RJ em Foco
Costa Niemeyer: empreendimento com 131 estúdios e vista para o mar, na Zona Sul do Rio, divide opiniões
Moradores do Leblon temem pelo impacto no trânsito; associação de São Conrado diz que prédios podem frear favelização de encosta
Ainda sem dados de lançamento marcados e com o início das obras pendentes de autorização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU), o Costa Niemeyer, executivo especialmente para locação por temporada, já divide opiniões. Localizado na Avenida Niemeyer, 170 — quase em frente ao Hotel Sheraton —, o projeto prevê a construção de 131 estúdios de 32 m² a 63 m², todos com vista para o mar. De um lado, os moradores do Leblon e a entidade que os representam têm impacto no trânsito; por outro lado, a associação de São Conrado não vê nenhum empreendimento uma barreira contra a expansão da favelização no Vidigal.
Casarão na Gamboa:
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Conforme informou Renan Setti, da coluna Capital, no site do GLOBO, as construtoras Montserrat e Calçada contaram que "os R$ 100 milhões em apartamentos compactos encontraram compradores após uma convenção com corretores e antes do lançamento oficial do empreendimento", divididos em três edifícios escalonados, com três pavimentos cada — nomeados Arpoador, Ipanema e Leblon. Hoje, parte do terreno, de cerca de três mil metros quadrados, é ocupada por um hotel para animais de estimação. As obras estão previstas para serem realizadas em 30 meses, e o preço médio por unidade foi de R$ 760 mil.
“O trânsito, que já é péssimo, vai ficar insustentável”, comenta um internauta no Instagram da Associação de Moradores e Amigos do Leblon (Amaleblon). “Quanto tempo o Rio vai sobreviver com tantos absurdos?”, questiona mais um. “A Niemeyer vai acabar… o trânsito fica inviável, e ali não tem como resolver o problema” e “Vai ser ótimo, porque agora mesmo é que ninguém vai mais andar na Avenida Niemeyer”, criticam outros posts.
A presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, vê com preocupação e maus olhos o empreendimento:
— Estou cética. Vai criar adensamento numa avenida como a Niemeyer, que já é um problema em termos de circulação. Não acho que todos precisem ser consultados para tudo, mas nesse caso é preciso analisar as consequências. Acredito que os imóveis desse empreendimento não irão atrair apenas os interessados em aluguel por temporada. Solteiros e casais sem filhos poderão comprar esses apartamentos. Quem não quer morar no Leblon? E muitos que alugam por temporada, como paulistas, acabando vindo de carro.
Já o presidente da Associação de Moradores e Amigos de São Conrado (Amasco), Tulio Simões, pensa diferente:
— Se o empreendimento for aprovado segundo as normas legais, vai ajudar a não ter uma favelização maior no Vidigal. Pode até criar um polo de trânsito, mas isso acontece de maneira organizada. Em um primeiro momento, todo o empreendimento que cria a possibilidade de não aumentar a favelização é bom. Nosso grande salto é a expansão desordenada da Rocinha. Não queremos que São Conrado vire uma Gávea, com grandes mansões fechadas por serem muito próximas da comunidade.
A SMDU, por sua vez, informa que o imóvel possui licença de construção válida. Para a autorização de início das obras, acrescenta a pasta, “é preciso que o requerente cumpra uma série de critérios previstos na legislação, dentre elas, a apresentação do estudo de impacto sobre o trânsito”.
Por e-mail, as Construtoras Montserrat e Calçada destacam que “o empreendimento foi planejado em conformidade com a legislação vigente e as diretrizes dos órgãos públicos responsáveis”. Garantem ainda que “foram estudos técnicos realizados, incluindo a avaliação de impacto viário no entorno, e todas as medidas indicadas pelos órgãos competentes serão seguidas”.
40ª de
As duas construtoras lembram que cresce o número de pessoas interessadas em investir em imóveis de verão, tanto para utilização residencial quanto para investimento. Segundo os empreendedores, o projeto prevê rooftop com piscina de borda infinita e vista para as Ilhas Cagarras, sauna, bar e academia, totalizando mais de 800 metros quadrados de área de lazer. No edifício Leblon, 11 estúdios terão piscina e deck molhado privativos.
O projeto contempla ainda área para bicicletas compartilhadas, ponto para carregamento de carro elétrico, 40 vagas de garagem, além de local para aluguel temporário de mobília, eletrodomésticos cadeiras de praia e guarda-sol. Outra facilidade anunciada é a disponibilidade de uma van com serviço regular de transferência para os hóspedes, saindo do empreendimento e realizando paradas na Praia do Leblon, no Shopping Leblon, na estação do metrô Jardim de Alah e na Rua Dias Ferreira, com retorno ao Costa Niemeyer.
O acesso ao condomínio será pela Avenida Niemeyer. Segundo os construtores, na entrada, haverá um porte-cochère (estrutura coberta) para embarque e desembarque de passageiros.
Estão também previstas soluções físicas e tecnológicas voltadas para a segurança. Entre elas, controle de acesso, central para monitoramento com circuito interno de TV, monitoramento 24 horas com sensor de presença nos acessos e fechadura eletrônica nas unidades.
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