvel passou por uma perícia.

Na segunda-feira, durante uma visita à reportagem, uma patrulha da PM foi estacionada na entrada da via em que Andrea foi morta.

Em vídeo:

Mais cedo, ela teria passado em uma padaria para comprar um refrigerante. Segundo moradores, a médica segue para a casa dos pais para um almoço de domingo. Vizinhos afirmaram que Andrea cuidava sozinha dos dois, ambos idosos.

A PM destacou que os policiais que faziam parte da equipe estavam envolvidos na perseguição portava corporais. “Os dispositivos e as armas utilizadas pelos agentes estão à disposição do procedimento investigativo pela Polícia Civil”, diz a nota da corporação.