RJ em Foco

Sete anos após chacina no Fallet, operação policial deixa seis baleados a poucos metros do local

Nesta quarta-feira, seis homens foram baleados em uma quitinete, a pouco mais de um quilômetro do local das mortes de 2019.

Agência O Globo - 19/03/2026
Sete anos após chacina no Fallet, operação policial deixa seis baleados a poucos metros do local
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Nesta quarta-feira, uma operação policial em cinco favelas controladas pelo Comando Vermelho, na região central do Rio, foi encontrada em seis homens baleados dentro de uma quitinete na parte baixa da Rua Barão de Petrópolis, no Rio Comprido. Imagens do imóvel, marcadas por fotos e sangue, circularam amplamente nas redes sociais. Apesar do impacto, a cena remete a um episódio semelhante ocorrido em fevereiro de 2019, um pouco mais de uma milha dali, quando policiais militares mataram nove suspeitos dentro de uma casa em um dos acessos ao Morro do Fallet.

Na ocasião, um vídeo de quatro minutos, gravado por um morador, registrado os corpos sendo colocados na caçamba de uma viatura, que agitou para o Hospital Souza Aguiar, no Centro. Todos chegaram à unidade já sem vida.

Guerra ao Comando Vermelho:

Treze policiais chegaram a ser acusados ​​pelo Ministério Público de terem ajudado para prejudicar a perícia no local. Contudo, para a Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), prevaleceu a versão dos agentes de que algumas vítimas ainda apresentavam sinais relacionados ao serem levadas para o hospital.

Segundo a investigação, os policiais dispararam 94 vezes com fuzis dentro da casa. Os nove homens atingidos receberam, ao todo, 30 tiros, sendo todos baleados pelo menos duas vezes. Em abril de 2024, a Auditoria Militar absolveu os policiais envolvidos.

Decisão judicial e investigação em andamento

Em sua decisão — acompanhada por unanimidade por quatro juízes militares do Conselho Especial de Justiça da PM —, o juiz Leonardo Rodrigues da Silva Picanço destacou: "Diante de uma situação extremamente desafiadora como esta, os policiais se viram diante de uma verdadeira 'escolha de Sofia': responder por possível omissão de socorro ao deixar as vítimas no local do confronto sem assistência, ou por fraude processual ao tentar socorrê-las, mesmo que isso alterasse a cena do crime".

Embora os auditórios não tenham julgado os PMs pelos homicídios, Picanço afirmou, à época, que "é plausível que os denunciados presentes participem em defesa legítima, em meio ao confronto com criminosos reconhecidos da localidade". A investigação sobre os homicídios segue em andamento.