RJ em Foco
Campainha instalada em pilar dos Arcos da Lapa alertava traficantes sobre chegada da polícia
Esquema foi descoberto durante investigação que antecedeu a Operação Colmeia, deflagrada nesta terça-feira. Ação resultou em 17 presos. Chefes do bando seguem foragidos.
O bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, um dos pontos turísticos mais tradicionais da cidade, era utilizado pelo Comando Vermelho (CV) como base para o tráfico de drogas e contava com um sistema sonoro para alertar crimes sobre a aproximação da polícia. Um botão de campainha, instalado discretamente na base de um dos pilares dos Arcos da Lapa, era acionado por um integrante do bando sempre que uma patrulha se aproximava da Rua Joaquim Silva, acesso à esquina com a Travessa Mosqueira. No local funcionava uma boca de fumo improvisada em um casarão abandonado.
do Bope:
Os Arcos da Lapa ficam a cerca de 380 metros do quartel-geral da Polícia Militar e a 670 metros da sede da Secretaria de Polícia Civil.
O fio da campainha subia por um poste e seguia até outra edificação na esquina, onde estava o casarão usado pelo tráfico. O sistema improvisado tinha extensão de cerca de 50 metros e ficava próximo à Escadaria Selarón, um dos cartões-postais mais fotografados do Rio.
Descoberta e desarticulação:
O esquema operou por mais de um mês até ser descoberto por policiais da 5ª DP (Gomes Freire), em setembro do ano passado, durante as investigações que antecederam a Operação Colmeia, deflagrada na última terça-feira pela Polícia Civil, Polícia Militar e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro. A ação investigada na prisão de 17 suspeitos de envolvimento com o tráfico.
Crime organizado:
A quadrilha, que utilizava o sistema de alarme para monitorar a presença policial, era liderada pelos traficantes Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, e Anderson Venâncio Nobre de Souza, conhecido como Piu ou Português. Ambos tiveram as prisões decretadas pela Justiça e estão foragidos.
No casarão, protegido por tapumes para evitar a visão de curiosos, traficantes organizavam filas de usuários para a compra de cocaína, crack, maconha e drogas sintéticas. Os entorpecentes, provenientes do Morro Fallet/Fogueteiro, eram armazenados no segundo andar do imóvel e, após a venda, desciam ao térreo por meio de um barbante, sendo então entregues ao comprador.
De acordo com as investigações, o grupo de Abelha e Piu também cobrava taxas de vendedores ambulantes, que podiam chegar a R$ 130 por dia ou por semana, conforme a porta de cada barraca. A Operação Colmeia teve como alvo a estrutura do CV na Lapa e em comunidades vizinhas, como Fallet-Fogueteiro (Rio Comprido) e Morro dos Prazeres (Santa Teresa).
Novas operações e confrontos:
Nesta quarta-feira, as mesmas comunidades foram novamente alvo de operação policial. O saldo foi de oito mortos, sendo sete suspeitos e um morador.
Na ação, conduzida pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas, dois revólveres e duas granadas.
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